quinta-feira, 16 de junho de 2011

Diário de uma imortal – Capítulo 12

Nota da autora: o novo membro da família Cullen irá ser apresentado neste capítulo. Stephenie Meyer já citou este personagem em A breve segunda vida de Bree Tanner. Se quiserem mais informações sobre ele, o livro de Bree revela algumas coisas. Espero que gostem!
Bem-vindo aos Cullen
A viagem cansativa chegou ao fim, saímos do avião e pegamos nossas bagagens no desembarque. Senti que esqueci alguma coisa assim que peguei a minha mala.
-Droga, meu diário. –reclamei sozinha. Porque eu não lembrei?
-O que tem ele, Rose? -Emmett cortou meus devaneios.
-Nada, só o esqueci. –fiz uma careta, me lembrando o quão superficial e fútil minha atitude soou.
Caminhamos até o primeiro portão de saída. Olhei no relógio principal e indicava oito horas da noite. O ar era quente, por mais que não houvesse um raio de sol brilhando essa hora.
Seth só sorria ao meu lado, e em uma de suas brincadeiras irritantes com Leah, quase deu um tapa na cabeça de uma moça morena por engano, a confundindo com a irmã. As pessoas desse país tinham a cor da pele parecida com a dos lobos de La Push.
-Cara, esse país é demais! Que calor infernal é esse? –Seth tagarelou enquanto observava as pessoas ao seu redor.
-Estúpido.  –cuspiu Leah.  –Estamos na Floresta Amazônica, o que você quer? Que neve!?
-Bem pessoal. –Carlisle falou, acalmando os ânimos dos dois irmãos. -O carro que aluguei deve estar naquele estacionamento. Vamos para lá, e depois tentaremos achar o “endereço” de Zafrina.
Andamos até o estacionamento e avistei alguns carros que se destacavam perto dos outros, já sabia que eles eram nossos. Como sempre, os Cullen aproveitavam o dinheiro que tinham.
-Ei! Olhem para cá!  -vozes gritaram um pouco atrás de nós.
Os Cullen e os lobos se viraram juntos para saber quem havia nos chamado, e reconhecemos Zafrina, Senna e Kachiri. Outros dois rapazes estavam ao lado delas. Um deles nós também conhecíamos.
O que Nahuel estava fazendo aqui?
Sua trança e pele morena continuavam as mesmas. Obviamente.
O garoto que não conhecíamos se manteve um pouco afastado, fora das luzes do poste. Não sabia se era ele quem seria o novo irmão ou não.
-Olá queridas! -Bella saudou, saltitando de encontro à elas. Nós corremos até lá.
Elas nos recepcionaram calorosamente, até mesmo os lobos. Deixaram Renesmee por último.
ela?  -Zafrina bufou em admiração.
-É sim. Grande não é? -Bella respondeu orgulhosa.
-Meu Deus! Lembro de você ainda garotinha. Recorda-se de mim? –Zafrina indagou curiosa, usando a mesma voz infantil que usava quando Nessie era pequena.
-Sim. Suas ilusões sempre me faziam bem. Adorava as borboletas.  –Nessie riu.
As vampiras Amazonas a abraçaram demoradamente. Eu gostava delas, eram garotas legais e muito receptivas.
-Nahuel? O que faz por aqui garoto?  -Carlisle puxou assunto com o rapaz. Antes de responder ele cumprimentou a todos. Quando ele abraçou Nessie, Jacob tentou ser tolerante. E felizmente conseguiu. Era testosterona demais num lugar só.
-Bem, Zafrina sabe o quanto eu sou grato a vocês. -Nahuel sorriu para nós. –Então ela avisou-me que vocês iriam visitá-la, e onde eu moro não é tão longe assim. Fica na fronteira dos dois países, e vim uma parte de barco, e a outra correndo. Queria vê-los.
-Nós é que somos imaculadamente gratos a você Nahuel. Está morando com suas irmãs? Teve notícias do seu pai? –Carlisle continuou.
