domingo, 19 de junho de 2011

Diário De Uma Imortal – Capítulo 23


Nota da autora: apenas como precaução, existe nesse capítulo referência a certas coisas que podem não ser completamente apropriadas para os leitores mais novinhos (nada grave). Sei que quando lerem vocês todos entenderão o que quis dizer, e verão que pode ser até normal dependendo de sua consciência e maturidade. Espero que gostem e se divirtam com o reencontro de Rosalie e Emmett, que finalmente, vai acontecer. 
Reencontro
O primeiro a entrar no meu campo de visão foi o lobo gigante avermelhado. Jacob correu até mim e fitou a fogueira que crepitava com as cinzas de Michael. Edward se colocou na minha frente junto com Bella assim que chegaram onde eu estava.
-Está tudo bem com você? –Ed indagou. -Ele te machucou? Rosalie! Você devia ter nos esperado! Michael era um recém-criado e poderia ter te matado! Pensa que irônico seria isso, com Emmett te esperando?  -Edward falava isso enquanto inspecionava qualquer sinal de machucados em mim.
-Rose! Sua mão! -Bella pegou a minha mão direita com cuidado e a analisou. Meus dedos estavam tensos, com certeza resultado da bela torção que tive graças à Michael.
-Estou bem. –respondi. -Ele fraturou algumas costelas minhas e minha mão foi torcida. Mas posso sentir que já está curando, porque não dói tanto quanto antes. E não! Eu não devia ter esperado vocês, por mais perigosos que fosse! Eu queria matar Michael com minhas mãos. E consegui!  -abri um sorriso iluminado e enorme para minha família, que agora estava me cercando. Todos menos Emm e Carlisle.
Eles me olharam nos olhos e viram que eu falava a verdade. Viram que eu estava bem. Bem como nunca estivera desde que Emm desapareceu. Edward me abraçou orgulhoso e assim os outros também fizeram. O inferno acabou. Mal podia acreditar.
Esme estava preocupada. Eu sabia que agora que estava tudo bem por aqui ela queria ver Carlisle e seus machucados. Fred me fitava alegre, e então um estalo soou na minha cabeça.
-Oh obrigada! Muito obrigada, Fred!  -eu me joguei nos seus braços enquanto agradecia. Ele riu confuso e sua testa se vincou.
-Obrigado pelo quê? -seus olhos se arregalaram.
-Por ter criado Elizza! –eu cantarolei. -Por mais cruel que seja o que estou falando. Mas se não fosse ela nossa família seria aniquilada.  -saí dos braços de Fred e me apertei contra Elizza por um tempo grande. Ela me dizia que não foi nada, e que somente protegeu sua família. Sim, eu tinha mais uma irmã.
-Ter uma amiga super forte e com um dom muito legal é hilário! -Renesmee jogou os braços para cima e passou pelo pescoço de Elizza em um abraço apertado de agradecimento. Sua amiga prendeu a respiração, evitando o contato com seu cheiro, e a abraçou igualmente.
-Er… E-Elizza… E – eu… -Nessie sufocava no aperto de Elizza.
-Oh querida! Desculpe!  -Elizza sorriu sem graça.
-Sem problema, contando que não quebre meus ossos! Eles não se regeneram tão rápido! – foi o que Ness respondeu divertidamente.
-Vocês podem sentir minhas emoções nesse momento? -Alice saltitou alegre.
-Sim Alice, eu posso! –Jazz sorriu. -Por favor, tente se controlar. Estou quase explodindo de felicidade com todos vocês.  -Jasper a apertou ao seu lado, com uma careta para nós.
-Estou tão, tão feliz! –Alice ignorou o pedido dele. -Finalmente teremos paz! Tenho uma nova irmã para fazer compras! Emmett está de volta! Michael não nos infernizará nunca mais! E Rosalie está de volta! A Rosalie inteira. De volta!  -Alice bateu palminhas de empolgação.
Pela primeira vez, em mais ou menos quatro dias, eu sorri aliviada. Eu realmente tinha vontade de sorrir. Tinha motivos.
Os quatro lobos gigantes deixaram suas línguas penderem de lado. Num sorriso de lobo. A cara de Seth era a mais hilária. O clima habitual de nossa família voltou gloriosamente.
-Vamos para casa. - eu disse enquanto me preparava para sair correndo. -Quero ver como Carlisle está. E Emmett. Preciso ver ele agora.
-Ei, Rose! -Edward segurou meus braços, impedindo-me de correr. -Jacob pensa que você se mostrou muito corajosa e heroína hoje. E todos nós sabemos que você está sentindo um pouco de dor nas costelas devido à Michael. Então ele te oferece uma carona nas costas dele!
Fiz uma careta para o lobo castanho avermelhado na minha frente, rendendo gargalhadas de quem estava aqui. Eu ficaria fedendo muito, mas minhas pernas e costelas realmente doíam um pouco. Eu aceitariaNão acredito que estou fazendo isso.
-Bem vira-lata, prepare seu dorso então! Irei aceitar a carona. Você ficará cheirando vampiro!  -eu disse com humor e o lobo fez uma careta estranha, a língua se dobrando junto com a expressão dos olhos. Comecei a rir daquilo quando minha família também notou a careta.
-Jacob manda eu te dizer: – Edward narrou os pensamentos de Jake.  -A rainha da irracionalidade loura irá montar no mais belo e forte dos cavalos!
Revirei meus olhos e respondi:  -A vampira mais doida do mundo subirá nas costas de um lobisomem pulguento e fedido!
-Jacob mandou dizer que não é pulguento. –Edward gargalhou.
Minha família e eu rimos também. Estava tudo tão mais leve, tão mais calmo. Eu me sentia flutuando. Jacob se abaixou, possibilitando minha montaria. Nunca imaginei que poderia me dar tão bem com ele um dia. Montei em suas costas e realmente me senti imponente. O galope de Jacob era rápido, e o vento que batia em meu rosto me fazia rir de felicidade. Era essa a vida que eu tinha. Sem Michael ou ninguém para atormentar.
Michael a esta altura estaria ardendo no mais profundo fogo do inferno, ao lado do próprio demônio. Esse é o preço de se meter com nossa família sem reais motivos.
Logo chegamos ao quintal de casa novamente, com Jacob e eu montada nele liderando a corrida enquanto nossa família vinha logo atrás.
Fitei a forma que eu mais ansiava nos últimos dias. O garoto grande e musculoso estava sentado ao lado de Carlisle e sorriu largamente quando me viu. Meu sorriso preferido, com as covinhas se formando, e com os dentes brilhando na noite. Por pouco meu coração inanimado soltou uma batida frenética.
Carlisle já parecia recuperado dos machucados, pois sorriu para nós também. Esme já estava ao seu lado e o abraçou claramente preocupada. Depois ela foi para Emmett, chorando de emoção. Emm se levantou do chão para abraçá-la, e quando a soltou, voltou a me fitar. Só então parecia ter percebido que eu estava em cima de um lobo gigante. Ele fez uma careta divertida, sem entender a situação.
Saltei das costas de Jake e corri para encontrar meu marido. Parecia uma autêntica cena de cinema, quando corri para os braços abertos de Emmett, com o cabelo esvoaçando, exceto que a velocidade humana não era comparada a isso. Eu praticamente voei para encontrar os braços de quem mais queria.
-Emmett! -arfei aliviada quando senti seus braços me puxando para ele e envolvendo minha cintura num abraço reconfortante. Minhas pernas se encaixaram em sua cintura e ele me sustentou em seu colo, seus lábios foram famintos nos meus igualmente vorazes.
-Meu amor. Ah Rose! Rose! Sabe o quanto eu te amo?  -ele perguntou carinhosamente, cheirando meus cabelos e afundando o rosto em meu pescoço. Apertei ainda mais meus braços em sua nuca e nossos lábios se tocaram novamente. Seu cheiro me envolveu.
-EmmettAh Emm! –eu exclamava histérica, procurando no rosto dele qualquer vestígio de ferimentos. -Você está aqui! Querido, eu te amo! Eu te amo. Nunca mais faça isso! Nunca mais! Você não pode me deixar! -afundei meu rosto em seu peito e desatei a chorar de felicidade. Eu o podia sentir tremendo e reprimindo soluços também enquanto ele me apertava ainda mais em seu abraço. O cheiro dele emanava por meus pulmões e invadia minha cabeça. Como senti falta disso. Eu queria gritar de excitação.
-Rosalie, nunca ouse morrer sem me levar juntoNunca. –ele ordenou. -Jamais senti tanto sua falta! Entende que não posso viver sem minha alma? Seu meu belo anjo?
-Emm… –eu sussurrava idiotamente sem saber o que falar diante de tamanha alegria. -Não pense que depois que morrer se livrará de mim. Eu iria junto onde você estivesse! Meu coração estava em pedaç… –meu marido não me deixou terminar a frase.
Ele nunca havia me beijado assim. Era um beijo de reencontro.
