Ira descomunal, paixão avassaladora
Os parafusos que seguravam a grade da varanda no chão, simplesmente pareciam quebrar com a força que eu colocava sobre eles. Praticamente toda minha visão estava avermelhada, e enxergar assim só dizia uma coisa: ódio imenso. Era madrugada, e estava repassando na minha cabeça um filme do que aconteceu nas últimas horas enquanto escrevia simultaneamente em meu diário.
“Diário, quase perco o controle. O sangue daquele babaca cantava para mim. Se não fosse Bella para me restringir, eu teria drenado aquele otário. Por mim, aquele projeto de ser humano não existiria mais. Seria minha vingança por ele ter falado algo que nunca deveria ter sido citado”.
Olhei para o teto. As imagens e lembranças tomando conta de minha cabeça.
Depois que Emm e eu descemos de nosso quarto –com o problema da descoberta do diário muito bem resolvido- nesta tarde, Jasper citou que havia chegado um parque de diversões na cidade. Não tínhamos nada para fazer nesta noite, e resolvemos ir, mesmo sabendo que não passaria de distração fútil.
Carlisle resolveu levar Esme para caçar, já que não queriam acompanhar as “crianças” em um local tão… jovial. Queriam se divertir da maneira deles, então não foram conosco.
Chegamos ao parque, montado numa área enorme no centro da cidade, e estava lotado de adolescentes. Lembro-me de ter revirado os olhos com isso. Adolescentes humanos é a pior coisa que existe. Que graça eles vêem em ficar girando como hamsters naquela roda gigante? Ou pegar bichinhos de pelúcia em uma máquina inanimada?
Adolescentes são tão… irritantemente humanos.
Eu segui a família pelas tendas e brinquedos, e recordo-me deles estarem exalando animação. Tentei nem lembrar sobre como Emmett estava. Ness resolveu ir á um jogo de tiro ao alvo. Jake, Bella, Edward, Alice e Jasper no trem fantasma. Emm, na roda gigante, só porque é o brinquedo que mais odeio. Acabei sendo arrastada por ele, para começar a irritação de minha noite.
Encontramos com o resto do pessoal depois de quinze minutos, na barraca de doces, mas Nessie não estava lá. Alice simplesmente franziu o cenho, indicando claramente que não conseguia ver muito bem sua sobrinha. Edward ficava muito confuso no meio de tantos pensamentos, mas quando achou os de Renesmee, estavam completamente tranqüilos.
-Ela está na barraca de tiro ao alvo ainda. Acho que faturou bons brindes. Pelo menos seus pensamentos gritam de felicidade… –Edward sorriu ao falar dela.
-Vou achar Nessie, então nos encontramos com vocês aqui de novo. –concluí, impedindo qualquer um de tentar relutar com minha decisão. Quanto mais longe da roda gigante e da família super animada eu ficar, melhor.
Agora eu tinha uma missão muito mais divertida do que ficar girando naquele tanto de metal retorcido, que era achar Renesmee nessa multidão, porque eu não sabia onde a tal barraca ficava.
Comecei a inalar os cheiros conforme caminhava, facilitando minha busca. Logo senti o perfume de minha sobrinha híbrida, e caminhei tão distraidamente para lá que chegava á ser irritante. Agora eu estava agindo como uma completa humana. A lentidão é algo grudado no DNA deles.
Avistei a tal barraca, um pouco distante de onde minha família havia ficado e então fui me aproximando dela. Observei incrédula que um menino alto e musculoso que havia acabado de chegar agarrava fortemente o pulso de Ness, forçando-a para frente em uma tentativa forçada de beijo. Renesmee relutava contra ele humanamente, mas o aperto do garoto era forte o bastante para Nessie precisar agir como vampira. Eu precisava parar isso antes que acontecesse. E logo Edward estaria aqui, com todos esses pensamentos vindos de mim ou Renesmee.
Enfiei-me no meio dela com o garoto numa rapidez desesperada. Minha sobrinha me fitou aliviada, seu rosto chamuscando uma raiva vermelha, e os olhos desesperados. O garoto de cabelos negros curtos, olhos muito azuis – o que me fez lembrar do olhar de alguém-, e pele branca, parecia realmente decidido a forçar Nessie.
Lembro-me que observando bem o rosto dele, e sentindo seu cheiro, reconhecimento foi o que me atingiu. Não era possível! Ele resolveu tentar algo com Nessie agora? Esse menino não se cansou de ter tomado um fora de Bella e de mim!?