-Minhas irmãs moram depois da fronteira do país, em uma cidade que fala espanhol. Já não vivem mais com meu pai. Sempre as visito, pois também não é longe de onde moro, mas seus hábitos alimentares não são como o meu e de Huilen, posso dizer que elas são “carnívoras”. Já meu pai, nós não tivemos notícias dele. Huilen, minha tia que já conheceram mora comigo na fronteira. Mudamos-nos de onde vivíamos faz alguns anos, e nos instalamos lá. Para falar a verdade, é bem perto de onde morávamos também. Mas acaba que essa nova casa é mais perto da de Zafrina. Gosto de visitá-las algumas vezes.
-Muita coisa mudou desde que nos vimos pela última vez. –Bella sorriu para ele. Ela era uma das mais gratas à Nahuel. -E como está Huilen?
-Muito bem, ela veio comigo para visitá-los também. –Nahuel falou entusiasmado. -Só que está na casa de Zafrina, esperando. Ela não caçou nenhum animal antes de vir para cá, então…
-Sim, eu entendo.  –emendou Carlisle divertidamente.
-Virou uma bela garota, Renesmee.  –elogiou Nahuel ao fitar minha sobrinha. Nessa exata fração de segundo vi Jacob cerrar os olhos para o garoto. Ele agiu até melhor do que pensei que faria, coisas como cabeças rolando no chão.
-Obrigada. Bem… você não mudou nada.  –Renesmee corou. Começamos a rir da coisa óbvia que ela falou.
-É… Novidade.   –Nahuel complementou com uma ironia engraçada.
O silêncio tomou conta por um momento, e notamos que só faltava conversar com o garoto atrás de Nahuel.
O novato. Agora tive certeza que era ele.
Enquanto minha família estava conversando, tentei olhá-lo. Algumas vezes consegui, mas em outras eu senti… repulsa. Depois me dei conta que eu não havia sido a única a sentir isso.
Que poder estranho este garoto tem.
Toda minha família virou-se para ficar de frente para ele. Ele parecia se sentir incomodado com tantos pares de olhos nele. Subitamente os rostos de todos nós se fecharam em uma careta.
Eu queria vomitar. A sensação de que algo no meu corpo estava errado, e de querer colocá-lo para fora foi muito esquisito.
O Clã de Zafrina e Nahuel não sentiram nada. O novato devia ter poupado eles disso. Ele devia ter selecionado para quem o dom deveria ficar ativado, como Zafrina mesmo disse.
Elas riram de nossas expressões.
Será que seria possível eu vomitar sangue ou veneno?
Minha visão parecia estranhamente turva, e Edward soltou um suspiro de nojo em algum lugar ao meu redor. Tudo estava meio que girando.
-Ei Fred! Pare com isso. Estas pessoas são da sua família, não tem que repelí-las de você. –Senna nos ajudou. –Vamos, querido, relaxe. Desative seu dom para elas.
A vontade de vomitar então passou de repente, e eu me sentia normal. O resto dos Cullen também parecia ter retornado à vida.
-Desculpem-me. É que quando estou perto de pessoas que não conheço, sinto a necessidade de ativar meu poder. Eu consigo fazer com que algumas não sintam. Como o clã delas. –A voz grave de Fred soou, e ele apontou a cabeça para as vampiras amazônicas.
-Tudo bem, nós entendemos perfeitamente querido. –disse Esme carinhosamente, mal escondendo sua excitação. -Mas daqui a diante, seremos seus conhecidos, sua família. Portanto não há a necessidade deste poder ativado conosco, não é? Tente incluir os Cullen para não sentir seu poder, como fez com Zafrina.
-Sim, farei isso. Agora acho que podem ver meu futuro. –Fred abriu um sorriso que mostrou todos seus dentes brancos. Alice sorriu com a afirmação dele.
-Sim! Eu posso!  -ela disse após se concentrar no vazio, e lançou-se em um abraço para ele. Fred foi pego desprevenido, e fez uma careta antes de se acostumar com minha irmã tagarela em seus braços.
