sexta-feira, 17 de junho de 2011

Diário de uma imortal – Capítulo 18

Nota da autora: desejo que no final deste capítulo não queiram me matar. Por favor, entendam que no desenrolar da história, muitas coisas acontecem. E saibam que Michael Stone arquiteta planos horríveis. Espero que gostem e fiquem ainda mais ansiosas para o capítulo 19. Abraço e boa leitura.
A dor de sentir a perda
-Rosalie! –as mãos pequenas de Alice foram restritivas em meus braços, impedindo-me de andar mais por entre as pedras da montanha.
-Me solte!  -eu rosnei, puxando meu corpo para frente e me libertando do aperto dela. Fitei minha família que me encarava sem saber o que fazer.
-Não se arrisque por nada! –Alice pediu. -Espere até termos alguma pista, por favor!  -ela estava implorando. Eu tive que rir ironicamente de sua primeira frase.
-Como assim me arriscar por nada? –quase gralhei de frustração. -Estou tentando achar Emmett! Ele é tudo para mim! E que tipo de pistas quer ter? Uma visão? Você não pode vê-los, Alice! Michael te repele com o dom que copiou de Fred! Nem Edward, Bella ou Jasper podem nos ajudar contra Michael. Ele está repelindo todos nós! Que pistas você quer ter!?
Eu estava nervosa demais, atordoada demais. Para que diabo de lugar Michael levou Emmett? O que aquele garoto possesso tinha em mente?
A primeira coisa é que eu não conseguia processar o fato de Michael ser um vampiro agora, e ter um dom incrível  como aquele. A segunda é que eu não entendo o porquê dele desejar se vingar de nós, o porquê de tanta raiva guardada. Só porque ele ama Ness, e nunca contamos a verdade para ele!? Ou porque ele é um descontrolado mental que contaria para meio mundo sobre a identidade dos Cullen?
Ele deveria saber que não foi o único garoto rejeitado por uma menina nesse planeta. E não é por causa desse acontecimento que as pessoas saíam seqüestrando e acabando com uma família.
Terceira coisa: por que dons maravilhosos sempre caem em mãos erradas!?
Como Jane, Alec e Michael? Não entendo a lógica disso! Poderes absurdos pertencem à pessoas malignas! Como quem quer o bem pode vencer eles, quando temos poderes não tão eficazes assim!?
E por que essa fixação em ninguém dar paz aos Cullens? Porque não podemos viver em harmonia, como os Denali? Sempre alguém quer acabar conosco. Por quê?
Alice me deixou tagarelar com os pensamentos após a resposta sem educação que dei para ela. O silêncio tomava conta da parte da montanha em que estávamos. Edward não ousava abrir a boca perto de mim, para concordar ou ir contra meus pensamentos. Ele sabia minha situação, e sabia que se eu ficasse nervosa com ele, poderia voar no seu pescoço.
Eu estava raivosa demais para pedir desculpas para minha família por minha atitude. Eu só quero Emmett comigo novamente. E não mediria esforços para achá-lo. Eu tinha que procurá-lo, com ou sem pistas, independente se estava fazendo o joguinho de Michael ou não.
-Vamos para casa, lá resolveremos o que fazer.  –Carlisle disse calmamente, olhando para mim preocupado, como se eu pudesse arrancar um braço dele pelas palavras: vamos para casa.
Eu respirei fundo e tentei não desabar nas próprias palavras. Mantenha a calma, ele é seu pai, pensei.
-Não, Carlisle. –disse com a boca cheia de veneno. -Se vocês quiserem podem voltar, e depois me encontrarem quando tiverem decidido o que fazer. Mas eu não vou ficar parada aqui ou em casa, esperando as pistas surgirem num passe de mágica. Irei atrás de Emmett. Sei que não tenho rastros, porém nunca iremos ter se depender de Michael. Por isso tenho que tentar. Ir para a casa só nos faria esperar mais, e ficar mais longe de onde Emmett desapareceu. E estarmos em casa ou não, não muda o fato de que nossos poderes não funcionam contra ele.
Eu reprimi um soluço quando meus olhos arderam estranhamente. Meu lábio quis começar a tremer e eu o mordi para pará-lo. Sem choro. Agora não Rosalie. Agora não.
