Manchete suspeita
-Jacob! -Nessie murmurou desesperada ao ver a situação dele. Então ela desabou desmaiada ao meu lado, onde Ed e Bella tinham deixado ela para ajudar Jake. Minhas mãos foram rápidas o suficiente para pegar minha sobrinha antes que sua cabeça atingisse o chão.
Carlisle fitava Edward e os lobos de Jacob, que estavam inquietos.
-Faça alguma coisa, Carlisle! -Bella ralhou aflita. Como ele poderia impedir o veneno no corpo de Jacob?
-O veneno irá demorar cerca de cinco minutos para chegar ao coração. –meu pai gritou. -Precisamos de Jacob na forma humana, só assim conseguiremos sugar o veneno. – Carlisle olhou para os lobos novamente, aflito. Eles tinham que fazer Jacob se transformar em menos de cinco minutos.
Leah cutucava com seu focinho o ombro de Jacob. Ela gemia desesperada.
-Ele está nos escutando e vendo agora. O efeito do poder de Alec já passou. Ele está pedindo ajuda. Arde muito. –Edward disse após vasculhar a mente de Jacob.
-Jacob querido! Vamos, volte na forma humana! Por favor! Força, Jake! -Bella embalava o lobo gigante em seus braços. Jacob gania de dor.
Nessie ainda estava desacordada no meu colo. Que bagunça, meu Deus!
-Ele não está conseguindo! -Edward sussurrou assustado.
-Quatro minutos. –Alice lembrou. Eu lancei um olhar cortante à ela. A situação já estava tensa o suficiente sem contar o tempo. Alice não estava ajudando ao cronometrar tudo.
-Jacob, por Renesmee! Por favor, você pode! -Bella segurava a grande cabeça de Jacob em suas mãos. Ele fechou os olhos e suspirou, soltando um ganido desesperado. O seu corpo de lobo se agitava em tremores pela dor.
Uma onda de espasmos atingiu novamente o corpo do lobo, então Bella afastou-se e o Jacob humano estava de volta. As veias de seu braço estavam visíveis em um estranho tom, como conseqüência do veneno. As de seu ombro começaram a aparecer, sinal de que logo chegaria ao coração.
-Carlisle! -Edward pediu. Jacob se debatia contra o chão. Seria o que ele está passando, pior que do que eu e Bella passamos com Jane?
-Muito pior, Rosalie. Não se trata de uma ilusão, mas de veneno de vampiro em um metamorfo. –Edward leu meus pensamentos e me respondeu. Não queria ser Jacob agora. Lágrimas saíam de seus olhos, ele estava com muita dor. Seth uivou quando viu a situação de seu amigo.
Carlisle voou na direção do braço de Jacob, e estava com a boca em seu pulso, onde a mordida de Daniel foi feita. Carlisle drenava o veneno, e conforme fazia isso, as veias de Jacob voltavam para a coloração normal.
-Não dá, Edward! –Carlisle murmurou. -O sangue está muito concentrado, não é um líquido ralo, mas espesso.
-Carlisle, por favor! Você pode! -Bella estava ao lado dele.
Meu pai tentou novamente, o veneno voltou a recuar, mais avançava quando Jacob se debatia no chão. Eu deixei Nessie na relva e corri para segurar Jacob no solo, Jasper me ajudou a fazer Jacob não se mexer, também segurando ele.
Evitei lembrar que Jacob estava nu.
-Isso, está melhorando! Continue Carlisle, está recuando. Já está sumindo do antebraço, percebo nas veias e pelo cheiro de sangue, e não do veneno. –Jasper estava concentrado nas veias de Jacob, passando as informações do que podia ver.
Os batimentos cardíacos de Jake começaram a voltar no ritmo normal, e não lento. Carlisle levantou-se e limpou a boca. Ele sorriu. E Jacob não se debatia mais, ele havia fechado os olhos e acho que ficou brevemente inconsciente. O cheiro de Jacob inundou meu nariz, o fazendo arder. Realmente o cheiro de veneno não existia mais.
-O sangue está limpo. –Bella arfou aliviada.
-Carreguem ele para casa Emmett e Jasper, os outros ajudem Jacob a se acomodar, Fred e eu cuidaremos de Nessie. –Carlisle pediu orgulhoso por ter salvado Jake. Ele agora parecia preocupado com o desmaio da neta.