-Ela é sempre assim? -perguntou ele claramente confuso. Gargalhamos de sua reação.
-É. – Edward riu.  –Quando eu cheguei aqui, não consegui ler sua mente. Agora eu consigo. Obrigado por abaixar seu poder para nós, Fred. E… Bem-vindo à família.
-Meu Deus. –ele arregalou os olhos. -Então se eu quiser ter privacidade a partir de agora, terei que ativar meu poder… certo?
-Sim… Só tente se acostumar com a falta de privacidade. Nós não gostamos de vômito provocado. –Edward fez uma cara de nojo.
-Er… tudo bem. –Fred concluiu constrangido enquanto ríamos de sua expressão.
Reparei pela primeira vez nele sem me sentir repelida. Fred era alto, pálido e com o cabelo loiro ondulado. Os olhos vermelhos estavam disfarçados por uma lente verde. Ele devia estar no colegial quando foi modificado.
-Er… –ele começou tímido.  –Desculpe a pergunta mais… estes garotos…  –Fred apontou com o queixo na direção de Jake, Seth, Embry e Leah.   –São da nossa espécie?
Carlisle abriu um largo sorriso.
-Não. Eles são metamorfos e transformam-se em lobos, Fred. Já brigamos muito no passado, mas agora somos da mesma família.  –Carlisle piscou para Jacob.
-Ah, ok.  –seu rosto pálido estava ainda mais confuso.
-Vai se acostumando Fred… É tudo uma bagunça mesmo.  –Seth intrometeu-se.
Leah bateu em sua nuca. “Cala boca”, ela murmurou.
-É hora de irmos para minha casa temporária.  –Zafrina estava contente com a recepção.
-Zafrina, eu aluguei alguns carros. Sua casa é longe daqui, não é? –meu pai perguntou.
-Sim, Carlisle. Os carros só irão servir até metade do caminho. A outra é correndo mesmo. Mas deixamos nossos carros em segurança em um lugar “secreto”. Normalmente não usamos muito os carros. Somos nômades civilizadas, mas não praticamente humanos como vocês… –ela respondeu com um toque de sarcasmo na voz. Gargalhamos em “praticamente humanos”.
-Tudo bem. Vocês estão de carro agora? Se quiserem podem pegar carona conosco. -meu pai ofereceu carona.
-Sim, nós estamos com carros. Sigam-nos.  –ela desapareceu e o motor de um carro compacto estava ligado. Outro carro, porém mais casual, também acelerou.
Entramos nos carros que Carlisle alugou e seguimos aqueles na nossa frente.  Observei na saída da cidade o nome da capital: Manaus. Passamos mais de duas horas na estrada, em uma velocidade não tão alta quanto gostaríamos. Cada vez mais nós seguíamos para Oeste. Se eu entendo bem de Geografia, estávamos indo para o rumo da Colômbia. Devia ser lá que Nahuel e Huilen viviam, porque esse país faz fronteira com o Brasil.
O carro de Senna liderava quando desacelerou e fez uma curva para direita. Observei o nome da cidade na placa: Tefé.
Zafrina é quase vizinha de Nahuel para falar a verdade, pois esta cidade brasileira não está muito longe da fronteira com outro país.
Os bairros e o povo do município começaram a aparecer nas ruas. As pessoas eram morenas, com cabelo preto e liso, e roupas que marcavam a cultura do local. De repente, Senna enfiou-se em uma estrada afastada, que seguia ainda mais para o Oeste, porém não saímos do limite da cidade. Era uma região inabitada onde estávamos agora. Nenhuma casa se encontrava por perto.
A estrada acabou e Zafrina enfiou seu carro numa espécie de garagem subterrânea, que de fora, parecia-se mais com um poço de água. Colocamos nossos carros lá também e fomos para fora.
-Esta é minha garagem, pessoal. Vocês fiquem tranqüilos, ninguém vai roubar nada daqui. Afinal, é só um poço de formato estranho sem água.  –ela sorriu angelicalmente e ganhou palmas de nós.