Carlisle me fitou solene e assentiu com a cabeça.
-Querendo ou não você está certa. –ele falou. -Iremos nos separar para achar Emmett e Michael, mesmo dando tiros às cegas. Pedirei que Alice, Nessie, Jacob e seu bando e Fred voltem para casa. Alice pode não ver o futuro de Emm e Michael, mas ainda vê o nosso.
-Sim. –ela interrompeu. –E com Ness, Jake, e seu bando separado do resto de vocês que estarão procurando, será fácil para eu poder ver as decisões. Eu poderei focar nas decisões do grupo e individualmente. Se eles estivessem juntos, eu teria um pouco mais de trabalho, e temos que evitar isso.
-Por que não posso ficar junto de quem procura Emmett? –disse Fred com a voz abafada. Só então fitei seus olhos, e ele parecia querer degolar Michael. -Eu não atrapalho Alice nas visões. Não estou repelindo ela.
-Porque em um lugar mais calmo, você teria mais chances de achar um momento em que Michael esquecesse de nos repelir. –Carlisle explicou. -Assim, você poderá repelir o dom dele, e nos ajudaria na busca, porque voltaríamos a ter visões deles, sentir os cheiros e outras coisas. A única coisa que te impede de fazer isso é o fato de que ele está usando seu dom, e te repele. Difícil vai ser ele esquecer de nos evitar, e deixar você anular os poderes dele. Vai ser difícil, mas não custa tentar Fred. Por isso, vá.
-Tudo bem. Mas se precisarem de ajuda nos liguem. –a voz de Fred soava desapontada, mas seus olhos eram raivosos. –Foi muito rápido. Antes que eu pudesse repelir os poderes de Michael, ele já havia copiado o meu e ativado contra mim mesmo. Aquele demônio é ligeiro.
-Sabemos que ele é rápido. –Carlisle concordou. –Não foi culpa sua, Fred. Você não sabia que ele podia duplicar dons, e quando soube ele já havia copiado o seu. Pergunto-me porque tantos vampiros andam tendo dons grandiosos…
-Vocês irão ligar caso precisem, não é? –Alice perguntou preocupada. –Estarei vendo vocês lá de casa, e qualquer coisa, eu ligarei também.
Assenti com a cabeça para ela, e virei de costas para o resto de minha família que ainda terminava de arrumar os planos.
Tinha certeza de que se me olhasse no espelho, ficaria com medo de mim mesma. O quão psicótico era meu rosto nesse momento?
Fitei os olhos de Bella, e ainda eram negros. Porcaria! Nem tempo para caçar direito eles tiveram. Mal chegamos às montanhas Rochosas e já temos um membro da família seqüestrado. Estou cansada disso! Primeiro é Alice, por Evans. Depois eu pelos Volturi. Agora Emmett com Michael.
Minha impressão é que pelos últimos sete ou seis anos, todas as catástrofes foram se acumulando, e estão sendo despejadas de uma só vez agora.
-Michael estava muito raivoso. Se dermos a sorte de encontrar com ele, temos que tomar muito cuidado. –Jasper disse ao lado de Edward.
Michael. O nome dele sussurrava na minha cabeça. Eu realmente deveria ter matado aquele otário quando tive chance.
Michael Stone. Meu punho se fechou e senti minhas unhas cortando a pele de pedra.
As mãos restritivas de Edward foram até as minhas, separando meus dedos da pele cortada, que já se regenerava.
-Vamos. E por favor, tente focar em Emmett.  –ele pediu. Eu respirei fundo e comecei a marchar novamente na direção que tinha ido antes. O resto de minha família me seguia. Todos sem saber que rumo tomar primeiro.
Por que aquele maldito repeliu até o cheiro deles de nós!?
Pulei de um rochedo inclinado à outro, e com impulso me joguei no penhasco. A gravidade foi me puxando para baixo, então meus pés tocaram o chão em um baque surdo, e continuei a andar. Escutei minha família aterrissando logo após de mim.
Michael fugira por aqui? Ou pelo outro lado? Ou pelo norte das árvores? Ou…
Essa imensidão de possibilidades me deixava ainda mais nervosa.