-Tudo bem Carlisle, vá ver se Jacob irá acordar ou se algum dano foi causado junto dos meus outros irmãos. Eu e Bella acordaremos Nessie e logo estaremos em casa. Estaremos atrás de vocês. Vá, ele precisa de você mais que Nessie. –eu disse, fitando minha sobrinha no colo da mãe.
-Ok, Rosalie. –Carlisle concordou em ir ajudar Jake e suas possíveis seqüelas. –Emmett, leve Jacob no meu carro. Garotas, não demorem para levar Renesmee para casa. Quero que estejam atrás de nós.
Minha família sumiu para os seus carros, e Bella estava dando tapinhas nas bochechas de Nessie. Peguei minha sobrinha dos braços de Bella e arrastei minha irmã para a Ferrari.
-Temos que acordá-la, Rose! -Bella quase gritou, ela estava muito preocupada.
-Eu sei querida. Mas vamos levá-la para o carro, e a acordamos no caminho para casa. Os outros já foram, e não é bom ficarmos sozinhas aqui.
-Tudo bem. –ela murmurou nada convencida. Saímos finalmente da mata que cercava o estacionamento e chegamos até meu carro. Abri a porta de trás e deitei Ness no banco. Bella sentou-se junto com ela e eu liguei o carro, acelerando ao sair e notar alguns estudantes do curso da noite chegar.
Tudo estava em silêncio na Ferrari. Bella tentava fazer Ness acordar desesperadamente. Um gemido abafado me disse que ela voltou a ficar lúcida.
-Jacob! Como ele está? -Nessie já transbordava lágrimas dos olhos sem nem ao menos ter acabado de acordar.-Ele está bem, Nessie. –Bella a acalmou. -Vai ficar melhor conforme os dias. Com certeza esse susto o deixou cansado.
-Oh mãe…porque aquele Volturi me pegou!? Não era para Jake ter se ferido.
-Não sabemos querida. –Bella disse com um tom que lembrava Esme. -Se o poder de Daniel estivesse desativado no exato momento em que toda a bagunça começou a acontecer e Fred ativou seu dom, seu pai vai poder nos falar porque pegaram você. Talvez Edward conseguiu ler a mente de Daniel. Jacob ficará melhor filha, confie em mim.
Nessie abraçou Bella apertado enquanto meu carro entrava na garagem.
-Filha! -Edward aliviou-se quando a viu acordada, ele a rodopiou em um abraço de urso.
-Por que pai? Por que tentaram me pegar? -ela disse com a voz abafada no cabelo de Edward.
-Daniel obedeceu as ordens dadas anteriormente por Jane. –Ed quase rosnou. -Eles haviam combinado que, se tivéssemos burlado alguma regra, como no caso, eles citaram os lobisomens, pegariam você e logo estariam aqui novamente para uma briga maior, exterminando os Cullen e lobos. Porém, se não tivéssemos desobedecido nenhuma regra, o que aconteceu conforme eles acreditaram na mentira de Carlisle, eles teriam que dar um jeito de levá-la a força, e Aro veria em seus pensamentos se há algo que escondemos dele, se realmente não fizemos nada de errado. Eles descobririam que tivemos sim contato com os Filhos da Lua, por mais que não estivéssemos agindo em parceria com eles. Então Aro teria a desculpa perfeita para nos atacar.
Eu gelei. Se Renesmee fosse levada para a Itália, e Bella não estivesse ao seu lado, para proteger sua mente com o escudo, tudo seria revelado. Dos verdadeiros lobisomens ao garoto Rudá. Edward olhou para mim concordando com os pensamentos. Ele havia se lembrado de Rudá só agora.
-Mas Fred também poderia ajudar, caso Bella não estivesse lá, Rosalie. –Edward mais uma vez respondeu minha mente. Eu sei irmão, porém ninguém estaria lá com Ness se eles a tivessem levado. Ela estaria sozinha e à mercê.
-Eu sei, Rose. –Ed suspirou. –Mas se Fred por acaso estivesse lá, ele poderia ajudar. Já que Bella ficaria inutilizada pelo dom de Daniel.
-Como, fazendo Aro querer vomitar? –eu tentei descontrair.
