O caçula
Levantei da cama quando o despertador tocou. Por mais que não dormíssemos, era uma mania colocar ele para nos levantar da cama no horário certo. Logo Carlisle iria para o hospital, então tínhamos que descer e conversar sobre ontem, assim como ele pediu.
Emmett se revirou na cama como um humano, bagunçando as cobertas e enfiando o travesseiro por cima da cabeça.
-Vamos Emmett, se você não fosse um vampiro poderia jurar que está com sono. –eu disse enquanto vestia alguma roupa.
-Hmmm… –foi a única resposta que obtive. Realmente, ele está agindo como um humano sonolento.
Dei um tapinha em suas costas e o virei para me olhar nos olhos.
-Se vista querido. Carlisle tem razão em querer esclarecer tudo sobre ontem. –minha voz soava angelical.
Ele pulou da cama como um raio e catou qualquer roupa no caminho, decidido a enfrentar nossa conversa com Carlisle logo.
-Ei Emmett! –eu ri confusa ao observá-lo.
-Que foi? -ele coçou os olhos como se fosse uma criança pequena. Meu coração se derreteu com o quão fofo isso soou.
-Se não notou, está tentando vestir minha blusa. –eu gargalhei.
-Ah! -ele arregalou os olhos com surpresa e a jogou na cama. Emm resolveu descer as escadas somente de shorts.
Segui rumo à cozinha e vi que Carlisle já estava sentado na mesa, com meus irmãos e lobos o rodeando. Pelo que notei só Alice e Jazz não estavam aqui ainda. Sentei-me ao lado de Bella e comecei a batucar os dedos na mesa, impaciente.
-Isso é altamente irritante. –gemeu Jacob ao escutar minhas unhas se chocarem com a madeira. Embry, Leah e Seth concordaram com a cabeça.
Movimentei meus dedos ainda mais rapidamente. Era bom irritar Jake de vez em quando. Ele revirou os olhos e tapou os ouvidos com a mão. Alice entrou na cozinha de mãos dadas com Jasper, e parecia ainda mais contente que o normal.
-Ah! Aí está ela. Achei que tivessem morrido no quarto! -Edward lançou uma piscadela para Jazz. Ele sorriu com malícia.
-Bem. –Carlisle pigarreou e começou nossa reunião. –Acho que a partir de agora devemos ficar mais observadores ao que acontece em nosso redor. Pois como vimos, existem espécies que podem passar por nosso clã. Edward, você não captou nenhum pensamento deles enquanto vocês estavam apostando corrida a meses atrás? Pois aquele estrondo na mata foi causado por um lobisomem. Lembram-se não é? Eles já nos vigiavam.
-Não Carlisle. –Ed respondeu. -Porém quando estávamos em Allen Park, captei muita coisa na mente deles. Enquanto eles são humanos, eu posso ler seus pensamentos. Já na forma animal, não. Isso explica o porquê que eu nunca captei a mente deles por aqui. Eles estavam na forma animal.
-Entendo. –Carlisle disse curioso. –O que viu na mente deles enquanto estavam na forma humana?
-Evans realmente não queria que o bebê tivesse sido morto, ele estava completamente culpado. –Ed fez uma careta. -Seu pensamento já estava me incomodando com tanta culpa. Agora ele planeja encontrar mais aliados, treiná-los, e só então atacar os Volturi. Ele ficou magoado em não ajudarmos, porém compreendeu nosso modo de vista. E ficou feliz em conseguir mudar nossa opinião sobre lobisomens.
-Realmente. –apontou Carlisle. –Os Volturi enganam nossa espécie ao falar dos lobisomens. Os únicos malvados nesta história são eles mesmos. Espero que quando Evans ataque, ganhe. –nunca vi Carlisle ser tão insensível com seus antigos amigos como agora.
-Carlisle… –Jasper tagarelou. –Você, quando era humano, caçava além de vampiros, lobisomens também, não é?
