Inimigo possivelmente confiável
Não tive tempo de reagir. O movimento dele foi tão rápido quanto os de Edward eram. Só pude sentir meu pescoço começando a se esfarelar naquelas mãos gigantes.
O ar começou a sair de meus pulmões, e por mais que eu tentasse sair daquele aperto, não conseguia. Um pequeno estalo metálico saiu de meu pescoço. Ele estava arrancando minha cabeça enquanto eu me debatia.
Ouvi um baque surdo vindo de quem me matava, e quando me dei conta, eu estava praticamente voando. Meu corpo foi arremessado para o ar, e eu percorreria o ginásio até minhas costas se chocarem com alguma coisa. Tudo na minha volta era um borrão.
Antes que me espatifasse no chão ou quebrasse as paredes do pequeno estádio, joguei minhas pernas para trás no ar, apoiei minhas mãos no solo e em um equilíbrio completamente calculado, meu corpo fixou-se em um agachamento perfeito. Ótimo. Além de não ter caído, ainda consegui mostrar para o rapaz que eu era boa de luta.
Minha posição de ataque estava formada enquanto um rosnado saiu de meu peito.
Vi Jasper correr até mim e segurar meus ombros, me impedindo de atacar o assassino de Noah novamente. Só então minha mente se ligou de que alguém atacou o homem para salvar minha cabeça. Quem tinha enfrentado ele para me salvar?
Olhei para frente e Edward e Embry estavam imersos em uma luta com o grandalhão. Devo minha cabeça à eles. Ao meu redor um semicírculo com a minha família e o bando de Jacob se formou, caso alguém nos atacasse.
Observamos Edward desviar de um golpe brutal que o rapaz lhe aplicaria na coluna, enquanto o lobo Embry o atacav pelas laterais. O estranho homem mal parecia sentir. Ed passou uma rasteira nele e então investiu em tentar imobilizá-lo. Sem sucesso. Embry saltou nas costas do homem e este revidou com um chute diagonal na pata direita do lobo. Edward socou a cara do estranho com uma força tão grande que poderia ter partido seu crânio no meio. Esse golpe ele havia sentido. Prova disso foi a gota de sangue que escorreu de seu nariz.
Um rosnado diferente de todos que eu já havia ouvido durante minha existência saiu do seqüestrador. Era algo mais profundo que o rosnado dos lobos, mais intenso, porém com algo familiar. Não soava como um uivo ainda. Mas um pedido de um humano que estava se transformando em algo. Como se Jacob, quando prestes a virar o lobo castanho avermelhado, rosnasse um pedido desesperado a alguém.
Mas no que esse homem estaria se transformando? A quem ele faria um pedido? Um pedido de quê?
Esse rosnado quase em uivo lembrou-me o escândalo que os lobos fizeram na batalha com os recém-criados, o exército de Victoria. Quando Jake havia se machucado e Carlisle precisava ajudá-lo. Parecia o estranho uivo que Sam deu, avisando para todos que Jacob salvou Leah, mas havia se ferido. Parecia quando Sam e o resto de seu bando suplicavam uma ajuda.
Ajuda!? Esse rapaz está pedindo ajuda? Era tudo o que não precisaríamos agora! Se somente ele está dando esse trabalho para deter, imagina um bando de fedorentos altamente fortes! Não sabíamos nem a espécie daquele ser! Para começar, não sabíamos nem que existia um ser mítico que fazia aquele barulho estranho enquanto ainda tinha a forma humana! Ou enquanto ainda se transformava!
“Espere”, sussurrei para mim mesma. Jasper me fitou enquanto resolvia dar uma ajuda para Ed e Embry na luta. Não deveríamos todos ajudá-los, porque alguém poderia chegar e nos atacar enquanto estávamos imersos na briga. Bella e Nessie me fitaram confusas.
Eu pensei que o rosnado do estranho homem era como o dos lobos, só que ele estava na sua forma humana ainda. Eu pensei que ele poderia se transformar em algo. Assim como os metamorfos. Mas ele não parecia ser um metamorfo. Porém ele ainda mudaria de forma, isso era perceptível pelos membros trêmulos. Ele poderia não ser um metamorfo, mas poderia se transformar em…
Meus olhos se arregalaram.