-Não… –Ed fez uma careta, pensando na provável possibilidade. -Repelindo certas memórias para Aro não vê-las. Ele pode fazer isso com todos nós. É algo útil, se algum dia Aro nos obrigar a cedermos ao seu poder. Fred pode impedi-lo de ver certas lembranças.
-Uau. –arfei. Realmente Fred veio em uma boa hora.
-Quero ver Jacob, onde ele está? -Ness soou desesperada após já saber o motivo de toda a confusão. Eu ouvia os batimentos cardíacos de Jacob no segundo andar, no seu próprio quarto.
-Venha querida. –puxei Renesmee pelas mãos para mostrar-lhe onde Jake se encontrava.
-Mãe, obrigada por enfrentar aquele cara idiota. –minha sobrinha gritou, sem nenhuma necessidade, para Bella. Sua mãe faria qualquer coisa por ela.
Abri a porta do quarto que estava fechada e vi Jake deitado em sua cama. Seus olhos estavam abertos, e ele me parecia bem melhor do que minutos atrás. Renesmee correu e o abraçou, Jacob a beijou delicadamente e a puxou para cama. Vi que ele tentava se sentar.
-Er, Jacob… não acha que devia repor suas energias primeiro? Você estava muito mal, e eu sei que Carlisle mandou você DES-CAN-SAR. –eu falei cada sílaba para ver se ele entendia.
-Como você sabe, Rosalie? Carlisle disse exatamente isso. Conversou com ele? –Jake fez uma expressão confusa.
-Esse é meu pai. –sorri. -Faz anos que o vejo fazer isso, questão de observação. Decorei os diagnósticos dele.
-Poderia se passar por médica. –Jacob fez uma careta.
-É. Mas acho que ninguém iria querer fazer consultas comigo. Principalmente cães. –pisquei o olho direito para ele e sorri. Ele me retribuiu o sorriso e fez um gesto obsceno. Gargalhei quando soube que o cão estava melhor do que nunca. Eu devolvi o mesmo gesto e mostrei a língua para ele. Jacob estava levantando a mão para fazer algo pior que o primeiro sinal, mas Edward apareceu na porta.
-Ei, vocês. Parem com isso. –meu irmão fez uma careta. Ele deu uma rápida olhada no quarto e deu as costas para sair pela porta. Juntos, Jacob e eu repetimos nosso gesto pecaminoso. Porém apontando para as costas de Edward.
-O que vocês fizeram? -Ed virou-se de frente para nós novamente, cerrando os olhos e observando Jake e eu esconder nossas mãos. Edward tinha um rosto de poucos amigos. Ele sabia o que eu e Jake havíamos mostrado em gestos para ele!? Mas eu não havia pensado nisso, e esperava que o cão também não!
Renesmee caiu na gargalhada.
-Obrigado por nos dedar, Ness. –eu falei com uma falsa indignação. Então foi Renesmee que tinha mostrado os pensamentos para Edward, de eu e Jake apontando nossas mãos para ele.
-Ele descobriria do mesmo jeito. –ela disse inocentemente.
-Jacob, eu sou seu sogro. E normalmente genros não fazem isso para um sogro! -Edward continuava com a mesma expressão séria, soando incrédulo ao imaginar nosso gesto novamente. Escondi uma risadinha.
-Desculpe. –Jake abaixou a cabeça. –Esqueci que são as sogras quem mais são odiadas pelos genros. Posso fazer esse gesto à Bells então? –Jake deu de ombros e sorriu. Deixei parte de uma gargalhada sair de minha boca.
Irritar Edward era bom.
-Ah é, Rose!? -meu irmão abriu um sorriso torto ao ler minha mente. Ele ficava bonito com o rosto naquele sorriso. Seu rosto sério agora tinha um tom de brincadeira. Ed me puxou para o chão. Eu sabia o que ele faria.
-Não Edwar…! –comecei a berrar enquanto eu e ele nos emaranhávamos no chão.
Sua mão bagunçou todo o meu cabelo. Deixando-me como uma leoa psicopata e sanguinária. Pelo menos era isso o que eu transmitia em meu rosto. Odiava que fizessem isso que ele fez.
Virei meu corpo para dar tapas nas costas de Edward. Os estalos de pedra contra pedra ecoando no quarto.