-Sim. Eu caçava criaturas sobrenaturais. –meu pai fez uma careta estranha. –Mas raramente as encontrava. No dia em que fui mordido, tive sorte de achar aquele bando de vampiros nos esgotos. Nunca havia achado um lobisomem. E na minha época, as lendas sobre eles tinham tantas coisas falsas como as dos vampiros têm. Na verdade, até hoje é assim.
-Mas… –Edward ponderou. –Se os Filhos da Lua não são tão horríveis assim, se isso foi uma imagem que os Volturi inventaram deles, porque os humanos julgam os lobisomens como seres ruins também?
-Porque o que os Volturi falam se espalha pelo mundo. –Carlisle sorriu secamente. –Os humanos acham que lobisomens são assustadores graças as mentiras que os Volturi espalharam. Claro que devia existir algum Filho da Lua revoltado e assassino, mas não são todos como os humanos pensam. Não são todos os lobisomens que tem as características dos relatos humanos. Os verdadeiros lobisomens que faziam algum mal aos humanos, eram exceções. Deviam estar cansados da vida de fugitivo. A maioria deles só queria paz, e busca isso, como Evans.
-Alice… –Esme parecia ansiosa. –Você não consegue ver o futuro dos lobisomens não é? Pois se pudesse, você teria visto eles nos vigiando e fazendo tudo o que fizeram.
-Pois é Esme. –a voz de Alice estava triste. –Pelo que vejo meu poder é limitado para humanos e vampiros. Não vejo muito bem híbridos, quanto mais lobisomens e metamorfos.
-Alice, você nos ajuda muito com seu dom. Não se martirize. –Esme sorriu.
-Antes de vocês me acharem, eu vi que estavam chegando a cidade. –Alice continuou. -Eu vi que estavam me procurando. Mas… Eles notaram a presença de vocês, e arrastaram-me para aquela mata. Disseram para eu ficar lá, e que se não obedecesse, minha família iria pagar. Nem me movi. Não sabia nada sobre a espécie deles. Jasper me explicou agora que eles não são tão ruins assim… Então, enquanto eu estava esperando na mata, o futuro de vocês desapareceu, e depois de um tempo, apareceu de novo. Logo escutei Rose me chamando e nos reencontramos.
-Mas… –eu estava confusa. –Nosso futuro só desapareceu quando entramos em contato com os Filhos da Lua? Você não deveria estar nos vendo, graças à Nessie e lobos.
-Eu foquei somente nas decisões de Carlisle. –ela sorriu. –Ando conseguindo ver nossa família quando foco somente nas decisões de alguém que não seja Ness e compania. Está funcionando, às vezes vejo vocês bem nítidos e outras vezes embaçados. Mas é um começo. Estou me aperfeiçoando nas visões. Então, eu consigo ver o futuro de vocês quando estão com estes traseiros embaçados junto, focando só nas escolhas de alguém, como fiz com Carlisle!
-Mas e quando encontramos Evans? –Esme perguntou.
-Tudo desapareceu. –Alice franziu o cenho. –Eu tentei focar nas decisões de só um membro da minha família, assim como tinha feito antes e tinha funcionado. Mas não adiantou. Os Filhos da Lua bloquearam totalmente minha visão.
-Ficou cega então maninha? –Emm sorriu para ela. Alice mostrou a língua para ele. –Seu eu estivesse lá em Allen Park, escutando a história do Evans que Rose me contou pela noite…
-Você os ajudaria. –Alice completou a frase. –Você é um doente por brigas Emmett! Pense em Rose! Na verdade, eu também gostaria de ajudar, por mais que eles tenham me tornado refém. Jazz me contou a história deles, e vi que é um absurdo o que aconteceu.
-É Alice, ele tem motivos para uma rebelião. –Carlisle concordou. -Mas seria arriscado demais para nós ajudá-los. Os Volturi não aceitam parceria de vampiros com Filhos da Lua. Aro já ficaria furioso se soubesse que entramos em contato com eles. Imagina se aceitássemos ajudar? E pode ter certeza, o ataque dele ainda irá demorar a acontecer.
-Porém quando acontecer, será devastador. –Jasper previu. -São muitos lobisomens, e se arranjarem algum aliado poderoso além do Clã Romeno, podem ter a chance de acabar com os Volturi.