Enquanto corríamos eu inspirava o ar freneticamente em busca de rastros perdidos de Emmett. Nada.
Já estávamos fora das montanhas e aos arredores de Portland novamente. Os raios de sol que acabaram de nascer fizeram minha pele brilhar, e nos enfiamos na mata que cercava a cidade. Ser visto como um diamante gigante em plena rua não seria legal.
Carlisle resolveu voltar para as montanhas, e acabamos concordando com ele. Apontarmos nossas buscas para outra direção seria a alternativa, já que nessa não vimos nem pegadas.
Bem-vindo às Montanhas Rocky. Era o que dizia a placa quando chegamos lá novamente. Agora nós corríamos na direção oposta a que Alice e os que retornariam com ela para casa iam. Corríamos contra Seattle.
Os quilômetros passavam por baixo de nossos pés, então perdi o rumo de onde me encontrava. Havíamos passado em qual cidade mesmo? Só sei que me parecia a uma eternidade de minha casa.
Para onde Michael foi!?
Já havia entardecido quando nos sentamos nos rochedos das Montanhas Rocky. Sim, estávamos lá novamente. Minhas pernas se encontravam entorpecidas pela corrida. Esme teve apetite para pegar alguns alces antes de voltarmos a correr, ela devia estar exausta.
Desta vez, fomos para o norte das montanhas. Meus pés pareciam programados somente para: correr, correr, correr e correr.
E mais uma vez, nada.
Michael foi tão cuidadoso assim!? O nome dele fez as bordas de meus olhos quererem avermelhar-se. Respirei fundo para voltar ao meu controle habitual.
Jasper me tinha sob seus cuidados agora, certamente. Agradeci interiormente por isso. Se sentir calma quando tudo está horrivelmente dando errado é bom.
Eu queria dormir sossegadamente com meu marido se pudesse, ou encostar-me nos ombros de Emmett e cantar baixinho. Meu corpo ardia pela falta dele. E por não saber onde ele estava.
Eu só queria Emmett de novo. Era agonizante não saber se sua vida está bem ou não. Saber se minha vida está bem. Sim, minha vida é ele. É por ele que sempre suportei ser isso. Uma vampira. Por Emmett.
Abri a mochila que carregava nas minhas costas e peguei o cachecol que tinha trago para essa excursão de caça. Ele havia tocado nessa peça de roupa antes de irmos ao Brasil. Seu cheiro estava impregnado nela.
Inalei o tecido e lá estava. Seu aroma doce e refrescante encheu meu nariz. Esse era o cheiro que eu queria sentir. Que tentava sentir a cada passo na corrida que fizemos.
Por que Michael tinha que fazer isso!?
Retomei o ritmo da corrida e segui meus irmãos bem ao lado deles. Agora já estava escuro, e a rota era para o sul das montanhas.
Enquanto íamos em busca de pistas inexistentes, planejava a morte de Michael.
Eu estava com o espírito mais sádico do que Jane agora. Seria tudo doloroso e devagar. A pior morte que um ser de minha espécie pode ter.
Começaria pelas unhas, depois dentes, língua, orelhas, dedos, cabelos e pés. Depois iria para os braços e pernas. Faria questão de colocar tudo no lugar outra vez só para poder arrancar de novo. Isso aconteceria em uma seqüência de no mínimo sete vezes. Após esse procedimento eu faria Fred ativar seu dom sobre ele, já que a esta altura Michael não teria forças para usar o seu verdadeiro dom, quanto mais o que copiou de Fred.
Para falar a verdade, minha vontade era de carregá-lo para Jane. Fazê-la torturar ele a cada duas horas, e trancafiá-lo em algum lugar indestrutível, para morrer de sede ou ficar fraco o suficiente para sofrer ainda mais. Sua garganta aceitaria até seu próprio veneno após tudo isso, de tanta sede e dor.
Ele não irá querer ter nascido. E verá quem realmente Rosalie Hale é.
Não é isso que ele queria saber?
-Rosalie… –Edward chamou minha atenção.  –Foque em Emmett.