Inspirei o ar profundamente, e meus pulmões se expandiram e o perfume que eu tanto queria novamente estava ali. Seu corpo frio no meu estava ali. Seus olhos me fitavam. Seus braços me envolviam. Eu não estava sonhando com isso! E se estivesse, não queria acordar jamais.
Eu separei meus lábios dos dele, tomando fôlego.
-Estou sonhando ou não?  -perguntei baixinho, mas sabia que toda a minha família escutava a conversa e via a cena.
Emmett me deu um beliscão nos braços. Havia doído.  Soltei um gemido e o encarei feliz demais para querer ficar brava com ele.
-Viu! Não está sonhando! Querida, eu estou aqui. Sempre estarei.  –Emm deu seu sorriso torto e me derreti nele. Derreti-me em saber que suas covinhas podiam ser apreciadas por mim novamente.
Desci minhas pernas de sua cintura, apoiando meus pés no chão, e apertei minhas mãos nas dele. Teríamos tempo para mais momentos como esse depois.
-Pode me explicar o que ocorreu direito, para se passar de morto? –perguntei. -Michael fez o que com você? Onde vocês foram, e o que aconteceu? Não compreendo o tanto que ele conseguiu nos enganar.  -eu estava curiosa demais. Tinha que admitir que Michael foi muito esperto.
-Sim, querida. –Emm prometeu. -Mas antes pode me explicar o que você fez com Michael?  -sua expressão parecia divertida. Os olhos esperavam uma resposta.
-Esmaguei suas pernas, e suas mãos. –conclui sádica. -O mordi. As costelas eu quebrei. Então sussurrei uma frase maléfica em sua orelha. Enfiei meus dentes em seu pescoço e deixei o tronco jogado longe da cabeça. Depois taquei tudo no fogo!  -eu sorri após acabar a narrativa. Emmett sorriu ainda mais quando Carlisle me fitou cauteloso, mas acabou por sorrir.
-Essa é minha garota! -Emm comemorou e me rodopiou em um abraço de urso. Ele mal acabou de me colocar no chão quando Jacob deu um pulo, já na forma de humano e vestido, em seu ombro.
-Cara! Você fez falta! –Jacob comemorou. -Sabe com quem eu brinquei de lutinha nos últimos dias?  -Jake parecia estar muito alegre. Emm e ele pareciam crianças juntos.
-Não.  –Emmett respondeu enquanto se desviava de um soco de Jacob, e lhe lascava um pontapé que também foi desviado. Ambos sorrindo.
-Seth! Fiz isso com Seth!  -Jacob arregalou os olhos e levantou as mãos para o céu, em súplica.
-Realmente horrível. –Emm riu e fitou o bico que Seth havia feito. -E eu consegui ser substituído por um lobo miniatura?  -Emm provocou, e Seth foi dar um abraço fraternal nele.
Logo toda a família estava se abraçando, brincando e rolando pelo chão enquanto fazíamos os rounds de luta acontecerem. Até Carlisle brincou dessa vez.
Foi legal. Uma coisa incrivelmente normal para os últimos dias. Eu, que odiava essas brincadeiras, me diverti muito.
-Então! Tenho outra maninha?  -Emmett brincou e abraçou Elizza. Ele ficou sem ar.  –Ei! Acaba de me salvar e já quer me destruir? Que coisa mais feia, Lizza!  -nós rimos quando Emmett precisou tomar fôlego. Não era a primeira vez que ele se frustrava com recém criados na nossa família. Ele lançou um olhar especulativo para Bella e parecia pensativo quanto à fracassada queda de braço entre eles.
Sentamos na grama do quintal, e Emm nos contou o que aconteceu enquanto estava com Michael. Como funcionava e como ele usou o poder de Fred, em que estado ficou. E que Bethanny foi morta.
Lembrei quando Michael me disse que iria viver em paz com ela. Eu sabia que ele estava mentindo. Idiota. Agora ele realmente vai fazer isso. Viver com ela reduzido á pó.
Depois que Carlisle viu minha mão e costelas totalmente perfeitas, e examinou Emmett também, se levantou e nos mostrou que também estava bem. Fred não parecia ter ficado abalado após o que Michael fez em seu pescoço, e seu osso se colou tão rápido quanto o nosso. Então vi Emmett lançar um olhar curioso para Edward, e meu irmão sorriu torto em concordância.
-Então… Que tal irmos caçar? –Edward começou a puxar assunto.  –Elizza já está com sede novamente. Mesmo tendo caçado hoje.
-Eu estou? -ela franziu o cenho, confusa. Segurei a risada. Eu sabia o que Emm aprontava.
-Sim. Está! –Edward confirmou. -Acabou de pensar em sangue!  -ele a fitou profundamente e ela só ficou ainda mais confusa.
-Ah Ed! –Alice tagarelou. -Eu cacei ontem com Rose e Bella. Não estou com sede!  -ela resmungou pouco convencida de que iria. Edward lhe lançou um olhar de “cala boca porque você vai!” e ela aceitou com a cabeça, provavelmente notando o que Edward fazia para consolidar o plano de Emm.
-Até os lobos virão conosco… –Esme incrivelmente ajudou. Eu estava me sentindo constrangida por saber que todos eles sabiam o que Emmett aprontava.
-Sim, então vamos! –Seth comemorou, parecendo ser o único que não desconfiava de nada. Segurei uma risada. -Caçar em grupo é legal! Mesmo nós não chupando o sangue dos bichinhos e tal… –ele continuou tagarelando.
Edward piscou o olho para mim e Emmett enquanto todos eles partiam do quintal para a floresta. Eu e meu marido continuamos no mesmo lugar. Só queríamos ficar sozinhos. Eu sibilei um “obrigado” para Edward quando ele deu sua última olhada para trás.
Seth seguiu o olhar de Ed, e olhou para eu e Emmett parados, sem segui-los também.
-Ei! –o lobinho começou a perguntar. –Por que Rosalie e Emmett não virão e… –ele foi interrompido quando Jacob lhe deu uma bofetada de brincadeira no alto da cabeça e murmurou algo no seu ouvido.
Enquanto eles entravam na mata e começavam á correr, escutei Seth gritar algo como:
-Ah! Que coisa mais nojenta isso!
Ignorei o resto de suas frases mirabolantes quando Emmett me puxou para seu corpo.
-Eu só pensava em tê-la comigo novamente. –Emm disse com seus olhos pregados nos meus, praticamente me carregando para outra dimensão. -Senti falta de você, querida. –ele sussurrou e me arrepiei com o toque de seus lábios na minha orelha.
-Eu também, amor. Queria estar com você. Queria saber que você estaria do meu lado. –falar isso foi o bastante para Emm passar suas mãos por minhas costas e tirar minha blusa por cima de minha cabeça em pleno quintal. Seus dedos afagaram minha cintura e ele nos arrastou para a porta dos fundos da casa, que dava para a cozinha.
Minhas pernas passaram por sua cintura, me mantendo equilibrada enquanto eu era carregada por ele. O peso de nossos corpos abriu a porta dos fundos em um baque. Escutei a fechadura cair em um som metálico. Eu gemi. Esme não ficaria feliz com isso.
-Esme deixará isso passar. Hoje é dia de festa.  –ele sorriu maliciosamente e com outro baque, me dei conta de que estávamos no meu quarto. Outro guincho metálico soou. Nossa fechadura.
Minhas costas foram jogadas contra a parede enquanto seu corpo me prensava por lá. Poderia ficar assim até amanhã. Seus lábios traçaram uma rota do meu pescoço até minhas coxas, e eu incrivelmente me contagiei de um êxtase que nunca sentira antes. Retribui as carícias na mesma intensidade, deixando tanto eu e Emmett ofegantes.
Quando me dei conta o resto de minhas roupas estava no chão, rasgadas em pedaços. Tirei a camiseta que Emm havia pegado emprestada de Jacob no quintal, já que a sua havia sido queimada, e minhas mãos foram para os músculos perfeitos de seu abdômen em um frenesi.
Senti que agora estava sentada em alguma madeira. A cômoda? Mas onde foram parar os porta retratos e perfumes que estavam aqui? Minha pergunta foi respondida com o som de vidro se quebrando e com líquidos incrivelmente cheirosos contagiando ainda mais nosso espírito conforme se espalhavam pelo chão.
Gemi sobre os lábios de Emm. Que destruição.
-Droga.  –murmurei quando minha boca se moveu para seu pescoço.
-Alice te dará tudo de novo depois.  –ele sorriu, e fiquei convencida disso quando senti suas mãos nos meus quadris. Minhas mãos roçavam suas costas e cintura. Seu peito largo me fazia ficar sem fôlego enquanto meu aperto sobre ele só aumentava. Se eu tivesse sangue estaria quente como um vulcão em erupção.
Enrosquei minhas pernas na cintura dele enquanto eu ainda estava em cima da cômoda, e o empurrei para a cama com a ponta do pé esquerdo quando ele se afastou um pouco para fitar meu corpo.
Então terminei de rasgar a última peça de roupa que estava nele, sem paciência para tirar cuidadosamente. Foi a vez de ele gemer em frustração.
-Edward te dará tudo de novo depois.  –eu sorri satisfeita, e o fiz encostar a cabeça novamente no travesseiro, deixando-me passar por todo seu corpo como uma visitante perdida.