Um flash de lembranças rodou em minha mente: vi Aro com toda a sua guarda, irmãos e esposas na clareira em Forks há sete anos. Eu vi minha família e os outros clãs de vampiros do nosso lado, vi os lobos logo atrás de nós, e vi Aro falando para Caius sobre os lobos que nos ajudavam.
-Apesar das criaturas pensarem em si mesmos como lobisomens, eles não são. Estas criaturas realmente não têm nada a ver com os Filhos da Lua. Na verdade, o nome mais apropriado seria transmorfos ou metamorfos. Eles meramente herdaram as habilidades de seus pais. É genético – eles não continuam com sua espécie por infectar outros, do modo que verdadeiros lobisomens fazem.
E também lembrei do que Caius havia citado antes.
- Os Filhos da Lua têm sido nossos amargos inimigos desde o começo dos tempos. Nós temos caçado-os quase à extinção da Europa à Ásia.
Ele havia falado quase.
Perdi o fôlego, e escutei Edward soltar um meio assovio conforme lia meus pensamentos e se desviava de outro golpe do estranho rapaz. Ele concordava comigo. Era isso. O homem que matou Noah era um verdadeiro lobisomem. Um Filho da Lua. E não um metamorfo como os bandos de Jacob e Sam eram.
-Ei! – Edward grunhiu para Embry e Jasper, que estavam tentando imobilizar o garoto pelas costas. Eu dei três passos para frente, desesperada para que eles saíssem dali logo.
-Saiam daí! –eu gralhei para eles enquanto o rapaz levantava-se novamente do chão. Ele parecia ser forte como um gigante. -Não sabemos como ele pode reagir! Não sabemos nada sobre verdadeiros lobisomens!
Ouvi minha família se chocar três passos atrás de mim, no semicírculo que ainda estava formado. Seth e Leah perderam um compasso no coração, enquanto Embry recuava cuidadosamente na sua forma animal junto com Jasper e Edward para perto da família.
O rosto do rapaz começou a voltar ao que era antes. Os olhos pareciam um pouco menos negros e selvagens, e os espasmos de tremor se acalmavam. Ele olhou ao redor, e me dei conta de que ele estava checando se havia algum humano na arquibancada. Uma sensação de alívio me percorreu quando notei que estávamos realmente sozinhos. Não seria legal sacrificar alguém por ter visto toda essa cena.
O lobisomem nos fitou ameaçadoramente de novo. Jasper rosnou tão alto que algumas estruturas chegaram a tremer. Se essa briga continuasse aqui, derrubaríamos o estádio. O cheiro ruim aumentou muito, o que fez meu nariz gritar em repulsa.
-Que odor é esse, por Deus!? O que é isso? -murmurei achando que somente quem estava perto de mim escutaria. Meu humor negro me inundando.
-Seu pior pesadelo. Mas se colaborar… Pretende fazer isso? –a voz grave veio de onde eu menos esperava. Minhas costas. Ótimo, a ajuda que o garoto pediu deve ter chegado.
O semicírculo que minha família e os lobos haviam formado se virou no mesmo instante para encarar a nova voz, como se fosse ensaiado. Se a situação não fosse tão tensa, eu poderia rir. Agora estávamos frente a frente com a nova voz que ecoou no ginásio.
Quando meus olhos fitaram o desconhecido, eu quis botar fogo em mim mesma. Talvez eu não devesse dar o trabalho de ser esquartejada por tantos brutamontes. Seria bem menos doloroso meu suicídio do que a futura morte que nos aguardava.
Os verdadeiros Filhos da Lua, como disse Caius, não deveriam estar em “Quase extinção”? Como surgiram tantos dele assim? Para mim, a população deveria ser de no máximo cinco deles.
Havia em média dezenove lobisomens na nossa frente! Fora o grandalhão que estava atrás de nós. Tentei não pensar na população mundial. Nunca iríamos conseguir em caso de luta, éramos somente dez! Não daria tempo de pedir ajuda para os que ficaram em La Push. Estávamos ferrados.
Todos esses pensamentos duraram cerca de dois segundos, e me dei conta de que eles esperavam uma resposta quanto a nossa colaboração. Eu não ousaria abrir a boca. Deixaria a resposta para Carlisle.
Entrei num estúpido estado de choque, algo extremamente constrangedor para uma vampira que está cercada por verdadeiros lobisomens. Senti meus olhos arregalados, com pavor. Acho que nenhum Cullen deveria estar diferente de mim. Nem os metamorfos.