Michael Stone realmente era persistente. Ele estudava no segundo ano, junto com Nessie, Bella, Edward, Jake, Alice e Jasper. Suas atenções já foram voltadas para Bella, que como sempre, recusou tudo educadamente. Michael parecia ter ficado incomodado em ser negado por alguém que tinha tantas aulas com ele. Quando ele foi para o meu lado, por mais que ele soubesse que eu tinha Emmett, assim como Bella tinha Edward, eu não fui tão educada assim. Michael se achava bom o suficiente para conquistar veteranas no primeiro semestre de aula!? Mostrei para ele que não era bem assim. O garoto era o tipo de pessoa problemática, disposta a fazer qualquer coisa para conseguir o que quer. Com palavras quase rudes, espantei-o rapidamente de minha rota, antes que Emmett desse um jeito nele.
Pelo que vejo agora, ele está se engraçando com Renesmee. E isso irritaria profundamente Edward. Não quis nem imaginar Jacob vendo isso. Michael me viu entre ele e Ness, e como nunca desistia, teve a audácia de se esticar entre nós e puxar os braços dela novamente. Um grito abafado saiu de Nessie.
-Está me machucando! –ela grunhiu. Minha sobrinha era metade humana, e poderia ser ferida mais facilmente que vampiros, por mais forte que ela ainda fosse. Com um aperto de aço daqueles, e tendo que agir como humana, eu sabia que deveria realmente estar doendo.
-Solte-a! Estúpido! Não vê que ela não quer nada com você!? –cuspi isso para ele, tentando separar seus dedos dos ombros de Ness.
-Ora! –ele soou irônico, como todo bom garoto rico e metido a besta faz. -A irmã adotiva dela agora protege a maninha? Achei que isso fosse trabalho do irmão legítimo, o Edward. E a namoradinha dele também. A Bella. A tal de Alice também é irmã de Renesmee? Essa sua família é confusa! Ou Renesmee é irmã legítima de Bella? –esse animal estava querendo saber demais. Todos da escola sabiam nossos laços familiares, por mais que fosse mentira. Só Michael estava se metendo nisso.
-Sim, protejo quem quiser! –disse soando tão controlada que me assustei. –Solte-a, por favor.
-Não sou obrigado a te obedecer enquanto ela não me obedecer! –Michael disse ordenando quando Nessie se contorcia em seu aperto. Segurei um rosnado.
-Ponha-se no lugar! Seu idiota, você não passa de lixo. Já disse para soltá-la! – eu gritei dessa vez, e senti alguns pares de olhos em mim. Estávamos chamando a atenção dos humanos. Onde estava minha família!?
-Quero ver se você realmente pode defender Renesmee sem aquele brutamonte do Emmett por perto! Ver se além de gostosa, você é forte o suficiente! –ele gargalhou, rindo de sua própria piada suja. Michael deixou seus olhos rolarem por meu corpo observando tudo. Senti um pedaço de mim sendo arrancado. Os garotos humanos poderiam olhar para mim com desejo, mas ninguém, desde aquele dia, me olhou desse jeito. Ninguém. E Michael quebrou isso. Para minha fúria.
Inalei o cheiro de seu sangue inconscientemente. Como seria satisfatório acabar com esse cara. Nervosa com a situação, eu descontrolei minha fala. E isso não poderia fugir de mim.
-Pode ter certeza de que acabaria com você em segundos. Sou forte o suficiente para arrancar sua cabeça aqui mesmo. –minha ameaça parecia verdadeiramente assustadora. Os humanos que observavam a discussão meio que se afastaram. Droga! O cheiro dele estava gritando para eu inalar mais… e acabar com ele. Minha garganta ardia. Michael cerrou os olhos para mim e sorriu sem parecer temer, o que me deixou ainda mais raivosa.
-Uau! Então está carregando alguma arma com você, ou é alguma criatura sobrenatural? –ele novamente soou irônico. –Rosalie, você é apenas uma garota frágil, e eu poderia fazer o que quisesse com Renesmee, sem você conseguir me impedir! Você que vá para o inferno, vad…
Então tudo havia ficado vermelho para mim. Comecei a gritar para a multidão que nos cercava.
