quinta-feira, 16 de junho de 2011

Diário de uma imortal – Capítulo 10

História de terror
O silêncio tomou conta do local. E Evans entendeu isso como um sim para a sua pergunta quanto ao nosso gosto com histórias de terror.
De repente, uma sensação sufocante tomou conta de mim. Era o que eu sentia quando Emm não estava por perto. E gostaria muito, muito mesmo, que ele estivesse aqui comigo.
-Bem, vamos lá então, Doutor Carlisle. –Evans sorriu com um humor negro.
-Não me apresentei à você. –nosso pai sorriu para Evans de um jeito sereno. -Sou o líder dos Cullen. –então conforme indicava as pessoas com a mão, Carlisle falava o nome de cada Cullen para Evans. Jacob apresentou seu bando depois. Chegava a ser bizarro toda essa intimidade com nosso possível inimigo.
Evans teve o bom senso de também apresentar todos os seus seguidores. Isso pelo menos indicou que ele não desconfiava tanto de nós, a ponto de não falar o nome de ninguém.
E por incrível que pareça, o clima estava confortável. Não sei se era Jasper agindo no ambiente, ou se os Filhos da Lua não eram tão inconseqüentes, descontrolados e idiotas como pareciam ser. Pelo menos por enquanto.
Uma vozinha bondosa gritou na minha mente falando que os verdadeiros lobisomens não desejavam ser inimigos mortais dos vampiros. Pelo menos os lobisomens de Evans.
Só consegui guardar o nome de três garotos que Evans nos mostrou, além de Patrick, que obviamente ficaria marcado em minha mente pela bofetada que tomou. Esses três meninos me chamaram a atenção.
Lucas, um garoto de em média 15 anos. Era negro, musculoso -como se fosse novidade- e de aparência empolgada, parecia feliz com a situação, e me lembrava Seth. O outro era Pedrus, e prendeu minha atenção por um motivo: sua pele morena tinha tantas cicatrizes como a de Jasper. E por fim Viktor, tão pálido quanto Bella era quando humana, tinha uma expressão amargurada e infeliz. Eu parecia compreendê-lo facilmente. Ele não escolheu ser um monstro, e não queria ser.
Entre um pensamento e outro percebi que todos haviam formado um círculo sob a relva florida. A história de terror começaria. Sentei-me ao lado de Jasper, preparando minha mente para o que estava por vir.
-Na época em que meu avô foi transformado em um Filho da Lua, condenado a vagar com a imortalidade eternamente… –Evans começou. Seus olhos distantes não pareciam estar nessa dimensão. –O que faz muito, muito tempo, os verdadeiros lobisomens eram em maioria na comparação com os vampiros. O mundo sempre foi cercado por seres como nós.
-Nós nunca tivemos uma realeza, como os Volturi são hoje, no caso de vocês. –ele sorriu amargamente. -Não precisávamos de alguém para nos lembrar das regras. Está em nosso extinto segui-las. Os Filhos da Lua não se mostravam aos humanos. Os vampiros também não, mas eles cometiam deslizes algumas vezes, e então a realeza lhes castigava.
Fitei Carlisle e ele estava imerso na história. Eu fiquei ansiosa para saber mais. Evans recomeçou a falar.
-E por este motivo, não tínhamos conflitos com a raça de vampiros, e nem com seus governantes, o Clã Romeno. Era simples. O acordo era somente este: não nos mostraremos aos humanos, nem vocês. E a paz reinará. Quando algum deslize for cometido, basta consertar. E assim foi durante séculos. Obedecemos esta regra, assim como eles. Stefan e Vladimir eram bons, e nossas espécies viviam sem se estranhar. Eram dias de alegria os daquele tempo. O Clã Romeno e muitos vampiros não se importavam que o número de Filhos da Lua fosse maior que o de vampiros. Mas claro, existiam algumas exceções. Havia vampiros que achavam isso uma blasfêmia, já que se consideravam uma raça superior. E eles se uniram à outro clã. Um clã que era inimigo dos Romenos, e principalmente, dos Filhos da Lua. Esse clã se fortaleceu com novos aliados. E então…
Evans tomou um longo suspiro, e recomeçou:
-Os Volturi tomaram o poder dos Romenos. A briga entre eles foi feia e devastadora. Vladimir e Stefan nunca pediram ajuda aos Filhos da Lua, e muitos vampiros seguidores deles morreram na batalha. Aro acabou vencendo. Toda a guarda de Stefan foi destruída, e desde então, todos os lobisomens e parte dos vampiros de Vladimir que restaram, acreditavam que os dois também estivessem mortos. Eles desapareceram por um bom tempo. Vladimir e Stefan sempre foram bons em disfarçar situações. Com o novo poder do mundo vampírico nas mãos dos Volturi, os verdadeiros lobisomens ficaram temerosos quanto ao nosso futuro e paz. E com razão.