-Suas bofetadas não doem, Rosalie! –ele zombou de mim. Sabia que ele provocaria. Juntei minhas mãos e bati com força em suas costas. O alto barulho com certeza poderia ser ouvido no bosque ao lado de nossa casa. Achei que havia quebrado algum osso de Edward.
-Pai!? Você está bem? -Nessie arregalou os olhos. Edward fez uma bola no chão para livrar-se da dor, esfregando suas costas no tapete.
-Rosalie, você não sabe brincar… –ele reclamou. Eu ria sadicamente em meu interior. Meu irmão puxou meus braços de repente e tentou me torturar com cócegas.
Eu ria descontroladamente.
-Vampiros sentem cócegas? -Jacob estava surpreso em sua cama, observando junto de Nessie a brincadeira de eu e Ed.
-Sim. –meu irmão gargalhou em um prazer malvado enquanto eu me remexia pelas cócegas. -Mas se quiser fazê-lo ter, tem que ser forte o suficiente para sua pele de pedra sentir.
Edward fez meu corpo se deitar no chão e ele ficou ajoelhado por cima de mim, na posição preferida para quem faz cócegas. Eu me retorcia ainda mais no chão, dando gargalhadas, enquanto suas mãos se mexiam rapidamente em minha barriga.
-Que porcaria. Se soubesse já teria te torturado a muito tempo. –Jacob lançou outro sorriso para Edward, como que se desculpasse por ter falado demais.
-Eu não vou te matar por isso, Jacob. Não antes de matar Rosalie. –Edward acelerou ainda mais suas mãos, se eu pudesse daria um soco em sua cabeça para pará-lo. Mas minhas mãos estavam presas em meus lados por ele.
Como eu odiava aquilo! Estava sem ar enquanto aquela estranha sensação de formigamento e uma alegria idiota saíam de mim, conforme mais cócegas eram feitas. Queria gritar para Ed parar, mas não tinha fôlego. E ele ignoraria meus pensamentos. Gargalhei mais alto quando ele passou as cócegas para perto de minhas costelas. Se pudesse faria xixi nas calças.
Gargalhadas agudas e completamente histéricas saíam de mim. Esme me internaria em reabilitação se Edward não parasse. Julgaria-me uma vampira enlouquecida.
Seth, Embry e Leah entraram no quarto de Jake, retorcendo suas caras em caretas ao nos observar. Com certeza acharam minha situação bizarra. Eles começaram a conversar com Jacob, ignorando nossa brincadeira maluca, como se eu não estivesse sendo torturada.
Edward foi bonzinho e resolveu parar. Levantei-me do chão junto com ele e puxava o ar sem fôlego. Ainda me vingaria disso. Saímos do quarto e descemos as escadas juntos, deixando os lobos e Nessie conversarem em paz.
-Depois me vingo de Jacob. Isso é para você nunca mais mostrar seu dedo para mim. –Ed abriu a boca pela primeira vez desde que parou de fazer cócegas. Eu apontei meu dedo indicador para ele.
-Viu!? Eu estou mostrando meu dedo e nada acontece. O que vai fazer agora? –zombei.
-Não estou falando de qualquer dedo. Mas sim o que se localiza na região central. –ele respondeu rindo. Pensei em mostrá-lo novamente meu dedo do meio, mas não queria ser torturada de novo. Por hoje basta. Ele sorriu, consciente de que eu aprendi a lição.
Na cozinha nos sentamos junto de nossa família. Dei as mãos para Emmett, que me fitava curioso por ter escutado toda a bagunça.
-Carlisle, você não foi trabalhar hoje, no plantão? Já está bem de noite. -estranhei sua presença em casa, normalmente ele chegava mais tarde.
-Não. Estava tudo mais tranqüilo hoje. –ele sorriu satisfeito. -Mas então, Edward… acha que Aro pode descobrir que mentimos para ele, quanto a Allen Park?
-Não pai. Ele teria que se encontrar conosco, usar seu poder para saber se nós mentimos. Seu dom de ler todos os pensamentos das pessoas teria que passar pelo escudo de Bella, e para isso ele precisa de Daniel. E se conseguisse anular o escudo, Fred poderia repelir certas memórias nossas. Não deixando que Aro descubra o que escondemos.
-Entendo. –Carlisle disse pensativo. -Mas e se Evans atacar os Volturi, e comentar de nós para eles? Aro ficará sabendo que mentimos do mesmo jeito. Ficará sabendo que nos encontramos sim com os Filhos da Lua.