-Amém. –emendou Emmett e acabamos rindo. Pensei em Jane sendo queimada no mesmo instante. Ela aprenderia á nunca mais causar dor á ninguém.
-Bem… –Edward disse hesitante. -Acho que pelo que entendi na mente deles, quando ainda estavam na forma humana, na Lua Cheia eles sofrem influência. Como: seu cheiro não pode ser percebido por outra espécie, e ficam mais fortes e rápidos. Evans pensou em nos contar isso, mas achou que era informação demais.
Lembrei-me de quando coisas estranhas estavam acontecendo. Como quando sentia algo nos vigiando, mas nunca sentia o cheiro. No dia em que estava na banheira com Emmett, isso deve ter acontecido. Lembro-me que era Lua Cheia. E eu tinha sentido algo estranho, porém não achamos nada. Então se devia ao fato da influência deles com a lua.
Interessante.
-Paul fez contato comigo mais pela manhã. –Leah entrou na conversa. -Disse que Sam explicou tudo o que Jake havia passado para ele aos outros. Rachel está devastada, mas entende o porquê de tudo isso. Está mais conformada agora. Paul está péssimo, e assim como Rachel entende que pode realmente ter sido um acidente dos Filhos da Lua. É algo difícil de superar para eles. Paul me disse que logo tentarão ter outra criança.
-Isso é bom. –Esme sorriu. -Logo a vida deles irá se acalmar. Nada de estranho agora está acontecendo, os problemas passaram. Evans sabe que não queremos mais nada com eles. Carlisle só chamou vocês aqui para falar: mantenham-se sempre alerta, mesmo quando tudo está calmo. Os lobisomens que estavam nos vigiando conseguiram passar pelos nossos poderes. Nossa sorte, é que eles resolveram não ser inimigos. Agora se algum verdadeiro inimigo, de qualquer espécie, conseguir passar por nós… Teremos aquela dor de cabeça. Então, cuidado meus queridos.
-Sim, agora estaremos sempre alerta. –concluiu Bella. Senti que a reunião de família chegou ao fim. Carlisle se levantou e despediu-se de todos, tomando rumo para a garagem. Era a hora de ele ir para o hospital.
O telefone tocou estridente, fazendo alguns de nós pular de susto. Bella o atendeu assim que reconheceu o número no identificador.
-Zafrina? -a voz de minha irmã soava surpresa.
-Sim Bella! Há quanto tempo garota! Como estão às coisas por aí? -realmente era a voz de Zafrina. O que ela queria?
-Só falta ser coisa ruim… –Emmett murmurou no meu ouvido.
Carlisle retornou da garagem, entusiasmado com a ligação inesperada. Mas também seu olhar mostrava precaução.
-Está tudo bem agora. Alguns probleminhas “básicos” já foram resolvidos. E por aí? -Bella estava quicando ao lado do sofá. Alice parecia sentir ciúmes com a amizade de Bella e as Amazonas. Emmett quase riu da cara dela ao meu lado.
-Tudo em ótimas condições. Só espero que Alice não tenha estragado a surpresa que eu estou prestes a fazer. –Zafrina parecia muito contente. E minha pequena irmã cerrou os olhos, como se falasse “Não sou tão estraga prazeres assim!”.
Alice concentrou-se no vazio. Logo sua expressão se fechou em desânimo.
-Por que não consigo ver o futuro do clã de Zafrina!? -ela berrou em frustração.
Zafrina, Senna e Kachiri riram da crise de minha irmã do outro lado da linha.
-Bom… –continuou Zafrina. –É ótimo que Alice não possa estragar a surpresa! Posso dizer que o poder dele realmente é de dar nojo!
-O poder de quem? -Carlisle falou dividindo o telefone com Bella.
-Meus queridos, eu tenho um rapaz que quer juntar-se a vocês! –Zafrina quase cantou de alegria.
Como assim?
Esme arregalou os olhos e tentou tomar o telefone das mãos de Bella freneticamente. Porém Carlisle estava mais próximo e o pegou primeiro.
-Como ele ficou sabendo de nós? O que ele faz aí com vocês? O que… –Carlisle estava histérico.