Havia algo melhor que estar com Emmett?
Ele havia me rolado para baixo dele, e passado uma perna minha ao redor de suas costas.  Arrepiei-me quando sua boca foi em minha orelha, e ele se deixou perder em mim tão igualmente quanto me perdi nele.
-Eu te amo. –ele sussurrou quando seus lábios retornaram para meu rosto.
-Eu também te amo.  –mal acabei de dizer isso e seus lábios se trancaram novamente nos meus. Sua língua roçou meu lábio inferior enquanto eu alisava os músculos de suas costas em uma frenética procura por mais.
Suas mãos traçavam rotas diferentes desta vez, o que me fez amá-lo ainda mais. Como era possível descobrir algo novo cada vez que estávamos assim?
Puxei seus cabelos levemente, num ato animalesco e impensado, e isso o impulsionou a continuar. Seu tórax musculoso comprimia-se contra o meu com uma força prazerosa, e eu não resistia a alisar aquelas pernas que me prendiam sob ele. Eu não resistia a alisá-lo.
Emmett era surreal demais. Eu notava que a atenção dele percorria cada centímetro meu, e ele não hesitava em explorar cada parte minha. Eu não me importava em ter ele viajando em mim. Podíamos ficar nesse quarto para sempre, e ninguém se cansaria.
Logo eu e Emmett éramos como duas retas que se cruzam. Tínhamos um ponto em comum. Tínhamos uma ligação além do afeto. Nós estávamos ligados pela carne. E nada, realmente nada, se compara à isso.
Meu amor por ele cresceu impossivelmente mais nessa noite. E não existiam mais saudades ou angústias no meu coração. Só havia Emmett e o prazer em saber que ele estava de volta.
O prazer de saber que ele era irrevogavelmente meu. E principalmente, o prazer de sentir ele me tomando como sua.
A noite foi longa para nós. Nosso reencontro foi altamente produtivo. Mas não entediante.
Realmente, nada entediante.
***
-Eu não quero entrar nessa casa enquanto Rosalie e Emmett estiverem fazendo se… -a voz de Seth ecoou na porta de entrada, cheia de repulsa. Já deveria ser em média cinco horas da madrugada quando minha família chegou. Sua fala foi interrompida pela de Jacob.
-Largue de ser fresco! Que saco! –Jake quase gralhou, mas um fundo divertido tomava a voz dele. -Além do mais as coisas estão normais lá em cima agora. Escute e veja se não tenho razão.
Então um súbito silêncio tomou conta da casa, e eu sabia que Seth estava checando se eu e Emmett já nos reencontramos bastante. Emm sorriu para mim, e rolou para cima de meu corpo novamente. Seu corpo mais frio que o meu e os seus lábios na minha nuca me fizeram soltar um suspiro alto.
-Argh! Viu só!? Eles ainda estão fazendo se… -Seth gritava com a voz exalando repulsa. Emmett havia me feito suspirar somente para provocar Seth. Escondi uma gargalhada ao imaginar a cara do lobinho.
-Cale a boca! –Leah gralhou para seu irmão, completamente impaciente. -Ninguém está fazendo nada! Se quiser dormir terá que entrar!
-Eu prefiro dormir na grama gelada do que no quarto ao lado do deles! –Seth prometeu. –Porque nosso quarto de hóspedes é do lado do deles, se esqueceu, Leah? Não sou obrigado a ficar ouvindo gemidos e outras coisas durante toda a noite!
Comecei a rir nos lábios de Emmett da reação de Seth. O eterno falante do bando de Jacob.
-Do que aquela loura pervertida está rindo?  -Seth gralhou. Meus olhos se arregalaram quando ele disse isso, e ouvi toda minha família dando risadinhas.
-Seth! -gritei.  -Eu estou ouvindo!
-Eu sei!  – ele disse indiferente. Bella e Renesmee começaram a gargalhar alto da situação.
Escutei-os entrando pela porta no primeiro andar, e pelo que vi, Seth aceitou entrar assim que viu que realmente nada mais acontecia aqui em cima.
Então, o barulho de um suspiro e um resmungar surpreso quase raivoso chegou até mim. Emmett me olhou como que com medo, e eu balancei a cabeça positivamente. Hora de tomar bronca.
-Rosalie Hale e Emmett Cullen! -Esme esbravejou no andar de baixo. Com certeza ela já achou nossos primeiros sinais de destruição. Imagine se Esme visse nosso quarto.
-Esme, dê um desconto para eles hoje. –Carlisle disse com um tom de voz calmo e claramente divertido. -A saudade falou mais alto. –ele riu, em nossa defesa.
Eu amo meu pai. Só ele para acalmar Esme nessas situações, pois ver ela furiosa não é legal.
-Mas não vão se acostumando. –Carlisle avisou falando baixo, mas ainda sim audível para eu e Emm aqui em cima. –Só hoje não deixei Esme surtar com vocês pelas coisas quebradas.
-Ok pai. –Emm disse num tom sério, mas seu rosto estava completamente divertido.
“Como se ele e Esme nunca tivessem quebrado nada.” – Emm murmurou no meu ouvido baixo demais para qualquer outro ouvir. Ri baixinho para disfarçar o absurdo que Emm ousava falar. Se Esme ouvisse isso…
Levantei-me da cama e liguei o chuveiro no banheiro. A água quente fez minha pele formigar. Eu teria que lavar meus cabelos para voltar no primeiro andar. Estavam altamente embaraçados. Senti um par de mãos frias na minha cintura enquanto desembaraçava as primeiras mechas com os dedos. Ele virou meu rosto para se aproximar do dele e deu-me um beijo de tirar o ar dos pulmões. Dessa vez nós dois ficamos ofegantes.
-Viu só! Eu falei! -a voz de Seth soava quase que chorosa. Imaginei a careta que ele deveria estar fazendo agora. Emmett não vez isso de propósito essa vez, e me perguntava como Seth escutou nossos suspiros. -Ligaram o chuveiro e se enfiaram por lá para continuar a festinha! Pelo menos não ouvimos os barulhos! Mas muito obrigado Esme, não dormirei aqui hoje!
Outras risadinhas soaram no andar de baixo, e eu me senti aliviada sabendo que Seth não ouviu nenhum suspiro, mas sim desconfiou do chuveiro ligado essa hora. Emmett para provocá-lo ainda mais, me fez cócegas perto da barriga, e eu infantilmente gargalhava alto. Alto o bastante para o primeiro andar escutar.
-Acho que vomitar! –Seth disse com ânsia. Meu marido começou a gargalhar e gritou para falar com Seth após a fala enojada dele.
-Ei! É brincadeira! –Emm disse enquanto parava de me provocar risos. -Você pode dormir tranqüilo Seth! Não ouvirá nada desagradável, só estava te provocando. Agora peça para que Jake e Ness, ou Bella e Edward, ou Alice e Jasper, ou Fred e Elizza se controlem também. Já que você não quer ouvir nada de ninguém. Não é só eu e Rosalie que ficamos nessa situaçã eu e Rosalie que ficamos nessa situaços. r.argalhava alto.do essa hora. alhada.ensntava.o, afinal. Peça até para Carlisle e Esme se controlarem também e…
-Emmett! -Carlisle o interrompeu. Eu podia ver sua expressão envergonhada lá embaixo, e com a expressão horrorizada de Esme. Segurei outra gargalhada.
-O quê!? -Emmett se fez de santo. -Mas é verdade! Se Seth for passar um tempo maior aqui, terá que se acostumar com isso! Ninguém irá deixar de dormir com ninguém porque o chato do Seth não quer ouvir! Com coisa que ele nunca fará isso um dia! Pare de implicar então lobinho…. Relaxa!  -Emm disse isso com humor. Mas na realidade, era verdade.Seth ficou em silêncio por um tempo. Pensando.
-Aaawn… Tá bom! -Seth se deu por vencido. -Continuem fazendo o que quiserem. Mas por favor, sejam os mais discretos possíveis! E quando eu tiver uma namorada, se alguém reclamar de algo e eu ainda estiver morando aqui, verão só!
-Ninguém vai reclamar de nada. -Emm prometeu, mas seu rosto mostrava que aprontaria algo. -E é claro que seremos discretos! Todos somos! Ninguém gosta de ser ouvido enquanto faz isso! Por isso, muitas vezes eu e Rose apelamos para a Ilha Esme. Nós fazemos muito barulho. -enquanto Emmett meio que gritava para conversar com Seth no andar de baixo, eu o fitei incrédula.
-Shh! -gralhei para ele. -Ninguém precisa saber disso!
Ele aproximou ainda mais seu corpo do meu e puxou-me para seus braços, abrindo ainda mais a torneira do chuveiro e deixando mais água cair. Fazendo mais barulho.
-Temos que ser discretos… -ele sussurrou para mim com um sorriso malicioso. -Nunca mais quero ficar longe de você. Entendeu? E sabe que eu te amo muito, não é, meu anjinho?
-Seremos discretos. Sempre somos… -eu pisquei para ele. -Eu não posso ficar longe de você Emm. E eu sei que você me ama, assim como você deve saber que eu te amo, não é, meu lindo garoto de covinhas?
Ele simplesmente sorriu, e sua boca me manteve calada até depois do amanhecer.

