quinta-feira, 16 de junho de 2011

Diário de uma Imortal – Capítulo 01

Nota da autora: leitores, estou feliz que começaram a ler minha fanfic. O casal formado por Rosalie e Emmett sempre chamou minha atenção, não só pela atração física entre eles, como também pelo tipo de amor. Eles têm algo que os fazem serem completos, porém dificuldades quanto aos problemas que Rosalie tem. Terão uma visão diferente de nossa “loura mal humorada”, e entenderão que ela pode realmente ter motivos para isso. Verão também que a personalidade de Emmett é realmente intrigante, e que o seu bom humor se estende para sentimentos lindos. Espero que gostem, lembrando á vocês que muitas coisas acontecerão, e sigam esta história até o final. Abraços, Letícia.
PS: o título “Diário de uma Imortal” é bem simples. Quando falamos sobre “diário”, não nos referimos apenas sobre aquele caderninho que sabe tudo sobre nós, mas também aos acontecimentos do dia-a-dia de uma pessoa, fatos que ocorrem diariamente. Já a palavra “imortal”, refere-se obviamente à seres que a morte natural não atinge, no nosso caso, os vampiros, lobisomens e híbridos.
Os personagens são exclusivos de Stephenie Meyer, com exceção de alguns que foram criados por mim e aparecem durante a história. Esses personagens detêm meus direitos autorais (Letícia Penha). Boa leitura!
*****
Eternidade Incompleta Visão de Rosalie
É incrível como a frustração e raiva parecem ser parte de meu espírito. Existem dias que nem eu mesma me suporto, mas então vem Emmett e sempre some com meus problemas.
Ele caiu do céu.
Mas eu nunca quero compartilhar todos meus estúpidos dilemas com Emm. Poupar as pessoas que amo de minhas frustrações e raiva está no topo de minha lista, o único que não se inclui nela é Jacob.
Emmett é um homem incrível. E seu ótimo humor me impressiona sempre, contrariando e se opondo ao meu. Eu quero tentar reverter meu espírito mal humorado, porém há coisas que me incomodam desde meu primeiro dia nessa vida demoníaca. Como arrancá-las de mim, se eu mesma não supero as coisas mais fúteis? Quanto mais a minha MAIOR frustração…
Infantilmente e na esperança de que isso me ajudasse, tentei cortar de mim as irritações mais bobas, causadas por coisas mais bobas ainda. Como por exemplo, Jacob. Quem sabe ignorando a raiva que exalava de mim nessas situações eu não me tornaria um pouco mais sociável com meu próprio espírito? Não estou tentando me mudar para ficar mais próxima e incluída da minha família, porque eles já estão acostumados com meu gênio, e sei que me amam mesmo assim, retribuindo meus sentimentos à eles. Estou tentando me mudar porque cansei de ser chata, frustrada e enraivecida comigo mesma. Faz mal para mim pensar em coisas impossíveis, e é o tipo de dor que eu não quero mais. Superar os maiores problemas será complicado, mas estou indo tão bem com os problemas pequenos que chego a ficar empolgada.
Ignorando as provocações ridículas de Jacob, a falta de privacidade por Alice e Edward, e as loucuras realmente irritantes que Emmett às vezes faz acontecer, senti uma mudança positiva no meu ego egoísta e humanamente chateado.
Ultimamente Emmett fala que estou dando uma de psicóloga, resolvendo meus próprios problemas por meios pacíficos. E eu me sinto assim.
Como amo escrever e ler, e existem tardes odiosas da semana que acabo a lição de casa rapidamente, resolvi começar um diário. Descrever o que ocorre com você serve de apoio. Assim, posso saber o quanto estou progredindo, e rever meus erros passados para não cometê-los futuramente.
Antes de começar a escrever, tive que rever meus conceitos, sendo sincera comigo mesma. Porque para falar a verdade, sempre achei esse negócio de escrever em diários uma bobeira…que isso é coisa de garotinha adolescente que não tem nada para fazer.  Não que eu não tenha nada para fazer, pois quando você possui um marido como Emmet, você tem muitas coisas para fazer. Mas é porque isso é algo que me ocupa, me faz refletir, e não me deixa atacar Jacob a cada piadinha infame que ele conta, fora as tardes que realmente são odiosas. Isso dará um grande diário. “Tudo bem, vamos começar”, pensei comigo enquanto pegava a caneta.