Eu realmente deveria ter colocado fogo no meu próprio corpo.
Uma onda de gargalhadas irônicas, provocativas e sádicas ecoaram no ginásio. Todas elas eram graves o suficiente para serem confundidas com trovões. Todos os dezenove rostos na frente do semicírculo dos Cullen e do bando de Jake tinham as expressões possuídas.
Queria decepar algum membro meu. Toda a dor que eu passaria seria melhor do que a que nos aguardava. “Vamos Rosalie! Fale alguma coisa!” - minha mente gritava, mas eu não falava nada. Ninguém falava. Estávamos surpresos demais. Ninguém queria respondê-los.
-Minha lindinha! –a mesma voz grossa que fez a pergunta falou novamente, e pude ver quem a possuía. O cara era pior que o outro que bati. Era como se tivesse engolido um guarda-roupa de tão imenso. Só agora reparei que a voz dele era duas vezes mais grossa do que a do assassino de Noah. Ele era branco com os cabelos negros meio desfiados. Sua voz soou novamente.
–Não irá me responder? –ele fingiu uma indignação dramática, que arrancou mais risadinhas de seus seguidores. –Você foi corajosa para bater em Patrick, por que não é corajosa agora também? Ficou assustadinha?
Engoli seco quando ele começou a falar diretamente comigo. Ele devia ter descoberto que briguei com Patrick, como é seu nome, agora, já que o menino estava logo atrás de nós e podia indicar com a cabeça quem acertou a cara dele.
Uma pausa instalou-se novamente. Nem Carlisle abriu a boca. Então realmente estamos ferrados. Pude jurar que senti o começo de uma síncope se instalar em mim quando mais dois lobisomens surgiram, um de cada lado. Tinham vinte e dois aqui agora.
Era como se brotassem do chão.
-ME RESPONDA! -o possível líder, que havia perguntado se nós desejávamos colaborar e que também havia me chamado de lindinha, deu um berro ensurdecedor. Escutei no alto do ginásio as janelas estremecerem. Suas mãos ficaram trêmulas e os olhos mais negros. Ok, nós já vimos isso antes quando acertei o tal de Patrick, e não foi legal o que se sucedeu. Eu não queria ser atacada novamente, e não queria que ninguém fosse. Já que ninguém o respondia, tentei tomar partido da conversa cuidadosamente, hesitante, abri a boca. Ele deu um passo decidido para frente, e minha voz saiu desesperada.
-Que tipo de colaboração? -minha fala soou trêmula, como se eu estivesse morrendo de medo e quase me ajoelhando aos pés daquele maldito. Não estava muito longe disso, porém vampiros têm um senso de briga muito mais forte do que o de auto-preservação. Emmett que o diga. Só não me espanquei por tanta covardia da minha parte porque a vergonha seria maior.
Com um sobressalto, imaginei se Emmett estivesse aqui, e dei glória por Carlisle tê-lo mandado ficar em La Push. Ele já teria avançado em cima desse brutamonte com seu espírito aventureiro e desejo incontrolável de brigar, e por mais forte que nossa raça seja, fiquei em dúvida em quem se sairia melhor numa briga com os Filhos da Lua.
-Ora! –o provável líder que havia feito a pergunta, bateu palmas, sarcástico. – O gato não comeu a língua dela garotos?
Gargalhadas irônicas saíram daquelas bocas imundas. Se cada um deles soubesse o quanto, mais o quanto isso me irritava, nunca o fariam.
-Queremos uma resposta também. Agora. Não queremos atacar, então, por favor, contribuam. Que tipo de colaboração vocês desejam de nós? –Carlisle tomou partido da negociação de paz no ginásio. Eu quase dancei de felicidade ao saber que não precisava mais conversar com o possível líder. O guarda-roupa respondeu Carlisle, muito mais rápido do que nós respondemos ele e seu grupo.
-Em primeiro lugar, prazer. Sou Evans, líder de todos estes belos rapazes! -ele deu uma piscadela para Renesmee e senti Jacob rosnar. Acertei quando o imaginei como líder. –E o que vocês atacaram, quer dizer, o rapaz que a bela garota loura atacou, também pertence ao meu bando. Ele é Patrick.
Com um sobressalto, relembramos que atrás de nós havia um lobisomem. Esperava que se ele resolvesse nos atacar, alguém desconfiasse, já que tínhamos a atenção voltada a Evans, e não nele. Eu virei para olhá-lo, porém Patrick já estava se dirigindo para o lado do líder, que continuou sua apresentação até que amigável para todo o estresse que havia acontecido.