-O que eles poderão fazer? –Ed indagou. -Tudo bem que mentimos, mas não estamos ajudando Evans, não criamos ligações, como Jane diz, com lobisomens. Se descobrirem isso diretamente de nós, sem ser por Evans, eles também não poderão fazer nada. Não se não tivermos ligações ou parceria com Evans. Eles não podem fazer disso um motivo para nos atacar.
-Sim, entendo. –meu pai cedeu. -Então Jane veio aqui somente para criar confusão, checar se cometemos algum deslize, já que Demetri nos rastreou em outros lugares?
-É com certeza coisa de Aro. –Ed rosnou. –Ele mantém os olhos em nós. Se tivéssemos feito parceria com Evans, a guarda podia nos matar. Mas o que me preocupa são eles quererem nos pegar separadamente. Como fizeram com Rosalie e tentaram com Ness. Eles têm a ajuda de Daniel. O dom dele é bom, e conseguiu “retardar” a maioria dos dons daqui. Menos o de Fred. Isso é perigoso.
-Eu acho que poderia… -Fred começou sua idéia. –Tentar deixar meu dom ativado contra Daniel. Ele é quem mais pode nos pôr em risco. Assim não conseguiria nos atrapalhar usando seu dom. Alice poderia prever tudo quanto aos Volturi normalmente, assim como Edward ler a mente deles normalmente também. Daniel teria poderes sobre outros vampiros, mas nós não. Irei fazer como fiz com Zafrina.
-O que fez com ela? -Jasper perguntou.
-Quando ela ligou para cá, falando de mim á vocês, deixei a parte de meu dom de “repelir”, e não de repulsa, ativado para vocês. Por isso Alice não via o futuro do Clã das Amazonas. Irei fazer o mesmo com Daniel, já que meu dom parece ser o único que ultrapassa o dele. Ele não poderá retardar os nossos dons mais.
-Cara! –Emmett festejou. -Seu poder é o máximo! Só de poder ter visto Jane enojada, como uma rata patricinha e de olhos vermelhos que mora no esgoto, está ótimo! Faça isso o que falou. Daniel não irá mais nos atrapalhar!
-Farei. –Fred piscou o olho para Carlisle. Meu pai se sentiu mais relaxado com a afirmação. Pelo menos poderíamos ver a próxima vinda dos Volturi. O pessoal que estava no andar de cima, exceto Jacob, sentou-se á mesa.
-Estamos precisando de uma mesa de jantar maior. –Alice riu, observando todo mundo se espremendo. -A família anda crescendo ultimamente.
Esme estava mais tranqüila agora que tudo estava bem, e pareceu radiante com a fala de Alice.
-Os Volturi não voltarão tão cedo. –afirmou Edward. -Não enquanto Aro não achar alguém melhor que Daniel. Enquanto não achar alguém melhor que Fred. Isso vai demorar bastante. Está tudo bem agora.
Suspirei aliviada e Emm apertou minhas mãos, confiante. Eu não queria continuar na cozinha e ver Seth comer e falar de boca cheia. Devíamos adestrar o integrante mais porco do nosso Canil Cullen. Emmett me puxou para o quarto, com certeza também querendo não ver o desespero por comida do lobo.
Ele só quebrou o beijo quando nossas roupas tiveram que passar cabeça a cima. Se bem que minha blusa foi rasgada.
Suas mãos me arrastaram para o banheiro e ele ligou o chuveiro, mas entramos na banheira de hidromassagem que Emm havia comprado no começo do ano. A água com espuma já preparada espirrou para todo o lado quando nossos corpos caíram e se debatiam nela.
Pelo menos o barulho do chuveiro nos deixava praticamente inaudíveis. Exceto por Edward e Alice. Mas eu lidava bem com isso. Já fazia tanto tempo que eles sabiam tudo o que eu e Emm fazíamos pela madrugada. E eles não passavam longe de nós dois também. Jasper e Bella que o digam.
O simples fato de saber que Emmett era meu me deixava relaxada o suficiente para não dar importância ápara outras coisas. E minha posse sobre ele ninguém podia contestar.
***
Alice arrebentou a porta de meu quarto pela manhã, quando não atendemos ao seu primeiro chamado. Ela foi até o banheiro, onde estávamos desde a noite, quase marchando, e levou suas mãos aos olhos.