Entramos em uma pequena cidade, que se localizava a muitos quilômetros depois das montanhas, quando estava praticamente amanhecendo novamente. Fomos procurar pistas em seus arredores, que era mais rural. Aqui era praticamente como Forks, cercado de verde aonde quer que você se encontre, porém com um ar de rancho.
Passamos ao lado de uma pequena fazenda, e os cachorros de guarda não tinham coragem o suficiente para latir, só para rosnar como idiotas enquanto tinham o rabo entre as pernas.
Mais adentro da área sem urbanização, em pleno bosque de Zona Temperada do Norte, nós estávamos correndo ainda mais.
O frio aqui era intenso, já que o inverno bateu mais cedo este ano. Esperava que o sol frio que estava nascendo não nos atrapalhasse na busca. Fitei acima de minha cabeça, e podia ver os primeiros raios iluminando a copa das árvores. Porém não me iluminavam, já que as árvores eram altas o suficiente para tampá-los e captar tudo para elas. Melhor assim.
Inspirei o ar em busca de algo sem poluição e para sentir o verde, pela primeira vez não tentando captar o cheiro de Emm ou Michael. Então minha atenção foi atraída para o leve cheiro da doce fumaça que senti.
Fitei novamente o céu, andando um pouco mais na mata, e no espaço de um pinheiro entre o outro, pude ver, ao invés do azul, um tom cinza arroxeado.
Edward leu em meus pensamentos o que eu via, e avisou os outros. Seria isso a fumaça que estou pensando?
Senti minha respiração se acelerar. Eu iria surtar neste instante se não me acalmasse logo.
Quanto mais prosseguíamos para frente, o cheiro ficava mais forte. Cheirava fumaça doce. Mas não era qualquer fumaça. Tinha a essência de incenso. Algo típico de vampiros.
Se a fogueira que essa fumaça estava saindo tivesse sido feita para só uma pessoa poderíamos reconhecer quem era, por mais que tivesse virado cinzas. O cheiro da pessoa fica levemente presente lá. Agora se a fogueira foi feita para mais de uma pessoa, os cheiros se misturam, e a fumaça doce com essência de incenso não tem a fragrância única. O que torna as vítimas não reconhecíveis.
A fumaça arroxeada estava ficando cada vez mais nítida no meu campo de visão, e meu corpo tremia levemente em preocupação.
Não. Está tudo bem. Não surte Rosalie. Não surte.
Essa fogueira de vampiros pode ter sido feita por nômades que passaram por aqui e brigaram. Acalme-se. Você não tem provas que nenhum conhecido seu está lá dentro!
Entramos em um espaço mais aberto, onde as árvores não eram tão encostadas umas nas outras. E finalmente vi a fogueira a alguns metros de distância. Inalei profundamente o ar esfumaçado.
Sim. Era coisa de vampiro. A essência de incenso e a cor arroxeada não deixavam dúvidas. Agora quem estava lá dentro, eu só poderia saber se fosse apenas uma vítima. E teria que captar a fragrância desse cheiro detalhadamente. Se fosse mais de um morto que queimava, saber quem era quem seria impossível, por mais que eu captasse as fragrâncias na fumaça. Os cheiros se misturavam.
A fumaça tomava conta do ar aqui, e tapava todos os outros cheiros de minha família. A distância entre mim e a fogueira foram desfeitas quando corri para lá, tomando cuidado para não me aproximar demais e me juntar aos mortos.
Mas então notei que a fogueira era do tamanho que usamos quando colocamos um corpo para fritar lá.
Um corpo.
Não. Não. Não.
Eu estava rezando para que houvesse mais corpos lá, e que não pudesse reconhecer quem eles eram. Mas estava diante de um monte de cinzas queimando, no qual o aroma da pessoa era discernível. Afinal, era só uma pessoa.
Tive medo de inalar a fumaça e reconhecer o aroma do vampiro que tostava.
Coloquei-me ao lado da fogueira, temendo que um incêndio começasse em meu corpo. Fitei dentro dela, novamente notando as cinzas no centro. Minha família ficou um pouco atrás de mim, observando o que eu fazia.
Tomei coragem enquanto minhas mãos tremiam e inalei um pouco de ar.
