Nota da autora: irão entender certinho o que aconteceu com Emmett neste capítulo. Acho que irão gostar de saber que as coisas não estão tão ruins assim. Logo os capítulos da Rosalie estarão de volta. Boa leitura.
Rendendo-se ao demônio – *Visão de Emmett*
Eu praticamente estava me arrastando pelo chão enquanto Michael me obrigava a seguí-lo. A repulsa que ele me fazia sentir era horrível, nada comparado à que Fred usou quando nos viu pela primeira vez. Realmente incomparável. Era pior.
Se eu comesse, vomitaria tudo. Esse bastardo nunca irá parar com isso? A paisagem ao meu redor girava, me deixando tonto, os cheiros e meus sentidos básicos pareciam feitos de papel. Altamente destrutíveis.
Michael viu que eu estava praticamente impossibilitado de andar, por sua própria culpa, e agarrou o capuz de minha jaqueta, me puxando para frente para seguí-lo. Se eu pudesse ao menos decepar as mãos dele. Nunca imaginei que toda a minha força e tamanho seriam tão inúteis um dia. Estava frustrado. Por que esse idiota resolveu me seqüestrar primeiro?
Sem me dar conta, acho que estava correndo com Michael me guiando, mesmo sem enxergar praticamente nada fixo. O idiota estava fazendo o trabalho que meus olhos não faziam.
Eu queria matar ele. Se pudesse lutaria, o que seria algo amável de se fazer com ele, mas no momento está bem crítico fazer essa minha idéia funcionar.
Tinha certeza que ele nos repelia dos dons de minha família também, se não Alice teria nos visto, e os Cullen já estariam aqui. Além de tudo, ele ainda me causava repulsa.
Maldito seja esse maníaco.
Estávamos bem longe de casa pelas minhas contas. Havia em média dois ou três dias que eu fui seqüestrado, e não sabia o que Michael pretendia com tudo isso. Ele me ignorava sempre que eu perguntava, e ria como um louco.
Esse cara nunca regulou bem da cabeça.
Estava preocupado com o que minha família estava fazendo, e se algo aconteceu. Mas… O que pode acontecer em três dias? Bem, tirando a parte dos Cullen acharem que eu estava morto.
Com certeza era isso que eles achavam agora. Porque Michael fez questão de ontem, pela manhã, pegar a mochila de minhas costas e me fazer trocar de roupa. As que eu usava foram jogadas em uma fogueira que ele mesmo fez em um bosque, perto de uma fazenda. Depois jogou o que restou de dentro da minha mochila no fogo. Ele me obrigou a ficar rondando a fogueira, fazendo meu cheiro se impregnar naquele lugar. Fora o fato que havíamos encontrado um vampiro nômade caçando por perto, e parecia que Michael queria isso. Acho que era justamente isso que ele queria ao ficar andando tantas milhas assim. Achar um vampiro. Quando o nômade cruzou nosso caminho, Michael o matou facilmente, e jogou o corpo dele na mesma fogueira em que eu tinha que ficar rondando como um escravo.
Ele bolou o plano minuciosamente. Ele era um demônio encarnado.
Então Michael apelou para a roupa do meu corpo, e me obrigou a tirar a única camisa que eu tinha agora e jogá-la na fogueira de fumaça arroxeada.
Eu quis empurrá-lo para dentro da fogueira. Onde já se viu queimar minhas roupas, e agora, minha única muda que estava no meu corpo? Ficaria andando sem camisa por aí? Que intenções esse cara tinha, afinal? Esperava que no fundo ele não tivesse uma atração por mim! Esse ordinário tostou todas minhas roupas!
Ele ainda iria querer queimar minhas calças e me deixar só de cueca também?
-Por que fez isso!? -eu lembro que havia conseguido gritar, porque a repulsa diminuiu um pouco enquanto eu praticamente me esfregava na grama em volta da fogueira e deixava-a com meu cheiro.
-Suas roupas têm seu cheiro, Emmett. –Michael parecia ter zombado de mim. – E isso fará sua família achar que quem está queimando aqui é você, e não esse vampiro otário que cruzou nosso caminho. E sei que eles passarão por aqui logo, porque senti levemente o cheiro de sua esposa, com um vento forte que o trouxe. Mas infelizmente eles nem desconfiam que eu e você estejamos aqui!
-Se meu cheiro está sendo repelido por você, eles não vão sentir o meu cheiro nessa maldita fogueira! -eu havia me estressado com ele ontem.