“Diário, me chamo Rosalie Lillian Hale Cullen. Sim, é enorme, e uma junção de meu nome humano e não humano. Nasci em 1915, Rochester, Nova York. Porém em 1933 faleci, e considero essa data a do meu real nascimento. A partir de 1933, tenho aproximadamente 77 anos, mas aparento ser uma adolescente de 18. Resumindo, sou uma vampira”.
Ok, isso não está muito apresentável. Mas não vejo outra forma de começar a contar sobre minha vida, afinal, eu não sou humana mesmo, e isso possivelmente explicará minha amargura.
-Concentre-se! – disse para mim mesma.
“Moro atualmente com minha família, os Cullen. Em 1933, quando estava à beira da morte, Carlisle me transformou em uma vampira. E desde então não mudo minha aparência de 18 anos, me impossibilitando também de mudar qualquer coisa nesse organismo macabro. Ele já havia transformado Esme, sua parceira, e Edward, meu atual irmão e invasor de privacidade. No início, desejei Edward como meu parceiro, porém como ele sabia que meu gênio era um tanto egocentrista, e que na verdade eu odiava essa nova vida de sangue, recusou-me e me aceitou como irmã. Obviamente isso foi um baque no meu emocional, e um trauma que me fez ficar ainda mais insuportável que antes. Porém isso não é mais a causa de meu humor continuar assim, por mais que eu tenha melhorado.”
“Estava caçando em 1935, completando meus dois anos de vampira, na região do Tennessee, quando achei um garoto de em média 20 anos sendo atacado por um urso. Salvei-o por razões mais egoístas impossíveis, e me sinto mal até hoje por condenar sua vida dessa forma somente para satisfazer meus desejos. Ele se parecia tanto com o pequeno Henry, filho de Vera, minha amiga humana. Levei-o para Carlisle, e meu pai o transformou. O arrependimento obviamente me desolou, deixando-me ainda pior de espírito nos anos seguintes. Dez anos de puro sofrimento e autorepreensão. Nos dez anos que se seguiram após a transformação de Emmett, eu me rebaixei. Achava que Emmett me odiaria, sendo que com o tempo, eu não me sentia atraída somente pelas suas covinhas, mas sim pelo seu bom coração. O que melhorou um pouco a situação foi que ele gostou dessa nova vida vampiresca, e não me culpava de ser a encarnação do demônio como eu achava ser. Sofri muito com meu próprio ser durante esse tempo, e saber que Edward sabia disso, me rebaixava à cinzas.”
“Emmett e eu nos casamos antes dele completar onze anos como vampiro. Ele falava que simplesmente me amava, e eu não passava de um anjo por ter salvado sua vida. E que eu não deveria nunca me martirizar por ter feito Carlisle o transformar. Fiquei ciente nesse dia que Emmett realmente era apaixonado por mim, e meu humor negro praticamente se iluminou desde então. Meu amor foi correspondido dessa vez, sem atrocidades, como quando eu era humana. Sou incondicionalmente apaixonada por Emmett, e realmente não há nada melhor que a companhia dele e da minha família, por mais difícil que seja superar certos trechos disso.”
“É claro que por mais que eu e Emm sejamos felizes falta alguma coisa. E é o que eu mais desejo, porém, para zombar um pouco da minha cara, é impossível. É realmente a única coisa que falta para meu espírito ficar resplandecente, e é o que me faz ser angustiada e mal humorada por muitas vezes, já que a aceitação da vida de vampiro e o alívio de ter um parceiro comigo eu consegui. Desejo muito um filho.”
“Logo os Cullen aumentaram, com a chegada de Alice e Jasper em 1950. Esme e Carlisle ficaram muito felizes, com todos aqueles filhos adotivos que os amavam igualmente. Os Cullen são o tipo de família que causa inveja até mesmo nos humanos. Irmãos unidos e completamente protecionistas uns com os outros. É claro que nunca revelamos o que somos aos humanos, portanto inventamos histórias e mais histórias sobre nossa ligação familiar. Normalmente, sou a irmã gêmea de Jasper, formando os sobrinhos Hale adotados por Esme. Não é tão ruim assim.”