-Vistam uma roupa! Pelo amor de Deus! –ela gemeu em frustração.
-Ninguém mandou você entrar aqui, baixinha. –Emmett disse com a maior educação, zombando da cara dela.
-E se sabia onde estávamos… – falei. -E o que estávamos fazendo, não deveria ter entrado se não quisesse ver.
-A não ser que quisesse participar também. –Emmett riu e lançou uma piscadela para Alice.
-EMMETT CULLEN! -eu e Alice ralhamos juntas. Emm não tinha a mente muito limpa. Como assim? Alice participar!? Santo Deus!
-Eu estou brincando, gente! Que nervosismo desenfreado esse hein!? –ele se queixou.
-Só bati aqui por que vocês passaram toda a noite e madrugada inteira trancafiados nesse quarto. –minha pequena irmã resmungou. -Achei que haviam se desintegrado nessa banheira!E é óbvio que não tentei ter visões de vocês! Que nojo! Mas acabou sobrando para eu vir até aqui checar se todos estavam vivos! E se não sabem, é hora de ir para a escola.
Emmett soltou um longo gemido de tristeza e o desânimo me inundou.
Eu esqueci de acionar o despertador ontem. Perdemos a noção do tempo. Alice saiu do quarto calçando um sapato de salto fino em um dos pés, e pulando graciosamente para encaixar o outro. Como ela se arrumava tanto só para ir à escola!?
Chegamos à escola novamente, ou ao purgatório. Tanto faz. E Jacob não havia ido hoje. Ele teria a companhia de Esme, Fred e seu bando em casa. Carlisle recomendou repouso.
Outra pessoa que também não havia ido era Michael Stone. O maldito quase irmão gêmeo de Royce. Eu deveria estar aliviada com isso. Pela falta dele. Porém não sei porque eu me incomodava com sua ausência, acho que… Para falar a verdade, não tem explicação mesmo.
Um professor substituto de Biologia tentou dar o ar da graça para mim hoje, na segunda aula. Ele tinha em média vinte e cinco anos, realmente muito jovem. E me cantava com toda a sua atenção voltada a mim. Emm tentou assustá-lo com cara feia e músculos sobressaltados, mas ele era teimoso e corajoso. As outras alunas se sentiam incomodadas, já que ele nem sequer piscava para elas, e elas se derretiam por ele.
O sinal da aula dele tocou, e torci para que ele quebrasse uma perna caindo da escada. Que falta de vergonha era essa, afinal!?
-Que maldade, Rosalie. –Edward saiu da sala do segundo ano de mãos dadas com Bella. Eles estavam na aula de trigonometria, e é óbvio que Ed não iria prestar atenção nessa matéria, e sim espiar os pensamentos e os ocorridos alheios. O resto de minha família saiu de suas aulas e fomos para o refeitório juntos.
Eu realmente não tinha nada para fazer enquanto somente remexia a comida na bandeja. Nunca provaria comida humana novamente. Nunca. Minha experiência não havia sido legal.
Peguei um jornal no chão, que estava largado perto da cadeira de Emm, e comecei a lê-lo. Meu marido conversava com Jasper, e não havia alternativas para me entreter a não ser o pedaço de folha. Por sorte, as notícias tinham a data de hoje. Minha atenção foi atraída para um artigo.
GAROTA FOI ENCONTRADA BRUTALMENTE MORTA NA MATA.
Ao que dizem as autoridades, o corpo de Vanessa Kennerlly foi encontrado na mata próximo a saída da cidade. Ele tinha indícios de fortes hematomas, costelas quebradas e começo de poli traumatismo. O mais intrigante de tudo, é o fato do corpo estar pendurado em uma árvore, como se a menina tivesse se suicidado. Porém como Vanessa faria tantas lesões em seu próprio corpo? Os peritos também apontam que o corpo dela tinha ausente uma grande quantidade de sangue. A polícia afirma que foi um assassinato.
Que tipo de assassino torturaria tanto a vítima? Como ela perdeu tanto sangue? O mistério anda atordoando o delegado, que confessa esse caso ser parecido com os estranhos assassinatos há anos. Ele fala: “A garota tem ficha criminal limpa. E pelos familiares não usa droga ou bebidas. É uma boa moça e saiu na madrugada de ontem para uma festa surpresa, que faria com sua família ao pai que chegou de viagem. Seu assassinato não é algo que poderia ter sido cometido por só uma pessoa”.