sábado, 18 de junho de 2011

Diário de uma imortal – Capítulo 22

O fim perfeito para a encarnação do mal
“Diário, havia me esquecido de você em minhas gavetas. Não foi por querer, mas sim pelos acontecimentos. Agora me explique: como poderei seguir sem meu marido? Algum dia eu conseguirei vingar  sua morte? A noite mais solitária que tive foi esta. O tempo se arrasta. Não quero expressar tudo o que sinto em palavras, pois precisaria de mais dois cadernos como este. Isso não será algo de que eu precisarei me lembrar. Afinal, estará sempre remoendo minhas memórias. Um novo membro surgirá na família daqui algumas horas. Só se Elizza resolver seguir sua própria vida, longe de nós. Acho que se vampiros pudessem entrar em depressão, eu estaria em uma profunda. Fora a solitária que eu me encontraria trancafiada, pela histeria. Se notícias boas surgirem, volto a escrever . Não estou desistindo de você diário, somente esperando acontecimentos que realmente mereçam serem escritos aqui. E não minhas mágoas ou angústias.”
Larguei a caneta do lado do meu travesseiro. Eu podia sentir o buraco gritar novamente dentro de mim. Sabia que teria que superar, mais seria um processo doloroso e longo.
Muito longo.
-E então? -a voz de sinos de Alice flutuou no meu quarto.  -Rosalie! Venha!
-Venha até aonde garota? -perguntei confusa. O que Alice queria afinal? Sair para comprar a última coleção da Gucci? Ela não se deu conta do que estou passando?
-Ora, Rose! -ela interrompeu meus pensamentos.  -Ver Elizza acordar! Faltam dois minutos!
-Ah. Ok. Eu vou! -eu não estava tão animada. Tudo bem que ganhar uma irmã seria legal. Mas o fato de me levantar da cama não era. Não mesmo.
-Rose, ande logo! -agora Edward me apressava. Ouvir sua voz me fez lembrar de um fator.
Renesmee.
-Já a tiramos de casa. E todos os lobos também. –Edward respondeu meu pensamento. -O sangue deles faria Elizza enlouquecer. Eles logo voltarão para casa, mais a noite. Elizza irá caçar pela tarde. E terá que se acostumar quanto a seu controle. Ajudaremos a garota.
-Agora levante seu traseiro daí! –Alice novamente me perturbou.
Revirei meus olhos e voei até a porta. Eu e meus irmãos corremos até o quarto de Fred, onde a recém criada estava. Um amontoado de vampiros estava em sua volta.
A respiração dela falhou junto com uma batida frenética do coração. Seu corpo se arqueou para cima, como se um espírito estivesse sendo expulso dela. Um grito agudo, muito fino a ponto de poder quebrar todos os vidros da casa, saiu de sua boca. Senti sua dor.
Então o corpo imóvel estava na cama. Sem vida. Como uma estátua. Sem batimentos cardíacos ou respiração.
-Carlisle! –Fred preocupou-se.  -Ela… Ela… O que aconteceu?! Carlisle! Por que Elizza não fala nada?  -Fred falava tudo muito rápido. Ele estava frenético por mais informações. Desesperado. Seu rosto pálido e os cabelos ondulados e louros pareciam combinar perfeitamente com os dela agora.
Eles pareciam feitos um para o outro.
-Calma. -isso foi tudo que Carlisle disse.
Os olhos dela se abriram. Com um movimento calculado e rápido, Elizza se sentou, com o rosto confuso. Renesmee teria que se acostumar com os novos reflexos da amiga.
-Elizza? -Fred tentou soar o mais calmo possível. Ela o fitou, com os grandes olhos vermelhos. Ela pareceu ainda mais confusa quando notou o estranho tom dos olhos de Fred. Era de um vinho que tomava uma estranha aparência dourada ou amarela. Ele havia caçado animais desde que se alimentou de um pouco do sangue dela.
A garota passou seu olhar em cada um de nossos rostos. A confusão era quase palpável. Fred deu um passo para frente e em resposta, ela se espreitou na parede com um pulo da cama. Agachada e rosnando. Um olhar de pânico atravessou seus olhos.
-Que porcaria é essa? -a voz perfeita dela ecoou pela primeira vez. Elizza olhou ao redor, não acreditando que era dela aquela voz.
-Nós iremos te explicar tudo querida. Agora se acalme. Você se lembra de nós, não é? -Carlisle perguntou, e parecia muito mais calmo que o habitual.
-Sim. -ela disse novamente incrédula com tudo ao seu redor. -Lembro de tudo da minha vida, porém é como um filme em preto e branco. O que é isso?! E… Fred! Seus… Seus olhos estão… Vermelhos!  -Elizza disse assustada, sem nem sequer saber que os dela também estão. E em um tom muito mais chamativo que os de Fred.
-Sim querida, eu sei.  Não sabe o quanto é bom te ver novamente! -Fred sorriu pela primeira vez.
Elizza soltou um gemido de dor e levou suas mãos à garganta.
-O que é isso? Como dói! Está ardendo! Faça… parar! Por favor!  -disse ela sufocada com tamanha a força que pressionava em sua garganta.
-Nós sabemos minha querida. –meu pai tranqüilizou-a – Faremos isso parar. Agora preciso que se sente, e acalma-se. -Carlisle jogou um olhar de canto de olho para Jasper. Meu irmão balançou a cabeça em concordância. Vi Elizza suavizar suas expressões, realmente calma.
Seus olhos se arregalaram.
-C-como isso aconteceu? Por que eu estou aqui? O que vocês são e o que eu virei?  -vi que ela estava mais desesperada do que Fred parecia antes.
-Bem… -Carlisle prendeu a respiração e falou de uma só vez. -Somos vampiros Elizza. E é isso que você virou. Minha família caça apenas animais, mas Fred chegou faz pouco tempo, e não tinha esse costume. Um acontecimento ruim ocorreu quando ele resolveu sair para esfriar a cabeça. E então ele entrou na sua casa. Movidos por impulso, vocês acabaram praticamente dormindo juntos. Mas Fred não conseguiu se controlar. Ele te mordeu e você foi transformada em uma de nós.
Ela estava boquiaberta.
-E Renesmee? O que ela é? E Jacob? Ele é diferente de nós? Por que nunca falam nada para os humanos? E que poder esse Jasper tem? E onde está Emmett? E Nessie? Queria vê-la.
Suas perguntas confundiam minha cabeça. Principalmente quando ela falou o nome de Emmett.
-Iremos responder tudo, Elizza. –Carlisle sorriu. -Só que primeiro quero que saiba: sua garganta arde porque você tem sede. Iremos caçar com você. Poderá ser difícil não se alimentar de humanos. Mas se você quiser viver conosco, terá que se acostumar. Assim como Fred tenta fazer. Fique a sós com ele. Fred te explicará tudo. Responda-me depois, se irá querer viver conosco. E desculpe caso não tenha gostado de nada disso, e pela dor que passou. Fred não tinha a intenção.
Carlisle foi muito calmo e carismático ao falar com ela. Edward apontou a porta para nós, mas Jasper se colocou atrás dela após ser fechada, quando todos nós saímos. Ele estava disposto a continuar deixando seu poder sobre Elizza. Esme também achava assim melhor. Caso alguma coisa se descontrolasse por lá.
Desci as escadas atrás de Alice. Ela colocou sua mão sobre as minhas ao me notar, e sorriu.
-O que você quer? -perguntei desconfiada. Começamos a rir quando ela fez cara de anjo.
-Que horror, Rosalie! –ela fingiu indignação. -Eu nem posso sorrir para você, e já acha que estou interessada?  -seus olhos brilharam. Alice não me engana. Ela queria algo. Cerrei meus olhos para ela e fiz bico.
-Alice… -minha voz saiu novamente desconfiada. -Fale agora ou se cale para sempre.  -ela sorriu de minha intimidação e parecia tomar coragem para falar.