-Bem, estávamos em uma caçada quando ele apareceu. –continuou Zafrina. -Disse-nos que estava vagando por aí, à procura de um clã em que pudesse se encaixar. Ofereci o nosso, afinal, ele é uma boa pessoa. E não posso negar que já faz um tempo que nós procuramos algum parceiro. Mas quando o rapaz notou nossos hábitos alimentares, disse que não queria mais essa vida, queria algo diferente. Ele nos disse que havia cansado de ser o monstro sanguinário. Então, falei de vocês.
-E….. – estimulou Esme se engasgando com o ar de tanta emoção.
-E então ele pediu-me para entrar em contato com vocês. O garoto está decidido. Ele me disse que já morou na América do Norte, porém, estava indo para qualquer lugar procurando por uma nova vida. Ela vaga pelo mundo na verdade. Carlisle eu juro por mim própria, ele é bom. E você irá adorar recolher um garoto como ele em seu clã!
-Sim. Eu confio em você! Porém queríamos mais informações sobre ele. -Carlisle quicava junto de Esme, como duas crianças prestes a ganhar um brinquedo. Chegava a ser cômico. Eles deviam estar felizes por poderem ganhar mais um filho sem ter que transformar ninguém.
-Ele gostaria de falar somente com vocês sobre a história dele. Ou pelo menos esperar vocês estarem perto dele. Não sabemos direito sua história, e te falei tudo o que podia. Você ficará sabendo assim que vê-lo Carlisle. Ele prometeu contar á todos nós.
-Ah, tudo bem. Então, quando ele vem? –meu pai não conseguia segurar sua excitação.
-Bem, ele poderia ir amanhã mesmo. Porém quero que vocês venham buscá-lo. Ele não é um recém criado, mas seus hábitos alimentares fazem seus olhos ficarem vermelhos como os meus. E um vampiro “carnívoro” sozinho em um aeroporto não seria legal. A ajuda de vocês seria boa para ele. Ele já vai se acostumando. –Zafrina deu de rir.
-Entendo. –Carlisle olhou para nós e sorriu ainda mais. Jasper começou a gargalhar por tantas emoções que nosso pai transmitia.
-Ah! -Zafrina acrescentou. –E também queremos que vocês venham porque Bella me prometeu, há sete anos atrás, que traria Renesmee para uma visita. É hora!
Parece que o Clã das Amazonas estava tão histérico quanto Carlisle. Essas garotas solteiras tinham uma aura tão boa quanto o Clã Denali. Exceto pelo fato de que elas não seduziram os homens no seu passado.
-Zafrina. –a voz de meu pai até falhou de contentamento. –Estaremos todos aí, amanhã. Encontre-nos no aeroporto. Mas se alimentem bastante antes de ir para lá, e usem lentes ou óculos escuros.
-Tudo bem! Sairemos agora para caçar. Até amanhã Carlisle. Siga o mesmo endereço que passei para Bella há algum tempo. Não somos tão nômades assim! Aguardo vocês.
-Combinado. Só me fale uma curiosidade. Se eu não lhe perguntar isso, Alice irá se autodesmembrar na minha frente. –Carlisle gargalhou ao observar Alice esfregando suas têmporas em busca do futuro das Amazonas. -Qual é o dom deste rapaz, que impede Alice de ver o futuro de vocês?
-Bem, seu dom é de causar repulsa em tudo ao seu redor. Ninguém consegue focar a atenção, ou rastrear seu cheiro, futuro ou pensamentos com esse dom ativado. Ele consegue selecionar pessoas que ele quer que o dom funcione ou não. Normalmente, quando ele não conhece a pessoa, o dom está automaticamente ativado. A pessoa sente nojo, é repelida. Mas quando ele quer, “desativa” seu poder, então os outros dons voltam a funcionar sobre ele.
Um coro de “Uau” se formou em nossas bocas. Que dom perfeito.
-Nossa! Realmente, inacreditável Zafrina. Bem, até amanhã. E se possível, fale para ele desativar seu dom para Alice poder vê-lo. Ela odeia ficar cega. Abraços. – despediu-se Carlisle por todos nós.