“Para falar a verdade, o que é ruim e me irrita muito, são as mudanças de cidade. Não passamos mais de cinco anos num mesmo lugar, porque os humanos mais atentos – o que é raro-, notariam nossa mumificação na aparência. De Forks, nos mudamos para Olympia, e de Olympia para nossa atual Seattle. Quando começo a me acostumar com uma cidade, e com o meu quarto, fazemos a mala e dirigimos até outro lugar chuvoso. É a coisa mais irritante passar por isso, mas estou tentando cortar de meus problemas pequenos também.”
“Diário, na verdade superei todos os meus problemas miúdos. Só o problema grande ainda persiste em mim. A impossibilidade de conceber. E isso é o que ainda me deixa com o humor meio instável, por mais que eu tenha melhorado. Isso ainda me faz sofrer.”
Fechei meus olhos e tentei reprimir os sentimentos mais banais para dentro de mim, não queria fazer meu diário encarnar a raiva que senti de meu querido Royce King. Mesmo ele não sendo o culpado pela minha incapacidade de ter filhos, era bom jogar a culpa de tudo nele. Afinal, era por aquele bastardo que eu realmente passo por muitas coisas hoje.
“Bem diário, mudando um pouco das sombras de parte da minha vida, vamos para a maravilhosa família que me cerca. Os membros mais novos são Bella e Renesmee. Bella era humana, e casou-se com Edward, por mais estranho que seja. Então engravidou de Renesmee. Eu sei, é mais bizarro ainda. Bella é nosso campo de força, um escudo na verdade. Renesmee é uma híbrida, e tem um dom de enviar imagens e pensamentos à uma pessoa com um toque. Edward é meu intrometido irmão leitor de mentes. Alice, irmã vidente de catástrofes e maníaca por roupas. Jasper, seu parceiro, que sempre controla meus sentimentos raivosos. Emmett, meu amado marido, que por vezes age como se tivesse três anos de idade. Carlisle, o líder do clã e nosso pai adotivo. Esme, nossa mãe adotiva, incrivelmente amável. Para mim, a família termina aqui, mas para meu desgosto, muitos consideram essa coisa um irmão também. Uma coisa bem fedorenta, que anda de quatro e uiva. Jacob, um metamorfo.”
Tudo bem, eu cheguei à conclusão de que não estou fazendo um diário, mas sim contos de terror com tantas criaturas sombrias. É melhor parar por aqui hoje.
Senti-me melhor em ter desabafado com a folha de caderno, mas a frustração e raiva de sempre ainda estavam grudadas no meu espírito. Eu era odiosa. Porque esquecer o que sofri quando humana, e entender que não posso ter um filho agora é tão difícil? Sinto que essas são as únicas barreiras que me impedem de ser uma Rosalie em paz com seu espírito. Uma Rosalie completa com seu Emmett.
Larguei a caneta no canto da mesa, suspirando fundo e pensando se Jasper por vezes era meio frustrado por minha culpa. Eu tinha o melhor parceiro do mundo, a melhor família do mundo – na qual eu consegui superar meus terrores, e entender o lado de Carlisle em ter me transformado -, mas ainda assim, não era o suficiente para a alma vazia e consumista que habitava meu ser. Para ela, enquanto eu não conseguisse tudo o que queria – o que realmente seria impossível -, minha pessoa seria insatisfeita e incompleta.
-Rosalie, venha aqui, por favor! –a voz de Edward me chamou e eu pulei na cadeira de susto. Estava imersa demais em meus pensamentos para prestar atenção nas coisas ao meu redor. Desci as escadas como um raio, então eu o encontrei parado no meio da sala de estar, rodeado pelos sofás, a lareira e uma enorme TV. A sua expressão parecia meio dividida.
-Renesmee quer ir fazer compras, e está te chamando… ou melhor, implorando…ela não quer ir só com a Alice…sabe como é. –ele deu um meio sorriso, como se não fosse preciso explicar o pavor de ir fazer compras com minha pequena irmã.
-Tudo bem, eu amo demais minha sobrinha para deixá-la sozinha com pessoas do tipo da Alice, narcóticos por moda. É bom que já darei a ela o seu presente de aniversário. Minha pequenininha vai fazer 17 anos… Ou 6, ou… Não importa, droga… Isso me confunde! –lamentei com a confusão que brotava na minha mente. Renesmee era a mais complicada com idades aqui.
-É isso que dá ser loura! – a voz rouca do fedorento falou. Cão idiota.