-CALE A BOCA! Você não é ninguém para falar de quem eu sou! Muito menos para onde vou! E sua mãe é que é uma vad… –fui interrompida por um par de braços que me segurou. Era Bella.
Foi neste momento que me dei conta do que estava fazendo. Eu me encontrava em cima do garoto no chão, sem nem mesmo saber que havia pulado nele. Estava puxando seu braço firmemente, e minha unha arranhava sua jugular.
Eu poderia matá-lo ali mesmo. E decidi que faria isso, quando ele me deu outro olhar que varreu meu corpo. Para ajudar, eu ainda estava sobre ele, somente Bella me impedindo de dilacerar seu pescoço. Ela me puxava para ficar de pé, mas eu somente relutava obstinada, louca para acabar com Michael e seus olhares sujos.
Aquele olhar azul que Michael havia me dado por duas vezes, foi o mesmo que Royce lançou para mim antes de me arrastar para seus amigos. E o mesmo que seus amigos davam para mim enquanto eu era violentada na rua. Enquanto eu gritava e eles gostavam. Enquanto o sangue jorrava de mim, e eles simplesmente se amontoavam ainda mais sobre meu corpo. E riam como Michael acabou de sorrir. Com prazer e pouca intimidação.
Isso foi mais que suficiente, fazendo-me escapar dos braços de Bella e jogando meus braços de torno dos de Michael. Ele quase soltou um grunhido quando o ar de seus pulmões escapou com minha força.
Outro par de braços agarrou-se na minha cintura, e reconheci o cheiro de quem estava atrás de mim. Emmett. Ele não precisava me ver nesse estado. Porém eu não sairia facilmente. Ainda mais porque isso aconteceu pelas lembranças de meu maldito passado.
Fui arrastada entre as barracas, enquanto todos da minha família me circundavam, impedindo que eu escapasse por qualquer fresta. Tive um último vislumbre de Michael no meio da multidão que nos olhava, o sorriso triunfante estampado no rosto dele. Isso me deu vontade de escapar e brigar com aquele animal novamente, mas realmente era impossível. O aperto de Emmett estava forte demais em meus braços. Chegamos à barraca de doces de novo, a mais afastada de onde eu estava.
Renesmee esfregava suas mãos nos pulsos e ombros, com o rosto passando a impressão de dor. Ed e Bella ajudaram sua filha, e vi que meu rosto raivoso não deveria estar muito diferente do de Jacob.
-Michael realmente fez isso? –ele rosnou. Edward concordou com a cabeça, enquanto os rostos de minha família me fitavam boquiabertos. Eu era a malvada agora?
-Que foi, pessoal? Ele agarrava Nessie! –eu me expliquei indignada enquanto Emm afagava meus braços. -Nos provocou, me chamou de nomes horríveis, e me mandou ir para o inferno! Fora que citou Bella, Edward e Emmett com desprezo! Quem ele pensa que é? Michael se intrometeu em nossos laços familiares, querendo saber mais do que os humanos daqui de Seattle sabem! -consegui terminar a lista, e uma onda de tranqüilidade me atingiu. Se eu pudesse dormiria. Algo dentro de mim prometeu agradecer Jasper depois. Meu corpo parecia até mesmo mole.
-Entendo você, Rosalie. Obrigado. –Ed sorriu ainda nervoso. –Mas, por favor, tente não se descontrolar da próxima vez. É um risco para nossa secreta identidade . Mas obrigado por tirar Nessie daquele estúpido.
-Tudo bem. –murmurei quando mais outra onda de calma me apanhou. Edward, só não fale para mais ninguém que também ataquei Michael por ele ter agido como Royce. Tudo bem que ele merecia, mas quase me vinguei ainda mais de meu passado com ele. Emmett não tem que saber disso, ele me quer melhor. Por favor.
Ed concordou com a cabeça quase imperceptivelmente. Emmett não tinha que saber que ainda não consigo lidar com essa raiva, por mais óbvio que estivesse.
Emm me arrastou para o carro e me fez companhia. Os outros decidiram que não faria mal ficar mais um pouco naquele parque ridículo. O passeio não deveria ser estragado por Michael. Ficamos esperamos os outros se divertirem e quererem ir embora.
Eu acabei com a noite de Emmett. Com a minha noite.
-Desculpe… –murmurei enquanto ele ajustava o volume baixo do som do carro. -Mas não podia deixar aquilo passar.