Bella encaixou o telefone no gancho para ele, e a gritaria começou. Eu também não agüentei.
-Oh meu Deus! -Esme pulou para os braços de Carlisle. –Um novo filho, querido!
-Já não gostei dele… –Alice cuspiu, cismada com o dom do garoto. –Mas… Um novo irmão! Isso é ótimo!
-Mais um fedorento para agüentar… –bufou Jacob, mas sorriu feliz por Esme.
-Há! Quero ver quem se mete com os Cullen agora! -Emmett ergueu os braços e me puxou para mais perto dele.
-Nossa família é demais! Quantos dons nós temos?! -Bella quase cantarolou. Edward sorria muito satisfeito.
-Aro vai se comer de raiva quando ficar sabendo! -Emm gargalhou enquanto eu praticamente saltitava pela sala.
-Acho melhor ele nem desconfiar… –Ed fez uma careta. -Iria querer seqüestrar nossa família, ou esperar por um deslize para acabar com todo mundo. Ele teme que um dia nos voltemos contra ele. Teme que nosso clã se torne melhor que o dele.
Carlisle estremeceu e Emm gargalhou muito alto. Tão alto que as janelas vibraram.
-Aro é um retardado! –Emmett gritou de felicidade. -A própria Jane poderia fazer ele se contorcer se quisesse. Mas ela não se volta contra o MESTRE. –ele imitou a voz de Jane e o seu olhar de um jeito cômico. Gargalhadas ecoaram em toda a sala.
-Bem que podíamos atacar os Volturi! -gritou Ness. –Evans iria adorar mais um a seu favor! E os Volturi nos temem.
-Querida… Pense bem. –advertiu Edward.
-Eu sei que não pai… Mas…
-Eu sei querida, é tentador. –Bella riu.
-Então nada de aula pelos próximos dois dias! -Jasper comemorou sentado no braço do sofá.
-Espero que não haja problemas quanto a isso. Vocês faltaram muito no primeiro semestre por causa do sol. Eu sei que o segundo está quase acabando, mas… Não seria legal se vocês bombassem por falta de freqüência. –Esme falou autoritária como uma mãe.
-Está tudo bem Esme. Hoje foi o segundo dia que faltamos neste semestre, não iremos bombar por falta de freqüência. –Edward concluiu o tema escola, orgulhoso por ela não nos atrapalhar.
-Então arrumem as malas, iremos passar dois dias na América do Sul. –Esme jogou os braços para cima e Carlisle a rodopiou no ar. Era bonito enxergar a família assim.
-Ei acalmem-se pessoal, a emoção de vocês está quase me explodindo. –Jasper falou incomodado.
Rimos de sua expressão e todos nós subimos para os quartos, indo arrumar as malas. Pensei em algo que Carlisle esqueceu. Apontei minha cabeça para fora da porta e o vi no corredor.
-Pai, você não tem que ir ao hospital nos próximos dois dias? Como irá fazer com o trabalho? –eu sorri para ele. Como Carlisle se esqueceu disso!?
-Bem, eu tenho o horário de vários plantões acumulados. Posso pedir esses dias de licença. Vou fazer isso agora. –ele deu uma piscadela para mim e fez uma ligação no seu celular.
Entrei de novo no meu quarto e Emmett estava na cama. Segurando um cachecol meu.
-Eu não vou levar isto! Lá é calor. –fiz uma careta.
-Eu sei, é que este negócio que você usa no pescoço me lembra uma cobra. –ele sorriu.
-E daí? –a confusão brotou na minha cara.
-Iremos caçar uma sucuri Rosalie! Lá existem sucuris! Yeah vai ser emocionante bebê! –Emmett ficou de pé em nossa cama e começou a pular, lutando com meu cachecol como se fosse realmente uma cobra.
-É vai ser legal. –eu disse enquanto ria dele e seu teatro. -Só espero que não nos vejam caçando e denunciem-nos por matar animais em extinção.