Havia algo familiar nele. Minhas mãos foram para a cabeça, num ato desesperado. Inspirei o ar com vontade desta vez, inalando bastante fumaça e querendo desfazer quaisquer dúvidas que eu tivesse.
O aroma doce e refrescante estava quase que invisível no cheiro da fumaça, mas estava lá. Minha respiração estava entrecortada de um súbito desespero que preencheu minha mente.
A fragrância era familiar demais.
Não. Não. Não. –minha mente gritou.
Então notei algo que realmente acabaria com minhas dúvidas. Tirei minha cabeça das mãos e olhei para um pedaço de tecido pequeno, que parecia ter sido rasgado, e estava caído no chão. Era menor que a palma de minha mão.
E o material era o mesmo do que Emmett usava pela última vez enquanto caçava.
Encostei meu nariz no tecido, desesperada, e lá estava seu cheiro. O mesmo cheiro que levemente serpenteava aquela fumaça arroxeada.
Segurei um soluço. Sim, eu surtaria. Só tinha que esperar. O torpor tomava conta de mim ainda.
Puxei o ar pela última vez, notando que realmente o cheiro do tecido era igual ao que estava na fogueira. E minha mente fez uma ligação que estava óbvia, porém eu relutava em aceitar.
O pedaço de tecido era de Emm, e quem estava na fogueira, reduzido a pó, tinha o cheiro dele, por mais leve que fosse. Mas tinha. pedaço de tecido era de Emm, e quem estava na fogueira, reduzido
Fechei meus olhos. Não, não, não, não, não, NÃO!
Então só podia ser ele.
Um soluço alto irrompeu de minha garganta e meus joelhos começaram a ceder.
Emmett.
Caí de joelhos e enfiei as mãos na cabeça, mal me importando se estava muito próxima a fogueira. Minha família estava silenciada atrás de mim, certamente notando o que eu também notei.
Senti que era Bella que me abraçava, afagando minhas costas enquanto eu ainda estava caída ajoelhada no chão.
Só poderia ser Emmett quem estava dentro do fogo. O pedaço de pano poderia indicar alguma briga bem feia, que terminou com ele morto. Michael tinha dons o suficiente para incapacitar Emmett.
O cheiro de meu marido estava na fumaça da fogueira. Não havia como não ser ele! Todas as provas incontestáveis estavam bem aqui! Emm lutou mesmo sob os poderes de Michael. E…
Não conseguiu.
Estava morto.  -Parecia que a ficha caiu neste instante.
-NÃO! –arfei entre meus olhos que ardiam, sem sair gotas de água. Meus lábios e mãos tremiam compulsivamente. Bella ainda me afagava, e tinha uma expressão devastada, o que confirma que não estou errada. Ela também sentiu e viu o que eu notei. Acho que todos os que estavam aqui viram.
-Não! Não! Não! -gritei odiosamente. Puxei meu braço violentamente do abraço de Bella e me ajoelhei com minha cabeça enterrada entre as pernas, batendo as mãos fechadas em punhos no chão.
Gritava no tom mais agudo que podia. Meu coração estava dilacerado. Emmett morreu!
Era como se minha alma estivesse saindo de meu corpo e puxando ele brutalmente com garras. Não! Emm não! Meu Emm!
O dom de Jane não era nada comparado com o que eu sentia agora. Isso sim era dor. Dor real. Emmett levou não só parte de meu coração, mas todo ele. Sentia que uma fenda profunda estava se abrindo bem debaixo de meus pés, e eu caía deliberadamente nela.
POR QUE EMMETT!?
Meu sistema nervoso falhou, e não processava mais nada ao meu redor. Eu sentia a perda profunda. Sentia a dor de ter sua própria vida arrancada, enquanto você ainda se mantém vivo. Eu estava viva, mas sem meu coração. Sem minha alma. Onde estava Emmett á essa altura, meu Deus? Onde ele está!?
POR QUE EU NÃO FUI LEVADA JUNTO!?
Gritei ainda mais alto enquanto chorava freneticamente sem lágrimas. Entre soluços e tapas na grama, eu parecia uma criança que perdeu seus pais em um supermercado. Porém eu não reencontraria ninguém novamente. Eu nunca o veria novamente.