-Er… Vamos no s-shop… -eu nem esperei ela acabar a frase.
-Alice.  -minha voz soava muito séria agora. - Não vê que não tenho vontade de me mexer? Quanto mais perambular com você pelas lojas caras!
-Desculpe.  -ela abaixou o rosto, envergonhada. A ponta de seu pé direito esfregava o chão de um lado para o outro.
-Ah, por favor! Desculpe-me você! -soltei as palavras, arrependida por eu parecer raivosa. Andava muito ranzinza com minha família. Que mesmo passando pela mesma dor que eu, a escondia, tentando me animar.
-Rose! Calma, tudo bem! Eu devia ter mais consciência disso. Venha cá, maninha! -ela puxou meu corpo contra os seus pequenos braços.  -Eu te amo!
Sentir os braços de minha irmã me ajudando, fez-me sentir melhor. Meu lugar realmente era aqui. Tremores começaram a sair de minhas mãos e minha garganta se apertou.
-Eu também te amo, sua baixinha.  -minha voz saiu entrecortada com soluços. Eu andava sentimental demais. Chorona demais.
Um vento frio, de arrastar qualquer humano abaixo do peso pelo ar, entrou pela janela aberta da sala principal enquanto minha família terminava de descer as escadas. Esme e Carlisle foram para a cozinha, enquanto o resto de meus irmãos sentou-se nos sofás e viam TV despreocupadamente. Novamente o vento frio soprou na sala.
Bella caminhou até a janela, e com um empurrão a fechou num estrondo. A trinca de metal se despregou do vidro de blindex e caiu no chão.
Arranhando o porcelanato de Esme.
-Oh-oh. -Bella arregalou os olhos. Ela não era mais a humana fraca e lenta que eu conhecia. Mas não deixava de ser desajeitada com sua imensa força. Soltei uma gargalhada com Alice.
-Que beleza hein? –Ed zombou da cara dela. -Deixe Esme ver isso! -Edward levantou-se do sofá para analisar a situação do porcelanato. Bella o fuzilou com o olhar. Ele sorriu, piscando o olho para ela.
-O que aconteceu desta vez?  -Esme indagou, e marchava na direção da sala com seus passos se tornando audíveis. Bella parou de se desmanchar por Edward, e quando pegava a trinca no chão, Esme apareceu ao lado da lareira na sala. Bella disfarçou colocando o pé esquerdo por cima da trinca e do arranhão, como se nada tivesse acontecido. E como se ela só tivesse se agachado para observar graciosas formigas.
Minha mãe cerrou os olhos e pediu para Bella mover seu pé esquerdo dali, já que ela escondia o estrago embaixo dele, e obviamente Esme havia notado isso. Bella negou com a cabeça e sorriu desconfortavelmente, como se tudo estivesse normal.
-Bella… -Esme ameaçou puxar sua perna esquerda para o lado se sua filha não mostrasse a bagunça. Bella desistiu quando viu que seria impossível enganar Esme. A boca de minha mãe se abriu em um “O” perfeito quando ela viu o riscado no seu porcelanato.
-Desculpe! -Bella disse imitando o jeito fofo de Alice. Com um pigarro, Fred nos avisou que estava vendo a cena com Elizza ao seu lado, ambos descendo as escadas.
Fitei os dois de mãos dadas e sorridentes. Esme se distraiu do arranhão no chão, e Bella foi salva por Fred de uma boa bronca.
-Tudo certo por aí? –Edward hesitou em falar.
-Sim. –Fred estava radiante. –Já expliquei tudo o que Lizza perguntou, e logo falarei mais sobre nosso mundo. Ah! Elizza se resolveu
Teríamos ou não uma nova irmã? Se ela resolvesse ficar, Fred ficaria. Se ela resolve partir, Fred partiria. E abriria mão de sua nova vida por ela. Eu tinha certeza disso.
Alice deu um gritinho histérico e abraçou Esme, que segurava a trinca da janela nas mãos.
-Os Cullen estão aumentando cada vez mais!  -Alice cantarolou empolgada e deu um beijinho em Jasper quando ele foi para o seu lado.
-Vocês irão ficar? –Carlisle estava na sala sem eu nem ter percebido.
-Sim. –eles responderam juntos. –Podemos? Acho que não temos espaço para mais uma. –Fred completou constrangido.
-É claro que temos! –Esme pulou para os braços de Carlisle. –Já que você e Elizza estão juntos, Fred ganhará uma cama de casal. Pronto. Problema dos quartos resolvido! Ninguém terá que dormir na sala só porque o bando de Jake está no quarto de hóspedes! Oh queridos! Amo tanto vocês! Vocês não sabem como estão alegrando essa casa!
Demos um abraço coletivo no mais novo casal dos Cullen. Carlisle explicou para Elizza que Nessie e os lobos logo viriam. Após ela caçar.
-Bem. –Carlisle continuou a conversar conosco. -Depois que o pessoal que está no segundo ano, formarem-se no terceiro, nós todos poderemos mudar de cidade. Falta menos de um ano e meio. Até lá Fred e Elizza podem ser controlados o suficiente para poderem ir à escola também! Então, da próxima vez que nos mudarmos, vocês estudarão com o resto da família.  –Carlisle disse animado.
-Isso é bom! –Elizza sorriu. -Mas como eu farei com minha avó e esse ano letivo? –Elizza parecia estar bem quanto a tudo. Bem que falaram que ela passava por problemas. Já que estava aceitando a nova vida como um copo de água.
Assim como Emmett aceitou.
-Bem querida, não irá mais à escola nesse e no próximo ano letivo. –meu pai respondeu. –E como te falei, quando nos mudarmos, aí sim vocês dois podem voltar a estudar. Podemos falar para sua avó que você foi aceita prematuramente em alguma universidade com nossa ajuda. E que se mudará com Rosalie para lá. Rose está formando este ano, e também irá falar que fará faculdade e mudará de cidade, então…
-Minha avó acreditaria? –ela estava preocupada. A desculpa seria boa. Ano que vem eu não estaria na escola, e ficaria bem longe dos humanos da cidade. Já que era para eu estar na universidade, eles não poderiam topar comigo por aí. Somente quando eu fosse visitar minha família. Falar que Elizza foi comigo era uma boa desculpa.
Acho ridículo tudo isso de falar que mudei de cidade, porque eu estaria em casa o tempo todo. Mas é necessário. E Elizza poderia ir para a faculdade como “superdotada” comigo. Por isso ela sairia da escola. O plano é perfeito. Sua avó acreditaria facilmente. E quanto a convencer nossa escola sobre a aceitação de Elizza em alguma faculdade, nada como forjar provas e exames.
Tudo muito simples.
-Acreditará querida. –Carlisle sorriu. -Deixe-nos resolver isso. Se quiser, podemos pagar uma enfermeira para cuidar dela, já que ficará sem ninguém.
-Eu gostaria, mas… –Lizza hesitou.
-Então é isso. –Esme interrompeu-a. – Você é uma Cullen agora. Os gastos com sua avó não serão problemas.
Elizza assentiu agradecida. Carlisle, Edward, Fred e ela caçarão daqui algumas horas, quando estivesse entardecendo e os animais estivessem procurando suas tocas.
O resto do dia passou rapidamente. Pelo menos para mim, que fiquei vendo filmes ridículos o dia todo. Meus irmãos e pai já partiram para Tacoma para caçar.
Resolvi colocar um CD de rock no meu rádio – eu era bem eclética para músicas, e gostava da clássica, ou erudita, ao rock mais… Barulhento. Cantei baixinho até a excursão de caça chegar pela noite.
Renesmee e os lobos acabaram de chegar também, e escutei as boas vindas no andar de baixo. Elizza foi recomendada á prender a respiração quando estava perto do sangue de Nessie ou dos metamorfos. Acho que ela se acostumaria fácil em ter autocontrole.