-Acho que vocês nunca viram um de nós. Quanto mais em um número tão grande! Não é? Entendo todo esse espanto. –Evans piscou para mim. Ele estava me provocando. –Quanto a colaboração de vocês… nós estamos precisando de uma ajudinha contra…. Os Volturi. Querem a baixinha livre, não é? Pois então. Que tal um acordo?
Engoli seco e escutei alguns de minha família bufar. Este maníaco mandou matar Noah, seqüestrou minha irmã, reuniu um bando de peludos, e está pedindo nossa ajuda contra os Volturi para libertar Alice?!
-Que tipo de doença mental você tem? –eu rosnei, não conseguindo manter minha língua dentro da boca. De novo, me arrependi tarde demais quando Evans me fitou doentio.
-Ninguém enfrenta os Volturi. –Carlisle tentou contornar educadamente minha falta de noção.
- Só queremos minha irmã de volta. –Edward ajudou tentando ser tranqüilo e me lançando um olhar de reprovação pela teimosia em falar na hora errada. Não jogue a maldita culpa de eles serem descontrolados em mim. O que ele pediu é impossível!
-Agora. Queremos Alice já. –Jasper respirou fundo ao falar, tentando não rosnar. Edward retribuiu meu pensamento com um olhar de impaciência. Vá se ferrar então! Ele devolveu um olhar incrédulo e me ignorou. Ótimo.
Sei que não ajudei ao falar com Evans daquele jeito, mas não me ordene a ter calma e agir com respeito quando estamos no meio de um verdadeiro zoológico! –minha mente gritou para Edward. Ele me fitou pelo canto do olho e concordou com a cabeça, exasperado. Logo depois, murmurou um pedido de desculpas a mim que ninguém mais entenderia.
-Não minta Carlisle… –Evans voltou a falar. Como ele sabia o nome de meu pai? Vigiou-nos há tanto tempo assim, ou Alice contou para ele? -Ninguém enfrenta os Volturi, exceto vocês! Não é?
Edward cerrou os olhos para ele, e Jasper reprimiu outro rosnado.
-Meu bando e eu já sabemos que vocês os conseguiram impedir. Que reuniram vários clãs contra Aro. E que venceram! A prova disto é vocês… bem vivos… diante de mim! –Evans quase cantarolou. Ele devia ter arrancado isso de Alice. Não quis imaginar se por métodos tortuosos ou não.
Carlisle ficou confuso com tantas informações sobre nós sendo dadas, e queria mais informações sobre quem era o bando de Evans. Todos nós queríamos entender o porquê dele estar fazendo tudo isso.
-Realmente não estamos entendendo como sabem de tanta coisa. E qual o objetivo real nisso tudo. –Carlisle declarou. -Por gentileza, podemos ir a um lugar mais reservado, onde possamos conversar em paz? –ele enfatizou a última palavra num ato corajoso.
Patrick encarou Evans abismado enquanto o líder dele ponderava sobre o convite de meu pai.
-Evans, não vai confiar tanto assim em um bando de vam… –Patrick começou.
-Eu sou o líder Patrick. –Evans silenciou seu seguidor, e lançou para ele um olhar de cale-a-boca-seu-otário-porque-sou-eu-quem-mando.
-Claro. –Evans respondeu a Carlisle. -Vocês não podem nos ajudar com algo que não sabem do que se trata. Em paz? -Evans estendeu a mão para Carlisle, num gesto que firmaria a espécie de contrato pacífico feito entre eles. Meu pai estendeu a dele e confirmou o trato.
-Em paz. –a voz calma de Carlisle ressoou pelo ginásio.
-Nos sigam então. –Evans nos pediu e disparou na frente de seu bando. Ele saiu como um vento pela porta dos fundos do ginásio, com os outros atrás dele, e nós atrás dos outros.
Após sairmos de vez do ginásio, vimos que a área que o rodeava dava para uma mata fechada, comum nos arredores daquela minúscula cidade. Vampiros, metamorfos e lobisomens se enfiaram no matagal.
Quando achei que iríamos parar de correr, começamos a acelerar ainda mais. Os galhos das árvores quebravam-se instantaneamente ao chocarem-se com nosso corpo. Porém, nenhum de nós havia alcançado a velocidade máxima ainda. Eu estava logo atrás de Jazz na corrida, com Bella e Nessie atrás de mim.