Evans suspirou de novo e cerrou os olhos.
-Os Três Demônios. Aro, Caius e Marcus acabaram com todas as leis fundadas pelos Romenos. Mudaram quase tudo. Principalmente o que nos envolvia. O que envolvia os Filhos da Lua. Já não éramos mais bem-vindos no novo governo. O número de vampiros e lobisomens agora era importante para eles. Os Volturi não queriam que sua raça fosse minoria, temendo que um dia os Filhos da Lua se rebelassem contra ela e tivesse chances de destruí-la. Então foi instituída A Caçada. A guarda dos Volturi vagou por séculos os quatro cantos da Terra, em busca de lobisomens para exterminar.
Ele parou, e a realidade tomou minha mente. Evans olhou o chão, e vi que a parte pior começaria.
-Durante A Caçada, os lobisomens se refugiaram em clãs de em média dez pessoas, fora as parceiras humanas. Ou parceiros. Sim, alguns deles tinham parceiras humanas. E sim, também havia lobisomens mulheres. Porém os humanos que eram parceiros não sabiam nada além da existência de Filhos da Lua. Não faziam idéia que existiam vampiros. Porque se soubessem, seria mais um motivo para os Volturi querer acabar conosco. Na época do Clã Romeno, eles não se importavam que as parceiras dos Filhos da Lua soubessem da existência do sobrenatural. Mas eles falavam que quem sabia disso, teria que agüentar as conseqüências. E que os Filhos da Lua não deviam contar isso a mais nenhum humano, a não ser suas próprias parceiras. Já os vampiros, não podiam contar isso para realmente nenhum humano. Bem, devem estar se perguntando: por que não atacaram os Volturi, se tinham maior número? Porque fugiram, sendo que ainda estavam com vantagem?
Evans soltou uma risada macabra de escárnio.
-E respondo: ninguém queria enfrentar os Irmãos Bruxos, Jane e Alec. Ninguém. Porque sabíamos que, por mais que tentássemos, não venceríamos deles. Os dois eram imbatíveis. Então, todos fugiram dos Volturi. Até os antigos seguidores do Clã Romeno fugiram, já que os que não foram mortos, também eram caçados. Os Volturi queriam vampiros que só seguissem e servissem a eles. Meu avô viu tudo  isso acontecer. Desde a paz até á guerra. Ele era um Filho da Lua no meio de toda essa revolução. E não era o único que se revoltava com aquela situação de fugitivo.
Evans sorriu ternamente, como se sentisse algo extremamente doce em seu coração.
-Ele participava de um clã que se refugiou na Inglaterra, e criava seu filho, obviamente meu futuro pai, sozinho. A esposa de meu avô falecera após a tomada de poder, e não resistiu em meio a tantas fugas. Humana demais. Meu avô esperou meu pai completar dezoito anos de idade para transformá-lo, pois como devem saber, lobisomens têm veneno como vocês vampiros. Não é algo hereditário como os metamorfos. E por curiosidade, os filhos de Filhos da Lua com humanos, não eram híbridos. Eram nada mais que humanos. Curioso não? –Evans fitou Renesmee, como se notasse que com vampiros não funcionava bem assim.
-Décadas se passaram desde a transformação de meu pai. Meu avô e seu filho continuaram a seguir o mesmo clã, e obviamente nenhum deles envelhecia. Ainda viviam na Inglaterra após todo esse tempo, e não pensavam em deixá-la tão cedo. Meu pai estava congelado nos dezoito, e meu avô nos trinta – sua transformação foi acidental. Quando ambos conheceram uma moça angelical. Humana. Lorraine era seu nome.
Novamente uma pausa de Evans. Ele me deixava curiosa. Não sabia porque essa história iria explicar o que ele queria de nós, mas gostaria de ouvi-la até o final. Ele retomou pesarosamente.
-Minha futura mãe. Meu pai se apaixonou por ela perdidamente, e meu avô deu apoio total. Ele sabia que por mais arriscado fosse amar uma humana, por mais arriscado que fosse se tornar um só com ela, valia a pena. Lorraine engravidou logo, e eu nasci. Humano. –Evans deu um sorriso. -Os lobisomens ainda viviam como fugitivos, e os Filhos e Filhas da Lua continuavam a serem exterminados quando topavam com os Volturi. Bem, eu era um bebê humano ainda quando Jane localizou meu clã. Ela exterminou metade dele, fora os parceiros e parceiras dos Filhos da Lua. Incluindo minha mãe e meu avô. Minha mãe, humana. E meu avô, um antigo lobisomem.