Enquanto eu cantava uma de minhas músicas preferidas e altamente gritantes, um flash me veio na cabeça quando prestei atenção na letra da canção.
E se eu quisesse lutar?
Implorar pelo resto da minha vida
O que você faria?
Você disse que queria mais
O que você está esperando?
Não estou correndo de você!
Venha me destruir!
Me enterre, me enterre!
Nesse momento pensei em Michael. Meus olhos ficaram avermelhados nas bordas imediatamente. A letra da música se encaixava perfeitamente na minha situação.
Eu realmente pensava em acabar com Michael. Ele sumiu, mas disse que se vingaria de todos. Ele queria mais. Então por que está esperando? Por que não vem nos destruir!?
Por que!?
Qual é o plano dele agora!? Ou Michael resolveu parar por aí sua vingança!?
Muitas dúvidas para um único assunto.
Desliguei meu rádio e sentei nas grades da varanda, assim como ontem pela noite. Inalei o ar, como sempre andava fazendo quando ficava nesse quarto, e senti o cheiro.
O conhecido cheiro doce e provocante de Emmett.
Que saudades tinha dele.
Mas como seu perfume parecia tão intenso agora? Achei que com o tempo, seu cheiro fosse sumindo dessa casa. Estranho. Talvez seja porque eu mexi nas roupas dele hoje, espalhando o delicioso perfume pelo quarto.
Não.
Tinha alguma coisa muito errada.
O perfume parecia tão… Tão… Real. Tão recente. Uma estranha esperança rugiu de dentro de mim.
Idiota.”, pensei. Isso é impossível. Estou delirando!
-ROSALIE! ROSALIE!!!
A voz histérica de Alice invadiu meus ouvidos num átimo. Seus gritos por meu nome eram quase súplicas desesperadas. O que estava acontecendo?
Saí de meu quarto e desci as escadas correndo. Ninguém estava na sala, nem dentro da casa. Nem mesmo Fred ou Elizza.  E a noite fria já tomava conta do céu.
Não escutei a movimentação de ninguém dos Cullen ou mesmo os lobos. Com certeza pelo rádio em volume alto.
Inalei o ar da casa e os rastros deles me levavam para fora. No quintal aberto. O que todos dessa casa estariam fazendo lá?
Com uma corrida rápida cheguei até o quintal enorme de nossa casa. Minha família inteira parada em um semicírculo, de costas para mim. E de frente para algo que eu não via, porque eles me tapavam. Quem quer que esteja lá, queria atacar? A posição de defesa de meus irmãos demonstrava isso.
Enfiei-me por entre eles, encaixando-me na extremidade esquerda do semicírculo.
Fitei a minha frente tentando identificar o perigo enquanto um vento forte bateu no meu nariz.
Isso respondeu todas as minhas dúvidas.
Meu coração parecia que iria voltar a bater com o choque que levei. Impossível.
O cheiro que eu tanto queria estava aqui. A pessoa que eu tanto queria estava aqui. Impossível.
A forma que estava ajoelhada e contorcida no chão, completamente cheia de repulsa, era reconhecível para mim em qualquer lugar.
Emmett. Meu Emmett.
-QUE DIABOS É ISSO!? –eu gritei o mais alto que pude, tomada pela fúria. Fitei a forma atrás de MEU marido.
Michael Stone.
É hoje, que de alguma maneira, ele me pagaria por ter feito Rosalie Hale de idiota.
O estúpido animal atrás de Emm soltou uma gargalhada irônica. Eu odiava isso. Odiava ironia. As palmas de minhas mãos coçavam para esbofetear o rosto de Michael. Minha garganta pedia por morte. Minha visão ficou totalmente vermelha,  e eu estava praticamente cega com tanto vermelho que enxergava.
Ansiava profundamente pela morte dele. Virei instantaneamente uma caçadora, e Michael era minha presa. Agachei-me sem pensar, enquanto ele fitou os olhos de Emmett e o fez sentir mais repulsa. Já chega.
Rosnei ferozmente, sentindo o cheiro do estúpido Michael em minha língua. Seria um enorme prazer arrancar a cabeça dele. Colocar meus antigos planos contra ele em prática.
-Venha! Não quer me matar? Eu sei que quer!  -ele provocou.
Não precisou pedir duas vezes. Não liguei para as conseqüências que isso traria, e ignorei as restrições que minha família tentou me impor. Ele mataria Emmett de verdade se ninguém fizesse nada.
Com um salto peguei impulso para outro muito maior, e minhas unhas arranharam o pescoço dele. Eu estava na sua frente. Renesmee gritou meu nome enquanto Michael tentou me atingir com um golpe das costelas. Desviei de suas mãos a tempo de lhe socar o estômago. Escutei o ar saindo dos seus pulmões. E então ele avançou para cima de mim e sorriu. Ele me fez ficar ajoelhada de frente para ele, e suas nojentas mãos acariciaram meu cabelo. Michael sorriu de novo.
Era parecido com o sorriso maléfico de Jane.
Droga.
Uma ânsia repulsiva e muito forte inundou todo meu corpo. Meu olfato se bagunçou e as imagens se misturavam em minha visão. Meu corpo queria se desgrudar dele mesmo. Eu era repelida de mim mesma, e sentia repulsa de meu próprio corpo. Por incrível que pareça, a sensação que ele me fez sentir não foi muito pior que a de Jane e seu dom. Meu estômago se enjoava mesmo sem nada estar nele enquanto gemidos sufocados saíam de mim.
-Seu cão! Pare com isso!  -a voz mais linda do universo soou nos meus ouvidos confusos. Emmett parecia se esforçar para falar. Eu mal conseguia abrir a boca.
Michael puxou meus cabelos e se aproximou ainda mais de meu corpo ajoelhado na sua frente. A repulsa diminuiu a ponto de eu conseguir enxergar tudo no lugar. Mas ainda sim queria vomitar. Ele puxou meu rosto para cima, para fitar meus olhos.
-Então Rosalie… Surpresa!  -ele sorriu de novo.  –Eu disse que voltaria. Para me vingar de cada um. E ninguém irá me parar, afinal, quem tem poderes o suficiente para isso!?
Que ódio. Que ódio. Que ódio!
-Devia ficar se perguntando porque escolhi Emmett primeiro. Sabe porque.. Você foi a vampira mais mal educada que conheci. E sabia que cairia no meu jogo de vingança. Sabia que me perseguuiria para vingar Emmett. E quando eu era humano, e não sabia de nada, você quase me matou. Ninguém faz isso comigo e sai impune! Se eu soubesse o que você era na época, teria sido mais justo! Nunca teria me metido com vocês. Porém não sabia. É injusto eu ter irritado seres que não eram da minha espécie, mas que eu não sabia o que eram! E ainda por cima, escondiam tudo de mim e sabiam tudo de mim. Até meus pensamentos! Nota como foi desleal?
-Ninguém nunca lhe falaria nada! –eu gralhei para ele. -Muito menos eu! Não contamos isso para ninguém! E se você resolveu encrencar justo conosco, não é nossa culpa! Sendo nós vampiros ou não!  -minha voz exalava ódio de todos os lugares.
-Não interessa! –ele esbravejou enquanto observava minha família sem poder fazer nada logo atrás de mim. -O simples fato de ter tentado me matar, sendo que eu mal sabia o que você era, é motivo o suficiente para vingança! E depois vem Renesmee! Negando-me para ficar com um cão vira-lata!
-Renesmee não é obrigada a ficar com você! –Bella gritou raivosa. -Rosalie também não era! Ninguém é! E Rose só tentou te matar, porque você a provocou, e mexeu com minha filha! E querer se vingar por não lhe contarmos que somos vampiros, é a coisa mais sem noção que fará! Nunca poderíamos contar para nenhum humano sobre isso! Nenhum! Entende o que significa NENHUM?