-Não acredito que pensaram nisso! –Emm disse ainda embasbacado. –Uma garagem secreta! Carlisle, nós temos que fazer uma dessa lá em casa e…
-Emmett, por favor… –meu pai se queixou e as garotas Amazonas riram deles.
-Venham!  -Kachiri empurrou Senna para frente e começamos a correr.
Eu olhei bem nos olhos de Zafrina pela primeira vez, e vi que ela estava usando lente de contato preta. “A cor dos olhos”, ela tinha falado pela manhã. Então haviam caçado faz pouco tempo. Provavelmente as outras estavam com lentes também. Só Nahuel não deveria estar usando nada.
Corríamos loucamente pela mata fechada. O cheiro de floresta era bom, e por mais calor que fizesse, o ar estava úmido. Fácil de respirar. Depois de uma longa corrida, avistamos uma casa de madeira. Não era grande e majestosa como a nossa, porém tinha aspecto aconchegante e suave. Típico da região, que me parecia bem hospitaleira.
-Bem vindos ao nosso lar temporário! -Zafrina falou enquanto abria a porta principal. Notei que por trás da casa, havia uma espécie de riacho límpido correndo. Fiquei admirando a casa por um tempo antes de entrar. O cheiro de madeira era surrealmente confortável. A construção da casa em si estava suspensa por toras na base, e então acima delas erguia-se a linda casa.
-Que fofa é sua casa, Zafrina! -Alice quicou ao lado dos vasos artesanais perfeitos da estante.
-Tentamos copiar o chalé de Bella em Forks.  -Kachiri admitiu tímida.
-Sabe quem decorou o chalé dela? Fui eu! -revirei meus olhos quando Alice disse isso.
Edward riu e bagunçou seu cabelo, para a raiva da pequena.
Huilen apareceu saindo do que me parecia ser a cozinha, com uma bandeja de peixes fritos e um enorme sorriso no delicado rosto. Ela colocou a bandeja na mesa de jantar e veio nos cumprimentar. A tia de Nahuel era bela, e muito simpática.
Notei envergonhada que Seth estava praticamente avançando na direção do peixe. Só não pulava em cima da mesa e devorava o animal frito em uma dentada, porque Leah estava prendendo ele com a mão em seus ombros.
Que vergonha. Quem vê acha que não alimentamos os cães em casa! –minha mente gritou constrangida quando Senna observou Seth. Edward concordou com a cabeça, olhando na minha direção.
-Bem, para os que comem coisas humanas… Podem se servir.  –Kachiri convidou, obviamente notando o desespero de Seth por comida.
Esse garoto nasceu na onde? Etiópia!?
Huilen viu que um peixe não seria o suficiente para o bando de esfomeados e tratou de fazer mais. Pensei em ir ajudá-la, porém Nahuel levantou-se do sofá e colocou-se ao lado dela.
-Não imaginei que os lobos viriam… –disse ela timidamente antes de se retirar com o sobrinho.
-Fique despreocupada. –falei constrangida, refletindo o espírito de Bella e Esme. – Se não houver mais peixes na lagoa, eles comerão carne de onça pintada. –pisquei para Emmett, lembrando das cobras e animais em extinção que ele desejava.
-Hmm… -Zafrina fez biquinho e se divertiu. –Isso é ilegal pelas leis humanas.
-Nós sabemos… Não leve meu filhos a sério. Não queremos destruir a fauna local.  –Carlisle riu de sua reação preocupada e tratou de contornar a situação. Eu não via problemas no que havia falado. Pelo menos não destruímos a população local.
-Mas que os lobos comerão carne crua se os peixes acabarem eles comerão. Huilen não é criada de vocês.  –fuzilei Seth com os olhos e Esme concordou.
-Vocês prometeram ser educados. –minha mãe lembrou especialmente a Seth, o rosto dela parecia menos envergonhado, e muito mais divertido. Ele concordou com a cabeça.