Gritei mais. Era como se meus membros estivessem sendo arrancados agora. Não me dei conta do que as pessoas ao meu redor faziam. Só sabia que existia um buraco escuro em que eu estava. Sem nenhuma luz nele. Nenhuma luz.
Afinal, quando sua luz vai embora, os tempos de trevas retornam, não é? Eu ainda teria que viver sem ele? Por que alguém não quer me matar agora!?
Eu gritei mais no meu choro inconsolável. Soluçava infantilmente enquanto todo meu corpo era sacudido por tremores. Algum dia essa dor sairia de mim?
-Rosalie. Querida, por favor.  –Edward escondeu seu rosto quando o fitei. Sua voz soava abafada e trêmula. Eu sabia que meus olhos deveriam estar vazios, e sabia que minha expressão estava desolada. Eu não tinha mais chão agora. Meu irmão colocou suas mãos em meus ombros. –Venha. Não temos mais o que procurar.
Então Edward olhou nos meus olhos e seus lábios tremeram enquanto ele tentava me erguer do chão.
Era verdade. Emm estava morto. Não, não, não, não!
Levantei meu corpo do chão e abracei Ed o mais apertado que pude. Talvez meu coração voltasse para o peito assim. Talvez eu achasse consolo na minha família. Talvez eu reencontrasse Emm outro dia. Era o que eu mais queria. Morrer logo.
Edward afagava minhas costas enquanto tremíamos no estranho choro.
-Ele era um ótimo irmão. –sussurrou Edward. Eu só conseguia chorar mais. Minha garganta estava fechada e parecia que eu podia desmaiar.
Senti a falta de meu marido. A aliança que juramos no casamento pesou em meu dedo. Gritei alto de dor, sem nenhuma lágrima verter de meus olhos. Só soluços. Edward me abraçou ainda mais forte enquanto o resto de minha família se silenciava na tristeza.
Eu não ligava em estar histérica. Esme correu até mim e Ed e afagava minhas mãos, enquanto Bella acariciava nervosamente meus cabelos. Eu ainda estava postada de pé no chão com Edward, sem vontade de me mover. Eu só queria chorar. Só queria Emmett.
Nenhuma daquelas mãos era as dele. E eu nunca as teria novamente. Isso me fazia berrar de dor repetidamente. Não chegava perto da tristeza que senti na morte de Noah, ou perto do desespero de ser levada pelos Volturi. Eram milhares de vezes pior.
Eu queria morrer.
-Não, Rosalie. Vamos para casa, venha.  –Edward tentou me puxar para longe da fogueira. Mas eu não conseguia me segurar nos meus próprios pés trêmulos. Eu queria ficar aqui. Junto de Emmett ou o que restou de meu marido.
Edward me apoiou em seus pés, escondendo novamente sua expressão de mim. Jasper veio segurar uma de minhas mãos, e seu rosto devastado estava contorcido também em esforço. Ele se esforçava para me acalmar.
Mas eu negava. Não queria ser acalmada. Só queria Emmett. Meu Emmett.
Escutei o telefone celular de Bella tocar. A voz de sinos, estridente do outro lado da linha, era de Alice.
-Não pode ser verdade. –ela disse tentando esconder um soluço. Então ela viu o meu futuro, e descobriu o que estava se passando. Já que o futuro de Emm e Michael estava indisponível. Na verdade, Alice nunca mais veria Emmett.
-É, Alice. Todos nós sentimos seu cheiro na própria fogueira. E havia um pedaço de tecido que era dele também. –Bella respondeu, com sua voz abatida. Escutei um estrondo do outro lado da linha. Parecia que alguém bateu a porta com força.
-Fred! –Alice gritou e falou rapidamente antes de desligar: – Droga! Ele se sente culpado, vou conversar com ele. Tudo sob controle. Fale para Rosalie que… Eu quero muito ajudar ela.
-Tudo bem. –Bella finalizou com uma expressão entristecida. Os lábios dela também tremiam. Carlisle e Esme estavam do outro lado da fogueira, abraçados uns aos outros e claramente chorando pela perda do filho.