-Ah Rose! –Edward arregalou os olhos como tivesse se lembrado de algo crucial.  -Eu escutei a parte em que você disse: “Intrometido leitor de mentes”, e não estou satisfeito com isso. – Edward queixou-se, cerrando os olhos para mim e escondendo um sorriso.
Respirei fundo e tentei me acalmar. “Ignore irritações pequenas Rosalie”, minha mente gritou. “Você nunca teve privacidade, então não ligue para seu irmão”. Esperava que ele escutasse meu conflito interno, e entendesse que era necessário muito autocontrole para não discutir com ele. Edward é altamente irritante. Não posso nem escrever no meu diário em paz, e ele sabe a quantidade de palavras que coloquei em cada folha! Meu irmão deixou o sorriso reprimido tomar conta de seu rosto, e novamente contei até três para não brigar com ele e seu dom insuportável.
-Quero ir com vocês comprar o presente de Nessie também, posso? – Jacob pediu como um cachorro implorando petiscos de bacon.
-Sim. – eu cuspi as palavras, como se fossem repulsivas. Imitando uma voz de quem não queria sua companhia, e não queria mesmo. – Irei aproveitar e levar você á um Pet Shop, quem sabe o banho que eles lhe darão fará seu cheiro melhorar? Casas que cheiram como cachorro são desagradáveis, e desde que você se mudou para Seattle com a gente, o sofá da sala cheira a… lobisomem molhado.
Retorci minha cara em uma careta, e Jacob sorriu desconfortavelmente, como se falasse: “Um dia ainda arranco sua cabeça”. Por mais que ele me irritasse, e eu tentasse ignorá-lo – o que andava fazendo com muito sucesso -, era bom demais encurtar a paciência de Jacob Black.
-Tia! –Nessie disse com um tom de repreensão enquanto descia as escadas, seus cachos dourados arrastando-se por trás da cintura. -Não fale assim de Jake, ele só quer nos acompanhar… certo? –seus olhos inocentes estavam crentes de que não havia dúvidas quanto às intenções de Jacob.
-Ok Nessie, vamos… – lancei um olhar cortante a Jacob. Eu sabia que ele não queria NOS acompanhar, e sim acompanhar ela. Seu imprinting. Até hoje Renesmee não sabia de nada, porém com a adolescência, ela se sente atraída por garotos – o que faz Jacob sofrer sozinho e querer a morte -, ou logo só por um “garoto”. Jacob. Arrepio-me só de pensar… ninguém quer que o genro de seu irmão tenha um focinho.
-Rose… calada. -Edward sibilou, ordenando. Só obedeci porque ele tinha razão, ao contrário não obedeceria. Odeio pessoas que me tratam como uma cadela, pois estou bem, bem longe de ser isso.
Eu, Nessie e Jacob caminhamos até a garagem, e Alice já estava parada na frente de seu Porsche, nos esperando. Ela praticamente quicava enquanto dirigia, completamente animada em comprar roupas e mais roupas.
Chegando ao shopping nós fomos arrastados por Alice para uma boutique Armani, onde gastamos a renda anual de uma família norte-americana de classe média. Depois passamos em outras boutiques, como Gucci e Guess. Até Jacob resolveu gastar um pouco, ele foi a uma loja onde se vendia Marc Jacobs, e lá se foi uma boa parte do mostruário e de seu rendimento no banco. Desde que ele está morando com a gente, demos algumas coisinhas básicas de um Cullen para ele. Como o carro Aston Martin, e uma conta de poupança bem gorda, obesa para ser sincera. No começo ele recusou veemente, porque estava se sentindo comprado e disse que poderia se manter com um trabalho á tarde, após a escola. Mas Bella deu um jeito de convencê-lo, falando que por mais que ele estivesse estudando pela segunda vez, e revendo todas as matérias que já havia estudado, era para ele dedicar-se somente à escola. E ninguém quer enfrentar Bella quando ela grita.
Espero que Nessie escolha bem o presente que irei dar a ela, estou gastando uma quantia exagerada hoje. Na verdade, o aniversário dela é só em Setembro, e não em Julho. Mas seus amigos humanos acreditam que seu aniversário é este mês, e por isso estamos comemorando adiantadamente. Ela estava em dúvida entre dois pares de sandálias perfeitas, e um vestido vermelho curto fascinante. Eu e Alice preferimos que ela compre as sandálias, já Jacob…
Ela saiu do provador com o vestido colado em seu esbelto corpo. Captei o rápido olhar de Jacob no decote, e o encarei. Ele tentou disfarçar, suas bochechas corando. Renesmee não tinha notado o pequeno acontecimento em sua volta, ainda era tão ingênua! Cerrei meus olhos para o cão, e prometi internamente dedá-lo para Edward.