-Não precisa falar isso Rose, eu sei que ninguém deixaria aquilo passar. Se fosse eu, acho que teria arrancado o membro mais importante daquele cara. Se é que ele tem um.
Mais uma vez ele me fez sorrir, em meio á sentimentos carregados de ódio.
Voltamos para a casa com os outros tendo parecido esquecer o episódio de hoje. Eles sorriam de orelha á orelha, por simplesmente terem ganhado em todos os jogos de pontaria e força. Já eu… eu queria trucidar Michael!
AAAAAH que raiva!
Estava subindo as escadas quando minha mente gritou, e Edward meio que se encolheu com a intensidade do pensamento. Escutei um “crack”. Olhei para baixo, e vi vários parafusos que prendem o corrimão da escada se soltarem. “Calma”, eu murmurei para mim mesma. Então havia deitado na cama e pegado o diário, saindo logo depois para a varanda.
Retornei para o presente chacoalhando minha cabeça e deixando as imagens do que acabou de ocorrer saírem de minha mente. Então aqui estou eu, me remoendo de raiva, de novo, pelo que aconteceu. Escrevendo em meu diário minha perca de controle. Tentando não lembrar do fato, porque era plena madrugada.
Já passou Rose, já passou… repetia para mim milhares de vezes.
Estava respirando um pouco do ar verde que circundava a nossa casa, e o vento que soprava na minha varanda trazia isso. Era meio que calmante. Escutei murmúrios vindos do quarto de Nessie.
-Me desculpe querida, eu não queria atrapalhar você e Jake… é que eu queria saber se você estava bem. –era a voz constrangida de Jasper.
-Não tem o porquê de se desculpar! Não atrapalhou nada! Pare com isso tio Jazz! –era a voz trêmula e nervosa de Renesmee.
-Ok Nessie, eu estou saindo… –escutei Jasper sair e fechar a porta. Mas logo ela se abriu de novo, e fechou com uma batida altamente ensurdecedora. Acho que era Jacob. Ele deve estar frustrado. Ainda mais por saber que um Edward novamente furioso o aguardava. A atração do imprinting meio que já estava saindo de: melhores amigos.
Permaneci na varanda até a aurora, quando os primeiros raios de sol começaram a iluminar a copa das árvores, e senti um par de braços envoltos na minha cintura, seguido de um carinhoso sussurro na orelha.
-Bom dia meu amor! –era Emmett e seu humor contagiante. Sentia-me um pouco melhor e muito menos raivosa que horas atrás. Sorri em resposta, e seus braços se apertaram mais fortemente ao meu redor. Como era bom saber que Emm estava aqui, saber que ele me ama, e que foi o único capaz de me fazer esquecer parte de meu passado sombrio. Ele era tudo para mim, e eu sabia que nos completávamos.
Nunca tive sorte no amor, mas ele foi diferente. Emmett parecia tão certo para mim. Eu o amo como uma criança ama seu bichinho de estimação, ou como um idoso ama cada um de seus últimos anos de vida. Emmett era meu, e isso é o que importa. Falar dele fez minha mente praticamente apagar os últimos vestígios de minha mais recente raiva. O sombrio passado já não vale mais nada comparado a isso. Meu pequeno pedaço do paraíso. E se o que aconteceu comigo, essa mudança da vida humana para a vampira, foi para encontrar Emmett, eu estou agradecida em muitas partes. Claro que não em todas, mas em muitas.
-Sabe que dia é hoje, Rose? – ele perguntou ansioso. Tentei me lembrar, mais nada veio em minha mente.
-Desculpe, mas não lembro. Você sabe que sou péssima em datas. Sempre fui desde humana. –acho que havia acabado de cometer uma gafe horrível.
-Hoje é um dos dias mais importantes para mim querida… –ele franziu a testa. Realmente uma gafe horrível. Seria seu aniversário como vampiro? Ou humano?
-Existem muitas datas importantes para você querido! Qual delas? –eu perguntei realmente confusa.
-Sim, Rose. Porém as que eu considero muito importantes passei ao seu lado. –ele murmurou, com os olhos meio entristecidos. Meu coração quase bateu com aquelas doces palavras. Memória de cão inútil era a minha!
-Fale logo, Emmett! Está me deixando curiosa e não me lembro! –estava impaciente agora, era suspense demais.