-Cale a boca! Sua vadia!  -o olhar de Michael para Bella era possesso. Esse garoto com certeza é um vampiro louco. Os problemas emocionais dele são grandes demais. Michael tem sérios transtornos. E com certeza carrega isso desde humano.

-Eu sei o que faço!  -ele continuou. –E vou matar todos vocês! Os Cullen foram injustos comigo, então serei com eles! E Rosalie, quer saber como enganei todos quanto a morte de Emmett? É simples! Estúpidos! Simplesmente joguei as roupas que tinham o cheiro dele na fogueira, e o fiz rodear por perto dela, aumentando ainda mais seu cheiro! Queimei as roupas que ele carregava na mochila também! Tostei tudo junto com o corpo de um vampiro nômade que matei. Como repeli vocês de usarem seus poderes sobre Emmett também, além de mim, nunca o achariam. E vocês o deram por morto! Estúpidos! Eu queria fazer uma surpresinha, e acabar com ele de verdade agora! Na frente de vocês! No momento ainda não podem usar seus dons sobre Emmett, mas eles não são repelidos totalmente dele. Afinal, vocês podem sentir seu cheiro. Fora isso, não conseguem mais nada do querido irmão de vocês.

-Encoste um dedo no meu marido e se arrependerá de ter nascido!  -eu rosnei. Iria despedaçá-lo com minhas mãos! A ira que se apoderou de mim poderia bombardear todo o planeta, e ainda restaria muito dela.

-Não o deixe chegar perto de Carlisle! –Emm implorou falando baixinho. -Michael fará dele sua próxima vitima!
O meu pai?! Michael ultrapassou todos os limites agora.

-Fred… –Michael disse ao ignorar o que Emmett falou. -Nota que agora, você não tem poder nem sobre sua família? Eu consigo repelir os dons deles também! Consigo repelir você de colocar seus dons em favor de sua família! Por minha culpa, você é repelido de proteger sua família!  -Michael riu ao falar isso.  -Não poderá protegê-los de mim. E então, quem conseguirá me impedir de fazer… Isso?

Quando ele hesitou, saiu de perto de mim, ainda me mantendo ajoelhada, e caminhou até Emmett, pegando o braço de Emm e o quebrando. Escutei o barulho do osso estalando e meu marido gritou de dor e raiva. O que mais esse animal faria agora? Arrancaria o braço de Emmett para fora?
Queria acabar com Michael, mas como?! Quem passaria por ele e seu maldito e grandioso dom?

Elizza fitava tudo desesperada, e acabou deixando um rosnado de frustração sair. Michael parou o olhar nela e ficou furioso.

-Então! –ele gralhou com um ódio palpável. -Vocês contam tudo para ela, a transformam, e dizem que não foram injustos comigo? Essa garota estudava junto de nós também! E agora é uma de vocês! Por que sempre me odiaram e se vingaram de mim sem motivo?

Esse garoto está confundindo tudo. Como assim nos vingamos dele? Ele acha que só porque Elizza foi transformada era uma provocação direta com sua pessoa? Deus! Michael achava que ao invés dela, tínhamos que ter transformado ele? Ele queria fazer parte dos Cullen na verdade?

-Elizza foi um acidente que aconteceu com Fred! –Carlisle explicou. -Tem que entender! Ela só ficou sabendo o que era depois de transformada! Nunca falamos nada à ela.