- O que acham? –Nessie perguntou em dúvida. Respondi sua pergunta:
- Ficou linda querida, e tenho certeza de que Jacob também acha isso, não é? –ironia pesada. Adoro provocar Jacob, dando-lhe o troco por tudo que ele já fez e faz contra mim. Sou o tipo de pessoa muito rancorosa. Ele ainda me pagaria pelo pote de comida que jogou em minha cabeça, quando Bella estava grávida. Eu nunca me esqueci daquilo.
- Sim Nessie, ficou lindo… mas seu pai iria te encher, o vestido é muito curto! – Jacob disse relutante em fazê-la não levar o vestido, mas muito consciente das causas se ela o comprasse.
Vi que não iria ser só Edward que implicaria com o tamanho do vestido, Jacob também. Ele deve ter imaginado vários garotos olhando as belas pernas de Nessie. Alice também notou isso, e deu uma risadinha abafada, que todos escutaram. Ela tentou disfarçar:
- Nessie, vamos fazer assim: eu te dou o vestido, e seu pai não poderá implicar, afinal, eu sou Alice Cullen. E Rose te dará as sandálias! Se quiser outros presentes também, é só falar… – e lá fui eu ao caixa da loja, pagar os dois pares de sapatos da boutique mais cara que eu já havia visitado.
Se existir a chance de algum dia eu ficar pobre, posso ter a plena certeza de que isso foi culpa de Alice.
Ao voltar para casa, e ajudar Alice a retirar todas as lojas de Seattle do porta malas do carro, corri ao meu quarto, e escrevi como foi o dia de compras em meu  diário. Terminado este assunto, resolvi acrescentar um pouco:
“Querido diário, posso dizer que meus primeiros anos como vampira foram horríveis. Não só pela sensação de queimação em sua garganta, mas também pela raiva dez mil vezes maior da que sinto hoje. Eu era realmente muito mais frustrada, e não superava nada facilmente. Vingança pela barbaridade que me fizeram consumiu tudo o que eu tinha, até realizá-la. Além de tudo isso, ainda tinha que me acostumar com a hiper força altamente destrutiva, os olhos vermelhos…. como senti falta da cor azul, verde, ou castanho que fosse! Achei que eles nunca sairiam daquela cor assustadora. Nunca provei sangue humano, mas tive dificuldade em me controlar, ainda mais depois do que fiz. Porém não me arrependo de ter matado essas pessoas, valeu a pena. Afinal, todos que eu matei mereciam a morte, e não eram pessoas para mim, e sim monstros.  Mas eles ainda não pagaram o que fizeram comigo. É bem provável que eu reencontre eles no inferno, e lá farei eles servirem almoço e jantar ao próprio demônio todos os dias. Me orgulho de não ter deixado uma gota do sangue sujo deles estar no meu corpo.”
“Com o tempo, me controlar foi ficando mais fácil. Logo achei Emmett, e como amo ele! Nosso primeiro beijo foi algo inesperado, ocorreu dez anos depois que o conheci, e um ano antes de nosso casamento… Emmett já era controlado, e vivíamos com alguns Cullen, porque ainda faltava Alice, Jazz, Bella e Ness. Estava no meu quarto, arrumando algumas coisas, quando Emmett chegou e disse: “Rose, pode me esquartejar depois se quiser, mas eu preciso disso, assim como preciso de sangue”. Neste momento ele me agarrou e me segurou o mais forte possível, seus lábios colidiram com os meus, e… não tive como parar… eu queria aquilo também já fazia algum tempo, e festejei quando soube que Emm também me queria”.
Meus dedos reclamaram quando coloquei força demais na caneta, me empolgando com a situação que descrevia. Pude sentir que a tinta vazaria se eu forçasse um pouco mais. A inspiração da escrita se apagou de mim como o fogo se apaga com muita água. Fitei o teto e suspirei pesadamente. Quando eles chegariam da caçada? Poucas pessoas na casa é muito tedioso.