Seria novamente o misterioso Serial Killer ou as gangues de sete anos atrás atacando? A população de Seattle teme que isso volte a acontecer. Mais investigações irá tentar explicar o misterioso caso.
Isso era obra de um vampiro.
Estava na cara. Que ladrão ou estuprador que fosse faria tantas lesões? Seria tão sádico? Edward pegou o jornal de minhas mãos e concordou com a cabeça. Não havia nenhum nômade por aqui, Alice teria visto. Como já viu várias vezes. E os outros vampiros que por aqui passavam, não deixavam rastros como este deixou. Eles eram mais informados e cuidadosos. Seria algum vampiro que já estava em Seattle ou foi transformado aqui? A indecisão da parte dele teria atrapalhado as visões de Alice? Seria outro recém criado DESCUIDADO? Pelo menos podia afirmar com certeza que não era um exército. Eles fariam mais estragos. Ninguém mais sabe como funcionam as visões de Alice. Só nossos amigos. E eles não matariam em nosso território. Se bem que… Tinha os Volturi e a cobiça de Aro. Mas eles não mandariam alguém fazer isso! Não agora, enquanto brigamos pela noite! Eles estavam aqui ontem! E se o assassinato tivesse sido cometido por eles, a guarda teria mais cuidado ao caçar. E caçaria mais pessoas.
Quem seria?
Era alguém com poderes o suficiente para tapar as visões de Alice. Ou indeciso o suficiente. E que teve a capacidade de passar despercebido por nós. Como se soubesse um pouco da rotina de Seattle. Como se vivesse aqui, ou tivesse obtido informações o suficiente.
-Fred… –eu tagarelei, lembrando dele em casa com nossa mãe, Jake e o resto dos lobos. -Ele ficou em casa pela tarde de ontem ou madrugada dessa noite? Ou saiu?
Eu não queria desconfiar dele. Não queria desconfiar de meu novo irmão. Mas… Quem seria? Como passou por Alice?
-Até onde sabemos ficou, Rose. –Edward me fitou, analisando meus pensamentos e parecendo juntar com os dele. Ele mostrou o jornal para toda a família. -Fred está empenhado em não se descontrolar. E para ele fugir sem ser percebido, teria que ativar seu dom. E eu não veria a mente dele. Ou Alice não veria o futuro dele. Porém durante toda a madrugada sua mente esteve na minha. E na visão de Alice. Não foi ele.
-Quem, então? –Jasper cerrou os olhos.
-Não sei. –Ed suspirou. -Só espero que não acarrete problemas. Talvez logo vá embora. Com certeza é um nômade ou recém criado desinformado, indeciso. Qualquer coisa, conversaremos com ele. Ou damos um jeito nele caso faça caos demais. Não é de se preocupar tanto, não temos mais Victoria arquitetando os planos.
-Tem razão. –Alice e eu concordamos juntas. Desisti do assunto e mais uma vez minhas mãos caíram sobre as de Emmett. Ele havia parado de falar com Jazz, então podíamos conversar agora.
Edward está certo, não é mais Victoria ou seu exército sanguinário. –minha mente repetia conforme eu ia esquecendo da manchete.
Logo o sinal tocou, e as pessoas iam saindo de suas mesas e grupos, dirigindo-se às aulas. Os Cullen estavam se levantando, e deixei meus olhos passarem por todo o refeitório. E para a mesa mais distante ao lado da nossa. Pertencia basicamente ao grupo dos metidos a bestas, riquinhos e sarados. Ela estava sendo desocupada pelos garotos idiotas e pelas meninas estúpidas que os seguiam. Havia somente uma cadeira em que ninguém havia sentado.
Eu senti a falta de Michael novamente.
Que inferno! Nem doente esse garoto me dá uma folga. –minha mente gralhou raivosa. Emm pareceu ter notado meu incômodo repentino e me fitou confuso. Então rapidamente seu rosto se aproximou do meu com um sorriso.
Ele tocou seus lábios nos meus docemente, e como sempre, me deixei levar pelo meu lindo garoto de covinhas. Esqueci quem era Rosalie Hale em pleno refeitório.
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