Esme riu para eles e notou que Fred nos fitava, e parecia feliz. Todos nos sentamos na mesa principal.
Edward arregalou os olhos e fitou Fred assustadamente. Ele começou a perguntar coisas sem sentido para nosso mais novo irmão. Pelo menos para mim era sem sentido. O que Fred havia pensado para causar essa reação de Edward?
-Espere Fred. –Ed tinha dito. -Desculpe me intrometer, mas… Vi seus pensamentos agora. Você estava lembrando de sua vida há alguns anos atrás… Você viveu em Seattle?
Fred abaixou a cabeça, seus olhos se entristeceram e uma careta de más recordações passou por ele.
-Não é algo que eu goste de me lembrar. –ele respondeu sem humor. -Mas no meu primeiro ano como vampiro, eu vivi em Seattle.
-Há quanto tempo você é um vampiro? –Edward lançou uma nova pergunta.
-Mais ou menos sete anos. Fui criado em uma onda de assassinatos por lá. –Fred franziu o cenho, como se estivesse se esforçando para as memórias virem á tona.
Os olhos de Bella arregalaram-se em compreensão. Só então eu absorvi as palavras de Fred. Todos nós ficamos enrijecidos. Ele e as vampiras Amazonas nos fitaram confusos.
-Victoria.  –Bella bufou.
-Quem é essa?  -Fred ficou ainda mais confuso. Suas sobrancelhas se uniram.
-Quem te criou, meu querido. –Esme esclareceu docemente.
-Como vocês sabem quem me criou se nem eu sei? E… –ele fixou seus olhos nos meus de repente. Tive medo de que ele ativasse seu poder. Porém ele assustou-se, seus olhos estatalaram-se e Edward ficou ainda mais surpreso.
-V-vocês s-são os… De olhos amarelos. É claro! Como sou idiota! –Fred vociferou. -Zafrina havia me falado tudo! E eu não fiz ligação nenhuma. Tolo! Como não me lembrei disso!? Zafrina havia citado seus hábitos alimentares, poderes e a cor dos olhos. E eu não me lembrei das antigas histórias! Não me lembrei!
Ele parecia perturbado. Agora era eu quem estava confusa.
-Expliquem-nos, por favor!? -foi uma das primeiras vezes que Esme gritou como uma mãe histérica.
-Esme… –Edward começou, poupando Fred. –Ele foi criado por Victoria, porém o exército de vampiros nunca soube quem foi sua criadora. Só a conheciam por “ela”. Era o que Riley passava para eles, e o que Bree me explicou por pensamentos também, antes de ser morta.
-O quê!? – Fred bateu as duas mãos na mesa com força, fazendo todos pularem de susto. Então enfiou sua cabeça entre elas. Sua voz saiu abafada quando falou de novo.
-Bree! Morreu!? Quem a matou? Vocês? Ela chegou a lutar? Diego já estava morto, não é!? Eu falei para ela! Eu falei! Todos esses anos! Eu ainda tinha esperança de que ela estivesse viva, e de que estivesse vivendo com Diego em algum lugar. Achava que eles não quiseram me reencontrar, ou que perderam meu rastro! Eu sempre dava um jeito de voltar para o lugar em que combinamos nos encontrar, mas ela nunca, nunca estava lá! Agora está explicado! –Fred estava desesperado. Uma onda de compaixão surgiu em meu coração. Ele devia ter sofrido muito.
-Fred querido… –Esme levantou-se e passou a mão por seu ombro. –Nós não a matamos, estávamos dispostos a adotar ela, porque foi a única que se rendeu. Mas os Volturi, eles chegaram na batalha, e não deram uma segunda chance para Bree.
-Bree… Bree… Minha Bree… –ele estava soluçando enquanto falava. Os olhos de Nessie estavam cheios d’água ao observá-lo.
-Acalme-se meu filho. –Carlisle estava frustrado por não conseguir consolá-lo. Jasper não queria usar seus dons ainda. Fred com certeza lutaria contra.  –E não sabemos se Diego já havia morrido ou não.