-Hoje Rose, é a data em que demos nosso primeiro beijo. –ele sorriu compreensivo com meu esquecimento. Havia muito tempo. Eu só o fitava boquiaberta.
-E um ano depois, – ele continuou humilhando minha falta de memória com datas. -Afinal nos casamos primeiro, neste mesmo dia, deste mesmo mês, foi quando nos amamos pela primeira vez. Lembra-se? –ele sorriu o mais inocentemente que pôde. Aww, meu Emmett. Como pude me esquecer?
-Emm! –quase surtei quando um estalo de lembrança me atingiu. -Me desculpe… é claro que sim…tudo é nítido agora para mim! Como sou tola e… -seu dedo parou meus lábios, ele sussurrou com sua testa pregada na minha.
-Rosalie… viver eternamente não teria nenhum sentido sem você. Eu te amo por toda minha vida. –então seus lábios tocaram os meus rapidamente. Eu estava chorando agora, não exatamente chorando, soluçando. Ou sei lá o que fazemos quando estamos emocionados!
-Ah Emm! Eu também te amo tanto! Homens normalmente não são românticos, e sou privilegiada por ter você!
-Quem disse que eu sou homem? –ele indagou, e eu fiquei confusa. Como assim? Olhei para ele estranhamente, e Emm logo tratou de se explicar. -Sou um vampiro, é isso que faz a diferença! E eu sou um vampiro muito musculoso, lindo, esbelto, poético, charmoso, carinhoso, protetor, fiel, forte, ágil…
-Shhh, largue de ser convencido! –ri com as qualidades que ele mesmo citava para ele. -Me beije. –seus lábios iam de encontro aos meus quando Renesmee abriu a porta sem bater, suas bochechas corando imediatamente.
-Desculpem… –ela sorriu sem graça, os olhos meio fundos por uma madrugada mal dormida ou completamente acordada. –Tia, podemos conversar a sós por um minuto?
Aceitei sua proposta, ela parecia nervosa e suas olheiras profundas formavam um aspecto estranho na sua linda feição. Emmett e eu temos tempo para comemorar depois. Nessie me carregou para a floresta depois que saímos do quintal de casa, e adentramos mais em meio ao matagal, ficando bem distantes de casa. Um lindo pinheiro que eu nunca vira antes foi escolhido por Nessie para nos sentarmos. Eu quase desconfiava do que ela queria conversar comigo.
-Tia… não sei como falar isso para você, mas… meu pai e minha mãe sabem agora, e eu estou ficando constrangida com tanta pressão da parte deles. Porque meu pai não quer, já minha mãe defende meu ponto de vista. Acho que estou dividindo eles… me ajude! O que você acha? Convença meu pai, tia… por favor! Não os quero brigando por isso.
-Nessie… -afaguei sua cabeça carinhosamente. -Está falando do que para começar? Seja mais clara comigo, querida.
-Você sabe do que tia! Estou falando de Jake! Você já nos viu, e impediu que um beijo acontecesse. Sim! Aquilo era um beijo! E eu menti falando que não! Aconteceu de novo, só que Tio Jasper nos flagrou, e dessa vez Jake ficou irritado. Não quero que ele brigue comigo! E muito menos que meu pai e minha mãe discutam por nosso relacionamento estar evoluindo. Estou… eu…é… tia, eu a-amo e-ele! –uma gorda lágrima escorreu de seu olho direito.
-Querida, se realmente ama ele dessa maneira, e eu sei que ele te ama de qualquer forma… Vá em frente. Eu sei o que seu pai sente agora, porém Edward sabia o futuro disso desde o dia que soube do imprinting. Na verdade, no começo, ele aceitou isso muito mais facilmente que Bella. Porém hoje ele tem muito mais medo de te perder para Jacob que sua mãe. Edward não entende ainda que não te perderá. Com o tempo, enxergará isso, e acabará aceitando. Assim como sua mãe. Eles sabem que querendo ou não, ele é o melhor para você, independente da maneira que vocês se amam. Jacob é o melhor segurança que você poderia ter. A força do imprinting é inevitável, e acaba fazendo quem sofreu isso virar parceiro de um modo natural. Assim como foi com vocês.