-E se eu não repelir seu cheiro somente nessa fogueira? Por que acha que pedi para você ficar rondando ela? Tudo aí vai ter seu cheiro, Emmett. Eles acharão que você está aqui dentro. Virando cinza. –ele disse apontando para a fogueira. –Então, ninguém mais vai vir atrás de você. Afinal, para que buscar um morto? E faremos uma surpresa para os Cullen depois. Poderei te matar de verdade na frente de Rosalie…
Ah, ótimo. Além de tudo Michael gosta de joguinhos de vingança tanto quanto o falecido James gostava.
Rosalie. Voltei no presente quando me lembrei dela, esquecendo as lembranças do dia retardado que passei me esfregando perto daquela fogueira. Como ela estaria? Sofrendo por eu estar morto? Já que minha família deveria ter achado minhas supostas cinzas ontem. Ou comemorando por se livrar daquele esposo irritante? Sorri ao me lembrar das vezes que a deixei brava.
Minha Rosalie.
Eu não sabia quando Michael iria querer “assustar” os Cullen, e nem para onde íamos agora. Na verdade, eu nunca sabia para onde o bastardo estava me levando. Eu só queria sentir os braços de Rosalie ao meu redor, e seus lábios nos meus.
Nem que fosse pela última vez. Porque Michael já falou o que pretende. Matar-me na frente dela. E ninguém vai impedir isso, afinal, este garoto infernal repele todos os dons e impediria minha família com a repulsa.
Pensei em uma música bem suja que pudesse descrevê-lo.
Minha morte estava cada vez mais próxima. Que droga! Não vou nem ter a chance de fazer uma armadilha para Alice e Jasper, ou Bella e Edward, em uma das minhas brincadeiras insanas que normalmente irritavam a todos.
Olhei para a cara do idiota que me puxava para frente brutalmente, arrastando-me ainda mais para qualquer direção. Jurei por mim mesmo, que se eu saísse vivo dessa, Michael conheceria a força do braço de Emmett Cullen.
Ah se conheceria.
Ele ainda tinha aquele sorriso de psicopata estampado no rosto. E me questionei novamente pela sua sanidade mental. Este garoto não era doente quando humano? Nunca viveu em uma camisa de força em um manicômio presidiário, de segurança máxima e em uma solitária após seus ataques de bipolaridade?
Com certeza sim. Ele deveria ter arquitetado o atentado às torres gêmeas em parceria com aquele terrorista psicótico que esqueci o nome. Só podia… Ninguém sorri para o nada. Ainda mais daquele jeito. Só loucos, e se lerdar, nem mesmo os loucos.
Reuni minhas forças e lutei contra a repulsa que sentia, para dirigir a palavra ao psicopata.
-Onde estamos agora? -murmurei o mais baixo que pude, antes que uma estranha ânsia se apoderasse de mim.
-Não lhe interessa. –Michael respondeu friamente. Esse filho de uma…
“Calma Emmett”, pensei comigo. Quando encontrar ele de novo, seja no inferno ou no paraíso, Michael iria se arrepender de ter sido o espermatozóide ganhador da corrida.
Ah se iria.
Minha boca se encheu de veneno quando lembrei o que ele pensava de Rose. Edward já havia me falado muitas vezes. Ninguém mais tem o direito de chamá-la daquele jeito, a não ser eu mesmo!
Ou a própria Rosalie. Não sei se ela é o tipo de pessoa que se auto-elogia tão… à fundo assim. Pelo menos nunca a vi fazendo isso de frente para o espelho.
A repulsa diminuiu levemente, e minha visão melhorou um pouco. Estava escuro e a neblina tomava conta do lugar. Pedi pela primeira vez que algum monstro das lendas mais horrorizantes surgisse do meio do matagal (como sempre acontece), e devorasse Michael.
Passei a mão pelos meus lados, tateando em busca de algo, e senti que estávamos entrando em um lago. Pois a água molhou minha pele. Ou poderia ser o mar, ou um rio, ou uma cachoeira. Ah que dane! Talvez estou entrando em um copo de água mutante e não sei.
O maníaco ao meu lado riu freneticamente e o vi balançar as mãos no ar. O que ele acha que é? Pensei na reencarnação do Jason. Não, este era menos doente que Michael. Talvez Hitler seja uma boa idéia.
-Senti seu cheiro, querida. –a voz dele ecoou no ar. Perguntei-me se ele estava conversando sozinho ou me chamando de querida. Inalei o ar do ambiente, e um perfume delicioso e vampiresco encheu minhas narinas. Ah. Tinha outra pessoa aqui.
-Como você some assim!? E quem é ele? -a voz suave, quase parecida com a de Bella falou.
Fitei minha frente, e minha visão, um pouco menos repelida e turva, enxergou uma garota ruiva de olhos vermelhos. Lembrou-me Victoria. Mas em um coro interno de aleluia vi que a perseguidora de Bella não ressurgiu das cinzas.