-Sim, havia.  –Edward falou com uma raiva embutida.  –Bree antes de morrer me contou muitas coisas por pensamento. Ela era esperta. Uma boa garota. Falou-me que Jane já havia se encontrado com Victoria e Riley antes deles atacarem. Ela e Diego haviam presenciado a cena. Riley deve ter desconfiado, e matou Diego. Bree pensava constantemente algo como: “Eu também quero morrer, Diego está morto. Ele nunca esteve aqui.”.
-Quantos do exército morreram? Vocês tiveram perdas?  -Fred havia erguido a cabeça, e estava disposto a conversar por mais abalado que parecesse.
-O exército foi aniquilado. Não tivemos perdas. –Carlisle explicou. -E não precisa tentar se explicar quanto o estrago causado em Seattle. Sabemos que Victoria não os orientou, e mentiu muito. Você, Bree e Diego parecem serem os únicos que duvidaram dela, tanto que tentamos dar uma segunda chance à Bree. Eles parecem ter sido bons.
-Sim. Bree e Diego eram bons. –Fred sorriu com a lembrança. -Éramos os únicos capazes de raciocinar lá, o resto só pensava em sangue, e esqueciam de se perguntar por coisas mais óbvias. Diego havia sumido antes de atacarmos, Bree tinha esperanças de sua volta. Eu sempre achei que Riley já tivesse o matado.
Fred tomou ar e continuou.
-Então quando o exército estava indo para Forks, eu aproveitei de meu dom, e fugi. Não queria briga. Não queria aquela vida. Eu sabia que Riley mentia e que os nossos inimigos de olhos amarelos eram apenas mais uma mentira. Sabia que ele nos usava. Chamei Bree para fugir também, ela iria, porém queria encontrar Diego primeiro. Então nunca mais a vi. Esperei por ela no local combinado por horas, ela não foi, e tive que partir. Mas sempre tive esperanças de que ela estivesse viva. Bree parecia tão… Sagaz. Pensei que tivesse conseguido escapar da batalha com ou sem Diego.
-Eu realmente odeio os Volturi! -Ness gritou. –Porque eles tinham que matá-la!?
-Riley tinha passado informações sobre vocês.  –Fred continuou sorrindo em concordância com Nessie.  –Disse que o clã certo a atacar seriam os de olhos amarelos, que iríamos encontrar eles em uma clareira. Ele disse que vocês tinham dons como ver o futuro e ler mentes. Que eram maus, e que eram muito velhos, por isso eram tão vingativos e poderosos. E disse também que andavam com uma humana. O cheiro dela realmente era bom, Riley havia nos passado o cheiro dela com uma blusa. Era… o melhor de todos que havia sentido. O que aconteceu com ela? Está morta?
Edward riu, e apontou com a mão para Bella. Ela sorriu para Fred.
-Se você considera esta vida estar morto… Sim, estou. –Bella tocou as mãos de Fred.
-É você? –ele se surpreendeu. -Perdão. E eu nunca quis atacá-la, nunca quis fazer mal à vocês. Éramos enganados o tempo todo. E eu devia ter lembrado de vocês quando Zafrina estava me contando do meu futuro Clã. Devia ter feito uma ligação, de que minha família, era o clã que eu fui criado para atacar. Para matar.
-Ignore isso, Fred. Você não precisa se desculpar. –disse Carlisle, reconfortando-o paternalmente. -Estamos todos vivos, não aconteceu mal algum. E você fará parte de nossa família agora. Sei que você não é mais parte de um exército, e que optou por sair dessa vida. Isso faz de você meu novo filho. Confio em você. Agora não será só chamado de Fred. Você agora é Fred Cullen. –meu pai sorriu com orgulho. -E sentimos muito por Bree. Realmente queríamos salvá-la. Mas sabemos que você irá superar tudo isso com nossa ajuda.
-Obrigado, Carlisle. Muito obrigado. –Fred devolveu o sorriso.