-Mas meu pai me julga criança ainda. Ele não entende que por mais que cronologicamente eu tenha seis anos, fisicamente e mentalmente eu tenha quase dezessete! E não comecei á me apaixonar por Jacob só porque fiquei sabendo do imprinting. Na verdade, isso já estava florescendo no meu coração há algum tempo, eu só não sabia. Quero muito estar junto dele, mas também não quero fazer meu pai ficar triste comigo e mamãe! Edward diz que eu tenho que experimentar a liberdade antes de ficar com Jake. Que eu tenho que viver um pouco, antes de ficar presa. Mas eu não quero isso! Minhas outras experiências não acabaram bem! Sofri com elas e sei que Jacob não me faria isso! O engraçado é que meu pai não me achava criança quando eu namorava humanos! Agora só porque é o Jacob acha que sou?
-Você se refere aos seus antigos namoradinhos? Dan Connel e Peter Staple? Há! Só durou um mês cada namoro! E Jake sumiu por três semanas em cada um deles… ele te ama Nessie. Ainda mais agora que você o ama como parceiro. Mas você ama realmente ele assim, não é? Não dê esperanças falsas, ele ficaria muito chateado.
-Eu tenho certeza tia Rose! Não é como o que eu sentia por outros garotos, para falar verdade nem gostava deles. Era só curiosidade adolescente. Mas Jake é diferente! Eu o quero, e sei que ele também me quer! Minha mãe me apóia e pelo que vejo você também… convença meu pai!
-Nessie, esqueça seu pai! Eu sei que Edward me matará por te dar esse conselho, mas relaxe. Bella e eu conversaremos com ele. Edward irá aceitar, ele tem um coração maleável, e sabe entender as coisas perfeitamente, mesmo que com um pouco de insistência. A escolha foi sua, se você ama Jacob, e Jake a ama, vocês irão ficar juntos! Tudo aconteceu na hora certa, e é por isso que Bella está apoiando você. Ela te entende. Sua mãe também passou pela adolescência um dia, e graças a Jacob passou a entender o imprinting. Nem que eu tenha que torturar seu pai… ele irá parar e escutar você. Agora vá atrás de Jake, fale o que sente por ele sem vergonha, dêem um beijo de cinema, e seja feliz minha garotinha! –apertei sua bochecha sorrindo, e seu rosto corou.
Eu tinha certeza que Edward arrancaria um membro meu se tivesse escutado nossas mentes daqui. Por incentivar Renesmee em ficar com Jacob, era realmente um motivo para ser morta. Por mais trágico que fosse o cão entrando de vez para a família, eu tinha que ajudar minha sobrinha.
-Te amo, tia. Mas é como eu te falei… os relacionamentos que tive foram por curiosidade. Sou tão inexperiente como uma porta! Estou sem graça de falar para Jacob o que sinto. Quanto mais beijá-lo! Ajude-me! Sempre tive um relacionamento aberto com você, e gosto de ouvir o que me diz. Jake não é como os outros garotinhos idiotas. Quero que seja perfeito, mas não sei como o fazer.
-Espere até a noite então. Eu irei arrumar algumas coisas… ajudar à encaixar a situação. Bella também pode me ajudar, por mais irado que ficará Edward. Mas depois é com você. Você irá falar com ele e se expressar, mas pode ter certeza que te ajudarei antes. É só aguardar um pouco. E não fique pensando isso perto de seu pai, ele pode estragar tudo. Isso se ele já não estiver ouvindo nossas mentes daqui. Ok?
-Ok tia! E escolhi esse lugar mais afastado da casa porque sei que papai não nos escuta daqui, e tia Alice não pode me ver direito mesmo. Então papai não lê a mente confusa das visões dela também. Mas olha lá, eu confio muito em você. Estou muito ansiosa. Muito obrigada por me ajudar com tantas coisas, você é incrível! Te adoro!
Nessie me abraçou apertado, e saiu correndo por entre as árvores, retornando para a casa. Notei um brilho em seu olhar que nunca vi nela antes. Mas já tinha visto esse brilho em meus olhos várias vezes. Principalmente perto de Emm. É de paixão, amor verdadeiro e puro. Ela encontrou sua cara metade, e acho que logo Jacob seria uma espécie de cunhado meu. Se pudesse vomitar, o faria.
Mas respeito os sentimentos de Nessie, e sei que ao lado dele, ela pode ser realmente feliz. Assim como Edward e Bella são, ou Alice e Jasper, ou Carlisle e Esme, ou como eu e Emmett. Serem completos no amor de parceiro, e viverem uma paixão plena e avassaladora.
Nenhum comentário:
Postar um comentário