O grupo de lobisomens, que estava na frente de todos, sofreu uma onda de tremores e alguns rosnados saíram. Um pânico estranho encheu minha mente quando pensei que fossem descumprir o trato e nos atacar ali mesmo. Mas Evans gritou antes que o inevitável acontecesse com eles, nos tranqüilizando.
-Iremos mudar de forma para corrermos mais rápido até o lugar. –sua voz fez as árvores se chacoalharem. -Se os seus amigos quiserem, podem fazer isso também!
Ele estava se referindo ao bando de Jacob. Evans notou o que Seth, Leah, Jacob e Embry –principalmente Embry, que virou um lobo para ajudar Edward contra Patrick- eram. Ele deveria ter ficado surpreso em saber que metamorfos também existiam. Ainda mais metamorfos que ajudavam vampiros.
Fiquei curiosa para saber a diferença entre a espécie de Jacob e a de Evans. Nunca havia visto um Filho da Lua. Na verdade, acho que nenhum de nós havia. Gostaria de saber se a única coisa em que eles se diferem é quanto ao veneno. Porque lobisomens verdadeiros são transformados com veneno, assim como vampiros. Já os metamorfos dependem da genética.
Enquanto minha mente vagava especulativa, aconteceu algo que nunca imaginei. Para falar a verdade, só vi em filmes de terror e mesmo assim não era tão… maluco.
O bando de Evans teve mais uma onda de tremores coletivos, muito mais fortes que da última vez, e quando me dei conta, não eram mais pessoas correndo. Eram lobos enormes, um pouco maior do que os metamorfos são. Que uivaram juntos como em sinal de orgulho e lealdade ao grupo. Escutei o queixo de Jasper e Bella se estalarem ao deixarem eles se abrirem.
Seguido deles, foi vez dos metamorfos de La Push se transformarem. Só foi preciso uma onda de espasmos violentos para eles se transformarem em lobos gigantes. O bando de Jake também uivou em conjunto, demonstrando o mesmo respeito ao alfa que os lobisomens demonstraram ao líder deles.
Esperava que no meio dessa competição inconsciente que lobisomens e metamorfos faziam quanto a qual espécie parecia ser melhor, eles também notassem que após a mata havia a cidade. E na cidade havia pessoas. E que pessoas não gostavam de bichos que uivavam.
Notei que na forma animal, as duas espécies eram idênticas, só se diferenciavam um pouco em tamanho. Na forma de um animal. Porque na forma humana, Jacob ou Seth eram fortes, mas não engoliram um guarda-roupa como Evans e Patrick. E não tinham aquelas caras animalescas e sedentas dos Filhos da Lua. Sinceramente, os lobisomens tinham as expressões de psicopatas dos piores filmes de terror. Jacob e Seth não. Pelo menos até onde os conhecia.
Então todos atingiram a velocidade máxima, percorrendo a mata como vários raios sendo despejados.
A multidão de seres das trevas, incluindo os Cullen, parou em um lugar bem bonito no meio da mata. Um riacho cortava o meio do local, e as pedras grandes viravam assentos para pescaria. Atrás das pedras, flores coloridas enfeitavam a paisagem. Era um lugar tão bonito para criaturas míticas como todos nós passearmos. Chegava a ser irônico.
Se o assunto ou situação não fosse tão tenebroso, e se fôssemos amigos, nós poderíamos relaxar deitando na relva verde agora. Metamorfos, vampiros e lobisomens.
Porém os Filhos da Lua são inimigos neste momento. Inimigos no qual confiamos, mas ainda sim, inimigos. Até tudo ser esclarecido devidamente eles não mudarão de status. E não podemos relaxar sabendo que estão com Alice, e que querem enfrentar os Volturi.
Quando parei de pensar um pouco e fitei minha frente, todos os que se transformaram em lobos já estavam vestidos com as roupas que usavam no ginásio. Eu nem tinha visto que eles haviam tirado suas roupas antes de virarem animais gigantes.
-Antes de tudo… –a voz de Evans acabou com o silêncio que enchia a linda clareira. Ela havia assumido um tom mais grave que o normal.
- Devemos explicar quem somos, e porque queremos atacar os Volturi. Espero que curtam histórias de terror.
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