-Só uma dúvida.  –tagarelou Alice.  –Você, quando vivia em Seattle com o exército… Já conseguia bloquear o futuro através de seu poder?
-Não. –ele disse baixinho. -Só conseguia repelir os que estavam ao meu redor, e não em longas distâncias. E no começo eu não repelia poderes com meu dom, e sim só causava repulsa à visão ou ao tato. Meu poder expandiu-se conforme os anos. Hoje, faço os dois.
-Hmm… Compreendo. –Alice sorriu quase satisfeita. -Porque se você conseguisse, teria influenciado a minha falta de visões quanto a Victoria. Mas não tem nada a ver… Apague isso. Vamos ser felizes!
Ele tentou dar um largo sorriso. Jasper sorriu para ele com a expressão sapeca e logo Fred estava radiante, sem sequer ter se dado conta.
-Wow! O que foi isso? Não me senti tão feliz assim faz anos! –nosso irmão caçula estava abismado.
-Fale “oi” para Jasper, seu irmão a partir de hoje que tem dom com sentimentos. –Emmett apresentou.
-Zafrina havia falado do dom dele. Mas eu meio que duvidei. –Fred admitiu derrotado.
Ele apertou as mãos de Jasper fraternalmente. Isso deixaria Jazz mais feliz. Ele não seria o único irmão criado para matar da família.
De repente, eu me senti estranha. Raiva brotava do fundo do meu coração. Transbordava de todos os lugares.
Mas por que!?
Eu lutava contra esse sentimento. Mas ele se apoderou de mim. Era ódio puro. As bordas de meus olhos estavam avermelhando-se.
O que é isso!?
Bati a mão na mesa e um estrondo chamou a atenção de todos para mim. Um rosnado saía do fundo de meu peito.
Porque estou fazendo isso!?
Fred me olhava com pavor. E fitava a mesa como se perguntasse “Você é blindada?”.
Edward começou a rir histericamente. O que ele estava arrumando? O que ele sabia que eu não sabia?
Eu iria pular no pescoço dele. Estava me agachando quando uma alegria repentina mudou todos os meus sentimentos. Eu estava quase saltitando de felicidade pela copa e sala. Comecei a gargalhar sem motivo algum. Emm me fitava preocupado.
Eu não sou uma louca!
Grunhi o mais baixo que pude quando descobri a fonte desse ataque de humor.
-Jasper. –meus dentes se trincaram. Mas não conseguia sentir raiva. Tudo era felicidade pura. Ele me ignorou e sorriu pelo canto da boca. Ele estava me fazendo de marionete!?
-Jasper. –se eu falasse mais alto iria berrar.
-Ok, Rose.  –ele desistiu com um largo sorriso. Minhas emoções estavam voltando para a normalidade agora.
Fred fitava Jazz boquiaberto, sua boca estava um perfeito “O”.
-Vai se acostumando… –ele disse para Fred. –Meu poder é esse.
-Todo mundo já conhece seu poder! Não precisa se mostrar!  -eu cuspi realmente irritada agora. –Porque me escolheu como cobaia? Podia ter torturado Seth sabia!?
-Ah qual é!? Porque tudo sobra pra mim?  -o lobinho queixou-se e tirou várias gargalhadas dos outros.
-Porque você é chato!  -Leah devolveu, defendendo minha opinião.
-Tudo bem irmã Hale. –Jazz deu uma piscadela para mim. –Da próxima vez uso Seth.
Sorri para Jazz e concordei. Não estava mais irritada. Ultimamente ando conseguindo controlar mais esse sentimento. E querendo ou não, ele era um ótimo irmão.
-Hale? –Fred perguntou confuso.
-Ah sim. Hora de começar a contar toda a nossa história queridos! –Esme sorriu e as vampiras Amazonas se sentaram mais perto de nós.
Huilen e Nahuel apareceram com mais alguns peixes fritos e sentaram-se ao nosso lado também. A madrugada foi tomada pelas histórias dos Cullen e o nosso irmão caçula parecia fascinado.

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