-Não irão ver! -prometeu-me Emmett fazendo beicinho e cara de anjo. Ri ainda mais. É realmente incrível como ele consegue me fazer tão diferente por dentro e por fora.
-Quem não conhece até te compra. –eu falei á ele, que ainda tinha seu rosto numa careta angelical.
-Eu sei gata. –afirmou ele presunçoso. Emm se deitou novamente e esticou uma perna para fora da cama, formando uma barreira que me forçava de encontro a ele. Na verdade, era um gancho, já que ela passava pela minha cintura para prender-me.
É óbvio que Emmett tem mais força que eu. Ele era o vampiro mais forte que já conheci. E para ser sincera, eu não queria lutar.
Quando minhas mãos passaram pelos botões da camisa de Emmett e nossa respiração já se encontrava irregular, alguém bateu na porta e a abriu. Sem permissão nenhuma.
Os olhos de Bella se arregalaram, e ela realmente parecia que corou. Com certeza, ninguém a avisou o que se passava neste quarto. E como sempre foi distraída, não notou os barulhos também.
-Er… Desculpe a falta de privacidade, é que… –ela ficou desconcertada. Emmett gargalhou e piscou para ela.
Eu também estava envergonhada, saí de cima de Emmett e coloquei-me de pé. Notei então que não estava vestida da cintura para cima. Fiquei ainda mais envergonhada.
Cobri-me com meus braços numa atitude inútil. Emm gargalhou ainda mais.
-Relaxe Bells. –meu marido a fitou divertido. –Você não invadiu o quarto na melhor hora. Quer voltar depois para ver essa parte?
-EMMETT! –Bella gralhou e escutei Ed rindo do quarto dele.
-Er… Tudo bem Bella. –eu comecei a falar constrangida. -Culpe Edward, ele poderia ter lhe avisado. Alice também. E a senhorita podia ter escutado muito bem antes de entrar. Mas já que está aqui, tudo bem, o que foi?
-Vou ser rápida. –Bella fitou Emmett, que estava teimando em desabotoar minha calça. Dei um tapa na sua mão quando ele arrancou o primeiro botão. Bella quase ficou vermelha, e continuou a falar como se nada tivesse acontecido. -Esme pediu para mim que avisasse a todos para arrumarmos as malas rápido, pois quanto mais cedo partimos, melhor. Não precisei falar isso para Ed e Alice. Mas como vocês não têm esses dons, tive que vir falar e…
-Tudo bem, sem problemas. –eu a cortei educadamente. -Carlisle já reservou as passagens?
-Sim. Porém o horário da ida depende de quando estaremos lá. Por isso Esme me pediu para nos apressarmos. –Bella novamente fitou Emmett, que brincava sedutoramente com meus cabelos. –Rose, ela disse rápido.
-É… Seremos rápidos. –eu disse e Emmett sorriu maliciosamente. Bella saiu correndo porta á fora.
-Eu não sou obrigada a ver vocês fazendo isso! –ela murmurou enquanto ia para seu quarto.
-Tudo bem Bella! –eu gritei. –Nós vamos arrumar as malas agora, obrigada!
-Vamos Emmett! -eu sussurrei e peguei uma mala debaixo da cama, a lançando para ele.
-Como assim? –seu rosto parecia frustrado.
-Emmett, isto é uma mala. Mala, este é o Emmett. –fui sarcástica ao apresentá-los. -Malas servem para se armazenarem roupas quando estamos de viagem. Entendeu?
-Ora Rosalie! Eu sei disso! –ele reclamou. -Só achei que estava sendo verdadeira ao falar para Bella “seremos rápidos”. Não terminamos o que estávamos fazendo.
-Eu sei. Nem iremos. –sorri para ele enquanto sua boca formava um biquinho. -Esme nos pediu, seja bonzinho. E além do mais, a floresta é muito exótica…
-Tudo bem. –ele saltou da cama repentinamente e enfiou várias roupas dele dentro da mala. Peguei a minha e dobrei peça por peça enquanto ria de Emmett e sua reação ao provavelmente nos imaginar na floresta.