Não resolveu de nada. Tomado pela fúria, Michael avançou na direção de Carlisle, pulando em seus ombros e o prendendo no chão. Seus lábios cravaram no ombro de meu pai e com a mão Michael esmagou as costelas dele. Não podíamos fazer nada porque a maldita repulsa borbulhava em nossas mentes. Um grito desesperado ecoou no ar. Michael é um recém criado! A força dele não se compara á nossa!
Ele vai matar Carlisle!
Edward e Jasper saltaram na direção de Michael, lutando contra a horrível sensação que nos deixava inertes. Eles foram impedidos com mais uma dose de repulsa que os fez deitar no chão pelas náuseas. Eu fitei Emmett que ainda se contorcia no chão, esperando que a sensação parasse. Não podíamos fazer nada enquanto Michael matava Carlisle! Matava meu pai! Tinha que haver um jeito!
Michael pulou sobre Edward enquanto Carlisle tentava se levantar, e agarrou o pescoço de Fred simultaneamente. O bando de Jacob, ainda na forma humana, fitavam os movimentos de Michael atônitos e em pânico.
-Obrigado pelo dom, otário! –Michael murmurou para Fred. -Você pode morrer, mas eu ainda o terei!  -ele apertou o pescoço de Fred que tentava de todas as maneiras sair. Por sorte conseguiu, e quando tentou colocar seu dom sobre Michael, sem nenhum êxito, o que era de se esperar, se arrependeu.
-Você irá experimentar verdadeiramente seu dom! –Michael grunhiu para meu irmão. -Nunca o jogará contra mim! Ele é meu! –Michael fez Fred gritar de todas as formas possíveis enquanto este se deitava no chão e contorcia-se. Fred parecia estar tentando se separar do próprio corpo, e sons de ânsia saíam dele sem que pudéssemos fazer absolutamente nada.
Nunca ganharíamos isso. Michael partiu para cima de Fred, que estava incapacitado, e o atirou por alguns metros no quintal, parando somente quando Michael golpeou as costas dele num estrondo.
Elizza rosnou, e num acesso repentino de uma raiva completamente desconhecida e possessa, pude ver seus olhos relampejarem uma luz negra macabra. Os olhos vermelhos dela refletiam todo o ódio, e brilhavam sedentos. Ela parecia ter sido dominada por uma entidade maléfica.
O que era isso? O rosto de Lizza parecia selvagem demais. Perigoso demais. Seus lábios se abriram e curvaram-se por cima dos dentes.
-Eu posso te parar. –ela sussurrou com a voz distante. -Eu sinto isso. E acho que você mesmo sente, pelos seus outros dons.
Do que ela estava falando? Que porcaria toda era essa? Ela tinha um dom? Que poder ela acabou de descobrir em si mesmo?
Michael largou a concentração que aplicava em Fred e a fitou boquiaberto.
-C-como v-você…? Que dom é esse? –Michael gaguejou. –Por que eu… Por que eu não consigo… Não consigo
Seus olhos arregalaram-se. Medo. Ele tinha medo. Então Elizza iria parar ele?! Como? Com que dom, meu Deus?
-Por que não consegue clonar meu dom? –Elizza indagou para Michael. -Isso que quer saber? Acho que eu impeço que o dom dos outros ataquem outras pessoas. Assim como quando eu era humana, impedia que coisas ruins se instalassem em mim. Assim como quando eu impedia de ficar mal por coisas de fora da minha vida.
-Você é um escudo?  -Bella perguntou confusa. Todos estavam confusos. Como Elizza podia sentir e conhecer tanto assim seu próprio dom?
-Não! –Michael respondeu por Elizza, falando com Bella.  –E-ela, e-ela… Não possui falha como todos os escudos, assim como o seu, que consigo passar. Ela… Realmente não deixa que os poderes de uma pessoa, tenham efeito em outras. Se parece com o dom de Fred, é como se ela deixasse os poderes dos outros invisíveis. Como se bloqueasse eles. Porém sem ter falhas. Como essa vadia conseguiu isso?!
Elizza sorriu e Michael arregalou ainda mais os olhos. Ele estava recuando lentamente. Como a presa de um leão recua ao vê-lo. Ele a temia. Ele não conseguia passar pelo dom dela. Ele estava à mercê. Ninguém mais de minha família ou do bando de Jake parecia estar sob a repulsa de Michael. Ele estava bloqueado por Elizza. Os dons dele, ou que ele roubou, não eram páreos para o dela. Toda minha família compreendeu isso ao ver a reação dele. Edward parecia contente, como se conseguisse ler a mente de Michael novamente.
Vi somente o vulto de Michael disparando como um raio pela floresta. O vulto pulou a espécie de cerca que dividia nosso quintal com o bosque. Ele estava fugindo.
O demônio não iria fugir.
-Elizza, seu dom já está sob ele, não é? –despejei as palavras rapidamente. Ela concordou com a cabeça. –Não tire seu dom dele. Mantenha assim. –ela novamente concordou.
-Eu vejo o futuro dele! –Alice gritou de felicidade. -Michael não consegue mais nos repelir! Ele está fugindo! -quando ela disse isso, fitei os lobos que se transformavam e minha família se preparando para correr.
-Ele é meu.  –ordenei ferozmente enquanto minhas pernas se moviam o mais rápido que pude. Eu podia sentir o cheiro dele no ar. Minha boca se encheu de veneno.
Já havia pulado a espécie de cerca e estava disparada floresta afora atrás dele, eu escutava seus passos rápidos e em pânico enquanto ele também corria. Eu acelerei mais.
Acho que nem a velocidade da luz é mais rápida. Nem Edward estava sendo mais rápido. O ódio me movia.
Carlisle e Emmett foram os únicos que permaneceram no quintal pelo que ouvi. Eles estavam machucados. Eu podia escutar minha família correndo atrás de mim, um pouco distante de onde eu estava. As pesadas patas dos lobos faziam baques surdos ecoarem na floresta sombria. Eu daria um jeito em Michael por tudo isso.
Vi o vulto do idiota na minha visão periférica, ele estava indo passar por entre duas árvores enormes que estavam caídas uma sobre a outra, formando um “x”. Então subi em uma árvore próxima e saltei dela com impulso, aterrissando meus pés bem em cima das árvores caídas em X. Saltei dessas árvores e pousei agachada na relva. Quando virei meu corpo de frente para a abertura que as duas árvores faziam, Michael freou quando me viu. Fui mais rápida que ele, e consegui encurralá-lo antes que passasse por esse estranho túnel natural. Seus olhos saltaram para fora em pânico.
Estávamos mais uma vez frente á frente. Agora sim, um jogo justo. Ele não queria isso? Justiça?
-R-Rose… E-eu não farei nada 1a vocês! –Michael blefou. -Juro! Deixe-me ir! Encontrarei Bethanny e viverei com ela.  –a mentira ecoava nos seus olhos. Seria só ele achar algum poder que superasse o de Elizza para Michael copiá-lo e nos atacar novamente.
Eu não deixaria isso acontecer. Ficamos rodando em círculos, em uma estranha dança de postura defensiva.
Com um rosnado ensurdecedor me joguei em seu corpo. Minhas mãos foram direto nas suas, fazendo seus dedos virarem . Ele gritou furioso e me chutou para longe. Sua força iria competir com a minha. Sua força de recém-criado.
Caí de pé após seu chute, e voltamos a andar em círculos. Ele deixou a retaguarda livre.
Com um salto atingi meus pés em seu peito e usei meu cotovelo para quebrar suas costelas. Michael virou o rosto e me mordeu no braço. Arranquei tufos de seu cabelo quando puxei sua cabeça para mim, tirando sua boca de minha pele e sentindo o veneno pinicar. Seu pescoço estava nos meus lábios, e enfiei meus dentes com tanta força, que escutei o estalo do osso. Ainda sim, não foi o bastante para arrancá-la. Sua mão passou por uma das minhas e meus dedos se torceram, quase se quebrando. Se ele tivesse em uma posição mais favorável, teria arrancado minha mão. Uma dor aguda me incomodou quando a torção em meus tendões se solidificou.
Falei uma série de palavras profanas enquanto me recompunha. Ele se atirou em mim e me deitou no chão, pisando em minhas costas. O som era audível das costelas partindo-se no meio. Eu conseguiria levantar?
Quem venceria essa briga?
Resolvi que colocaria um fim nisso. Eu venceria. Não deixaria Emm viver sem mim. E nem que minha família me ajudasse com Michael. Eu acabaria com a vida dele. Sozinha.
Um acesso de ódio profundo me fez puxar sua perna para fora do corpo enquanto ele ainda me chutava. Obviamente Michael se desequilibrou, caindo ao meu lado enquanto eu me levantava com as costelas doloridas.
Um grito grave e desesperado ressoou dele. Michael tentava se arrastar para longe de mim, onde poderia ter mais chances de se levantar. Sem uma perna, ele nunca fugiria. Bastardo.
Seus dentes se arreganharam para mim e ele rosnou furioso enquanto ainda arrastava seu corpo. A retaguarda novamente desprotegida. Jasper nos ensinou a atacar os recém criados pelos lados, e assim eu faria.
Joguei-me contra ele e apoiando meus pés na sua lateral, exatamente nas costelas, puxei os dois braços dele para fora, enquanto eu girava meu corpo para ficar atrás de sua cabeça. Obriguei-o a meio que se sentar, e abaixei minha boca no seu ouvido.
-Nunca mais, nunca mais, tentará acabar com minha vida! –eu sussurrei incrivelmente satisfeita e furiosa com as palavras. Senti um prazer imenso em fazer aquilo. -Se não sabe, sou Rosalie Hale. Devia ter se informado mais de meu gênio antes de se meter com minha família. Seu tolo. Se soubesse o quanto você me lembra um rapaz. E se soubesse o prazer que sinto em poder matar esse mesmo rapaz de novo. Acho que ele deve ter renascido com você. Não importa. Vão ter o mesmo fim. Saiba: você optou por esse caminho a partir do momento que tirou Emmett de mim.
Eu rosnei enquanto ele tentava impedir sua morte tirando sua cabeça de perto de minha boca. Sorri quando esmaguei sua outra perna com meus pés, em uma única e dolorosa pisada.
Mas uma onda de alívio me sucumbiu em uma alegria tão profunda, que eu achei não ser possível de existir, quando meus dentes separaram sua cabeça do tronco em um guincho metálico.
Estava acabado.
Peguei um pedaço de madeira, na verdade alguns gravetos caídos pela grama, e com força e precisão, o esfreguei contra outro pedaço. As faíscas pequeninas logo que caíram sobre a perna quebrada de Michael, deram lugar ao fogo. Realmente. Somos altamente inflamáveis. Montei uma fogueira com galhos que haviam caído e joguei o resto do corpo do otário lá, fazendo o fogo aumentar cada vez mais e a fumaça arroxeada subir pelo céu.
Gargalhei de prazer enquanto via tudo virar pó. Ninguém o mandou se meter com os Cullen. E principalmente, se meter com meu Emmett.
Meu dever estava cumprido. E o que eu devia ter feito há muito tempo atrás, foi feito agora.
De uma vez por todas.
O único pensamento que me ocorreu quando escutei os passos de minha família finalmente se aproximando, foi este:
Emmett está aqui.
Vivo.
E então foi como se minha alma tivesse recebido uma estranha iluminação em todo seu ser. Eu o teria novamente. Eu iria sair das trevas.