Eu ia começar a gritar de novo. Por que minha vida é tão desgraçada? Por que quando uma pessoa me faz feliz ela some?
E por que Fred sente-se culpado? Ele não é o culpado!
Sou eu mesma. Por não ter matado Michael no parque aquele dia.
-Não se culpe, Rose. Ninguém é culpado.  –Edward novamente me reconfortou.
-Vamos para casa.  –foi tudo o que consegui dizer antes de começar a gritar de novo, com as mãos tapando meus olhos. Minha mente vagava para as lembranças que eu tinha com Emm á cada instante.
Era dor demais. Solidão demais. Perda demais. Eu não conseguiria andar, por mais que estivesse sendo apoiada por Edward. Então ele me ergueu nos braços, carregando-me no colo como uma autêntica criança. E eu não passava disso agora. Como iria passar?
Enquanto eu era carregada por Edward e escondia meu rosto em seu peito, vi Carlisle esconder sua expressão de mim. Ele tentava acalmar Esme enquanto voltávamos para casa. A dor dele poderia ser comparada com a minha?
O garoto de covinhas que eu salvei, nunca, nunca mais voltaria.
Pensei em minha vida. Agora realmente vale a pena?
Peguei no bolso de minha jaqueta o pedaço de tecido que tinha o cheiro de Emmett.
Quanta saudade eu já sentia.
Relembrei os momentos, como se para sofrer ainda mais. Mas eu queria lembrar. Era a única coisa que me restava dele.
Emm foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Vi o dia em que o salvei, quando ele se transformou, nossa primeira caça juntos, o primeiro beijo, o anel de noivado, o casamento, a lua de mel, as apostas e corridas, a raiva que ele já me fez sentir, o seu jeito infantil e brincalhão, seu sorriso sereno e muitas vezes malicioso, seus olhos castanhos me fitando, seu abraço apertado.
Sua voz e seus beijos apaixonados.
Esse era meu Emmett. Deixei um outro soluço escapar de mim. Seguido por outros. Muitos outros.
Edward via meus pensamentos e sua expressão entristecia-se cada vez mais.
Obrigada por estar me ajudando. –pensei, com dificuldades para falar sem gritar, enquanto ele ainda me carregava floresta á fora.
Lembrei-me de quando Emm me disse uma vez que nosso amor era como o infinito, pois o começo sempre foi incerto, mas nunca teria fim. E então ele sorriu com suas covinhas, e fez nosso segundo pedido de casamento.
Foi uma das frases mais romântica que ele conseguiu dizer. Ele era tão cômico.
Esse pensamento foi o bastante para me fazer perder o controle da histeria novamente. Saí dos braços de Edward em um pulo, e passei meu corpo por entre minha família, andando cambaleando até achar uma árvore com raízes maiores. Sentei-me nela como uma bola, passando os braços nos joelhos e enfiando a cabeça no meio.
Gritei mais enquanto chorava. Cada vez que eu piscava a imagem de Emm vinha na minha cabeça. Eu nunca teria meu pedaço do paraíso junto á mim de novo. Eu nunca teria mais a minha alma. Nunca.
Meus olhos ardiam inutilmente e os soluços eram inevitáveis. Minha garganta se apertou de novo. Eu sei que minha família iria esperar o tempo que fosse. Até eu conseguir ir.
Não devia faltar muito para chegar em casa. Ou talvez devesse. Mas o que mais importa agora?
A luz do sol me fazia brilhar neste ponto em que estava. Meu irmão me pegou no colo de novo, retomando nossa corrida pela floresta. Era como se todo o vento que batesse em meu rosto, trouxesse com ele o cheiro de Emmett. Mas só o cheiro. Nunca ele. Nunca mais.
Queria ir para meu quarto, e sentir a presença que Emm deixou ali. Talvez lá eu pudesse me afundar ainda mais nessas trevas da fenda em que caí. Eu não ligava. Tudo se tornou o inferno agora mesmo. E eu queria sentir a presença dele naquele quarto.
Nem que fosse pela última vez, antes de Rosalie Hale resolver o que fazer de sua vida. Se é que isso agora, é uma vida.

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