Emm arruinou minha organização e cuidado com minhas próprias coisas, socando o que restava de minhas roupas dentro da mala, e fechando a tampa com um estrondo. Ele puxou o zíper em um segundo, parou e sorriu para mim. Só então observei que ele já havia arrumado sua mala, e que havia acabado de realmente arruinar a minha.
-O que foi isso? -eu estava com raiva. Minhas roupas estariam amassetadas quando eu chegasse à América do Sul.
-Escute. –ele parou de falar e sons de coisas sendo fechadas e dobradas chegaram aos nossos ouvidos. -Os outros ainda arrumam as malas, e nós terminamos as nossas. Sobrou um tempo.
Um sorriso torto passou por seu rosto. Perdi o fôlego quando as covinhas se formaram. Eu não conseguia ficar com raiva de Emmett.
-A floresta pode ser exótica… Mas vai demorar muito para chegar lá. –ele explicou enquanto se aproximava de mim.
Dei conta de que estava na cama agora.
Os botões passaram por meus dedos, e Emm estava sem camisa. Então escutamos outra batida na porta. Emmet bufou alto e revirou os olhos.
-Quem é o engraçadinho? –ele gralhou.
-Não sobrou tanto tempo assim Emmett. –Edward apontou seu rosto na fresta da porta e sorriu quando Emm mostrou a língua para ele. Eternos irmãos…
-Todos terminaram as malas. Vamos. –Bella deu ênfase na frase de Ed. Bufei e me levantei da cama.
-Hum… –Emm suspirou e fez beicinho enquanto abotoava sua camisa novamente.
-Emmett… Não fique com essa cara. –tentei animá-lo. -Não vai demorar tanto, e você irá gostar mais da mata do que de nosso quarto. Sairemos da rotina bebê.
Ele lançou novamente o sorriso torto, animando-se instantaneamente. Passou os braços pela minha cintura e descemos até o primeiro andar.
Minha boca se abriu de surpresa quando vi Leah, Seth e Embry ainda ali, e com mochilas que eu reconheci que eram as que eles haviam levado para Allen Park, fora as malas de Alice e Edward nas mãos. Eles pegaram isso emprestado para quê?
-Vocês vão? –Emm interrogou.
-Sim. –Leah tomou partido da resposta, sorrindo animada. –Carlisle nos convidou. E…
-Ele vai pagar! -interrompeu Seth dando um pulo. Leah deu um tapa em sua cabeça e retomou.
-Conversamos com o pessoal em La Push, e eles ficaram ok. –ela sorriu para Jake. O bando dele gostava de ficar por perto. -Não temos aulas, já que nos formamos faz algum tempo, então… Sem preocupações. Seremos uma boa compania.
Jacob sorriu maquiavelicamente.
-Sei… –eu disse, suspeitando.
Todos começaram a rir e Jacob defendeu-se.
-Está tudo bem sanguessuga… Sem brincadeiras doentias ou provocações nesta viagem. Serei um anjo. E o resto do meu bando também. –ele prometeu beijando as mãos.
-Serão anjos e agirão bonitinhos. Como uma família, certo? –indaguei ainda desconfiada do quão pacífica podia ser essa viagem. –Não se esqueça que somos os únicos vampiros que convivem muito bem com vocês. Então se comportem na casa de Zafrina. Ela vai ter que aturá-los.
-Certo. –os lobos responderam em conjunto, e a expressão de Seth “seremos crianças bem comportadas” me convenceu.
Seguimos para os carros rumo ao aeroporto. Quando chegamos, Carlisle pagou o aluguel para os veículos ficarem ali em segurança total. Fizemos todos os procedimentos necessários para o embarque e ficamos esperando o vôo.
Alguém com uma voz superirritante anunciou o nosso portão de embarque. Logo entramos no avião e estávamos no ar.
Olhava pela janela enquanto o tempo passava. Pelos fusos horários, iríamos chegar à noite por lá. Isso é bom. Nada de brilhar no sol tropical do Brasil. Entendi a pressa de Esme.
Comecei a tagarelar sozinha enquanto Emmett conversava com Jacob.
Como e quem será este mais novo membro da família Cullen?
Nenhum comentário:
Postar um comentário