E o que eu iria fazer agora? Não estou com sede, e a monotonia já está tomando conta de mim. Que droga! Às vezes ser imortal é um saco. Você já fez tudo o que poderia, e continua vivendo! Fazendo sempre as mesmas coisas… é raro surgir algo diferente.
Escutei muitos passos no primeiro andar da casa, e foi coincidência eu estar pensando neles quando chegaram. Um coro de aleluia ressoou na minha mente. A maçaneta da porta se abriu, era Emmett e seu grande sorriso. Ele estava com uma caixa grande e vermelha na mão, seus olhos altamente dourados indicavam que ele bebeu praticamente todos os animais da mata.
-O que é isso? – perguntei muito curiosa.
-Algo diferente, baby! Tenho certeza de que você procura isso, ainda mais nessa tarde chata. -ele abriu um sorriso malicioso, quase pervertido.
-O que está aprontando Emmett!? -sabia que ele estava fazendo alguma arte. Nesse segundo ele abriu a caixa, pegou uma roupa, entrou no nosso banheiro, e escutei-o se vestindo. Eu estava muito confusa, o que era isso?
Quando ergui minha cabeça do chão, meus olhos se fixaram em um Emmett que não era mais o mesmo que estava aqui há poucos segundos. Ele estava vestido de policial, uma pistola de borracha estava em uma de suas mãos, e a outra rodopiava algemas, um distintivo pregado no bolso do colete. “Oh meu deus!” – sibilei para mim mesma. Lembrei-me de que há alguns dias atrás, tinha mencionado que achava as roupas de policiais incrivelmente interessantes. Sexy, na verdade.
Emmett abriu um largo sorriso, desta vez totalmente pervertido, e sussurrou com uma voz sedutora:
-Quer algo diferente tia Rose? – ele apontou para um chicotinho que estava dentro da caixa, e eu mal tinha notado. Poderia fervilhar em vergonha se fosse humana, ainda mais com os intrometidos no primeiro andar. – Seja muito má, e faça aquele chicote ser útil… estou aqui gata!
Não consegui evitar de sorrir. Emm andava invocado em vestir roupas para mim. Não me contentei em deixar aquela oportunidade passar, tirei seu colete, peguei o chicote e lasquei uma chibatada em suas costas.
-Rose querida, vamos! Bata em mim! –ele disse como se estivesse frustrado por eu não ter entendido o que fazer com o chicote. Seu rosto simplesmente não demonstrava ter sentido nada. Mas como assim???
-Já te chicoteei Emmet, não sentiu? -ele fez biquinho e cruzou os braços quando perguntei.
-Não! Dê o seu melhor! –Emm sorriu de lado. Então é assim? Uni todas as minhas forças, e as concentrei no chicote, o balancei no ar, e quando atingiu as costas nuas de Emmett, um estalo alto disparou pelo ar. Ok, essa doeu.
-Awwwww, Rose!!! Brinquedinhos de masoquistas não dão certo para você! –ele grunhiu e esfregou as mãos em suas costas, na tentativa de entorpecer a região lesionada. Ele ficaria com hematomas se fosse humano.
Senti raiva e vergonha quando ouvi risadas tentando serem abafadas no andar de baixo. Emmett ligou o som, e uma música tomou conta do quarto. Vamos dizer que essa música é bem útil quando uma pessoa quer se despir. Ele começou a dançar na minha frente, e eu não conseguiria controlar minhas risadas se ele continuasse a fazer isso. Um estranho êxtase tomou conta de mim, e Emm parecia muito mais sensual do que antes. De repente tudo ficou muito fantasioso.
Os músculos da barriga de Emmett falavam: “Vamos Rose, uma passadinha de mão não faz mal a ninguém”. Fiz isso, e Emm respondeu com tamanha força que enlouqueceu, me empurrando contra a cama. Escutei um forte “Crack”.
Oh-oh, cabeceira destruída à vista. Virei-me para ver o estrago, mas fui impedida. Emmett me fez ficar no quarto pelo resto da tarde. E eu desejava esperançosamente que toda a minha família tivesse ido caçar, mesmo que a maior parte dela tivesse acabado de retornar.
Como sempre penso, ter privacidade nesses momentos é bom.
É incrível o quanto Emmett consegue melhorar meu humor com um simples sorriso, e retirar de mim sentimentos ruins que me fazem sentir odiosa.  Ele realmente sabe como fazer uma mulher como eu se esquecer de todos os problemas em apenas alguns minutos.

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