-Está é Bethanny, Emmett. –Michael a apresentou.
Ah, legal. A criadora do ser infernal encontrou-se com ele. Bethanny o apoiaria?
-Por que está com esse garoto? Ele é o que você queria em Seattle?
-Não ele. –Michael quase debochou. Quis socar a cabeça dele. -Mas quem virá em sua busca. A família inteira. Viu que dom incrível eu estou usando? Olhe para o garoto, todo cheio de repulsa e repelido.
-Sim. –Bethanny parecia revoltada. -Não gosto disso. Por que quer arrumar confusão? Saiba que não irei te ajudar!
-Não peço sua ajuda. E encontrei você aqui por acaso, ou acha que estava te procurando? Estúpida! Eu iria retornar para Nova York e tentar te achar, mas desisti assim que raptei o Cullen.
-Solte o garoto. Por que você tem esse gênio? Por que faz isso? Você me dá medo, Michael! Você não parecia ser assim, pensei que pudesse ser meu parceiro! Pare!
Eu tinha que falar alguma coisa. Sabia que teria volta da parte de Michael, mas não agüentei.
-Não notou que criou um vampiro mentalmente bipolar, Bethanny? -minha voz saiu irônica.
Senti um estrondo quebrar uma costela minha. Estava doendo. E queria bater em Michael.
Desde quando alguém ousa machucar Emmett Cullen?
O que posso fazer se eu sou sincero? Ele precisa de tratamento urgente! Como ousa me bater quando estou incapacitado de defesa? Garoto covarde!
Garotinha!
Queria ver ele me ganhar sem esse tanto de dons que está usando.
-Michael! –Bethanny gritou e o vi avançando na direção dela ferozmente, ele grudou em seu pescoço.
-Irá ir contra mim, e ainda defender ele!? -Michael a levantou para cima, e a carregou para terra firme. Com a outra mão, me puxou junto.
-Responda! –ele berrou e um estalo de metal guinchou nos meus ouvidos. Ela gritou de dor e vi que ele quebrou seu braço. Cara, eu realmente tinha contas a acertar com ele. Muitas contas.
-Michael pare! Qual seu problema? Por favor! –Bethanny estava atordoada, e segurava um rosnado para ele. Por incrível que pareça, ela não queria revidar.
-Não vê que te amo!? –Michael gritou. –Queria que acreditasse em mim! Mas está defendendo ele! Defendendo os malditos Cullen!
Ok. Eu realmente não estava errado quanto sua loucura. Ele não amava Nessie há três dias atrás? Ou Rosalie há meses? Ou Bella, ou…
Cheguei na conclusão de que seus problemas familiares o faziam assim. Revoltado com tudo e carente de atenção. Fora o fato dele realmente ser transtornado.
-Michael! Está me machucando. –Bethanny finalmente rosnou, mas antes que pudesse revidar com um golpe, ele a puxou para um beijo forçado e disse “adeus”.
Então barulhos de metal e pedra começaram a tomar a floresta.
Quando consegui ajustar um pouco mais minha visão devido a repulsa, só vi alguns pedaços de membros esparramados no chão e Michael acendendo um isqueiro. Queimando o que sobrou dela. Depois que tudo virou cinza, ele deu um jeito de apagar as chamas com a água do suposto lago. Depois recolheu as cinzas e a jogou na água.
Mas ele não a amava? Meu Deus! Com que tipo de gente estou enfiado? Michael era portador de múltipla personalidade, e não dupla.
Jasper sempre nos avisou dos sentimentos desse garoto. Raivoso, inconseqüente, tirano, incorrigível e dissimulado.
Falar de meu irmão me fez sentir falta de minha família. Quando eu os veria novamente!?
Quero ter Rosalie. Quero tocá-la antes de ser mandado para fora deste mundo, para ter certeza de que meu amor está bem. Queria avisar para ela para não me vingar depois. Não queria ela metida com Michael, e fazer os joguinhos dele é o que ele mais deseja.
Ele infernizaria o resto dos Cullen também, após me matar? Ou terminaria a vingança em mim? Quem o pararia? Como?
Continuamos a andar até que era dia. Não havia escutado ou falado uma palavra após o assassinato da garota. Estaria ele em fase depressiva? Senti um terreno inclinado por baixo de meus pés. Seriam as montanhas Rocky? Estaria ele me levando para Seattle? Para minha família?
-Logo matará as saudades de sua esposa. –Michael respondeu ao que acabei de me perguntar.
-Desgraçado! –eu gritei com todas as forças. -Não relará um dedo em ninguém por lá! Ninguém! Seu maricas!
A repulsa aumentou e me deitei no chão. Estava me contorcendo contra a grama enquanto meus instintos sumiram e eu estava tonto. Uma ânsia se instalou em minha garganta. Parecia que meu próprio corpo era repelido de mim. Como que tudo tentasse se desgrudar.
Parou de repente enquanto meus sons enojados ficavam mais altos. Resolvi não falar mais nada. A sensação era horrível, e não queria sentir isso de novo. Já bastariam as chamas que me esperavam em breve.
-Eles vão ver como eu jogo. –Michael murmurou. -E que sei armar armadilhas muito bem. Todos estão desprevenidos, como se eu não fosse voltar, já que me vinguei com sua morte. Ou até esperam por mim, mas sem você. Imagino suas reações quando te verem vivo, e morto de verdade alguns segundos depois.
Michael riu daquele jeito estranho de novo, parecendo um vilão de histórias em quadrinhos.
-Eles não poderão me parar! –Michael discursou. -Meu dom combinado com o de Fred é invencível. Eu comando agora. Se quisesse poderia acabar com os Volturi!
Imaginei o reino dos vampiros nas mãos dele. Era como se colocássemos a França nas mãos de Napoleão novamente. Preferiria que o Clã Romeno, ou até Evans governasse. Até mesmo que Jacob governasse. Mas Michael?
Seria o apocalipse.
Escondi uma risada para não sofrer de novo. Pessoas do tipo dele não gostam de ser contrariadas.
-Então, depois que reduzir você a pó, pegarei Carlisle. Sim. Carlisle! O que seria de seu clã sem ele? O líder? Sim! Carlisle! Vocês não seriam nada!
Sua doença estava tão avançada tanto mental quanto emocionalmente que ele respondia suas próprias perguntas. E ele pegaria Carlisle!? Alguém tem que parar esse garoto! Mas quem? E que dom o pararia?
Tive que falar outra coisa indevida. Eu andava meio incontrolável escutando todas aquelas maluquices. Peguei fôlego e tentei controlar a repulsa que sentia.
-Michael, desculpe mas…você foi criado no meio de que? Filmes do Jason, esquizofrênicos, bipolares ou insetos mesmo? Você não é normal!
-Você não ouse falar de minha família! -ele rosnou e me chutou no estômago.
Isso foi o bastante para finalmente eu ficar quieto e não abrir mais a boca.
Eu quero Rosalie. Quero minha família. À salvos, nem que seja sem mim. Quero poder vê-los pela última vez, já que Michael assim promete.
Eu os quero vivos. Para sempre. Não é assim que as coisas funcionam por aqui? Exceto por mim, é claro.
Lembrei de algo que falei para Rosalie um dia. A frase mais romântica que consegui formular. Não por falta de inspiração, mas de criatividade mesmo.
“Nosso amor é como o infinito, Rose. O começo é sempre incerto, mas nunca terá fim.”
Vi seu rosto em minha mente e algo estranho brotou de meu peito. Enxergar os belos cabelos louros dela, a pele pálida e olhos dourados intensos. Seus lábios cheios e pedintes, e aquelas mãos macias e incrivelmente confortáveis tocando meu rosto. Minha garganta se apertou e um soluço saiu de mim. Estava chorando.
Não a queria perder. Ela é tudo para mim. E se eu morresse, só queria ter certeza que ela viveria. E não terminasse como eu.
Reduzida a pó.
Só queria que depois, algum dia, nós pudéssemos nos ver novamente.
Michael arquitetou um plano perfeito. Com chances nulas de dar errado. Eu realmente iria morrer. Iria perder meu anjo de vista.
Afinal, quem passaria por seu dom?
Ele me puxou para frente e senti a gravidade me puxar para baixo assim que meus pés ficaram sem chão. Meus pés então pousaram em pedras, e escutei Michael pousar bem ao meu lado também. Continuamos a andar, enquanto a repulsa ainda estava instalada na minha cabeça. Logo chegaríamos em casa. Meu fim estava próximo. E sua vingança só no começo.
Fechei os olhos já estranhos e turvos pelo dom de Michael, ou de Fred, e imaginei o rosto de minha mulher sorrindo. Era a melhor lembrança que poderia ter dela. Seu sorriso iluminava a aura complexa dela. Iluminava e espantava todos os fantasmas que a assombravam. Ela conseguiria sair das trevas novamente, se quem a fizesse sorrir daquele jeito estivesse morto de verdade á poucos minutos?
Eu conseguiria descansar em paz, sabendo que meu anjo e minha família estariam em risco? Sabendo que meu belo anjo, nunca, nunca mais tocaria seus lábios nos meus novamente
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