Uma lágrima raivosa escorreu no rosto de Evans. Meu coração se apertou com a história dele. E eu fiquei surpresa que verdadeiros lobisomens tivessem coisas humanas como lágrimas e sangue. Vampiros não tinham isso.
-Restou apenas meu pai, que me carregava nos braços como se fosse minha mãe. E também uma fêmea de nossa espécie, que era muito amiga de um outro lobisomem também sobrevivente. Ao total, três Filhos da Lua e um bebê humano sobreviveram ao ataque de Jane. Não sei como conseguiram escapar dos Bruxos, mas que incluía muita sorte, e que a Lua Cheia e os dons extras que ganhamos com ela os ajudou, não posso negar. A guarda Volturi não nos rastreou de novo por perto, e acho que acabaram por achar outro clã de lobisomens.
Evans franziu o cenho, como essa parte fosse a mais complicada na história.
-Sedento por vingança, meu pai decidiu ir para a Itália se vingar dos Volturi. Claro que era loucura, claro que era suicídio. Mas ele estava abalado demais com a morte de minha mãe para pensar nas conseqüências. Meu pai me deixou sob os cuidados da fêmea de nossa espécie, que praticamente liderava o nosso destruído clã agora. Ela se chamava Chelsea. Então meu pai partiu para a Itália. E nunca voltou.
Evans cerrou os punhos e outra lágrima escorreu no rosto dele. Senti compaixão.
-Chelsea sempre me falou que iria fazer a vontade de meu pai quando fosse hora. O outro lobisomem que ainda restava no bando a apoiava. Quando completei dezoito anos e morávamos em Portugal, ela me transformou. Perguntei-me se esta seria a vontade de meu pai. Ver seu filho condenado a ser um fugitivo eterno como ele. Normalmente, os lobisomens que tinham filhos não os transformavam depois. Porque assim eles teriam menos chance de serem caçados pelos Volturi, vivendo como um humano deveria viver. Isso também ajudou com que a extinção de nossa espécie acontecesse mais rápido, já que o índice de novos Filhos da Lua não aumentava. Porém poupou que vidas fossem tiradas. Meu pai não se importava que eu fosse levar uma vida de perseguição. Ele queria isso para mim, e teria me transformado se estivesse vivo. Eu continuava a me perguntar, quando já era um Filho da Lua, se meu pai gostaria de me ver condenado. Não havia outra explicação. Sem a transformação, eu seria livre. Viveria em paz. Mas acho que ele não queria isso.
Evans riu com prazer ao se lembrar de algo, e continuou.
- “Não”, Chelsea me respondia. “Seu pai queria que você fosse transformado para acabar com esta vida de perseguição, com este castigo. Ele queria que você fosse livre assim. Antigamente havia paz, e hoje só há guerra e sangue. Ele desejava que você fosse quem libertaria nossa raça novamente, quem limparia nosso nome. Quase não existe mais Filhos da Lua para isso querido. Desejava que você tirasse nossa reputação de: descontrolados, sanguinários e sujos imposta pelos Volturi. Nunca fomos isso. E que trouxesse de volta nossa honra de: seguidores da lei, e amigos dos vampiros, por mais estranho que seja. Queria que ajudasse Stefan e Vladimir a assumir novamente o poder, porque eles estão vivos. E então exterminar os Demônios que o assumiram.” Ela sempre falava isso. E eu me convencia da verdade dela.
Ele suspirou pesado de novo. Era uma longa história.
-Porém a frase de Chelsea que mais me tocou e me estimulou foi esta: “Seu pai desejava que se ele não retornasse, houvesse um filho que vingaria seu nome, e o nome de todos os inocentes lobisomens e seus parceiros que morreram devido aos Volturi. Vingar até mesmo a morte dos vampiros seguidores dos Romenos. Mas antes de morrer, seu pai lhe deu uma ajuda para isso. Ele foi o único que desafiou Caius para uma briga, e quase ganhou ela. Isso amedrontou um dos demônios. Caius nos teme. Pode acreditar Evans, graças a seu pai, os Volturi começaram a acreditar mais que os lobisomens tem seu lado realmente sanguinário. Seu pai fez jus a mentira que os próprios Volturi inventaram.” E foi neste dia que decidi seguir o exemplo de meu pai. Por mais de um século procurei por alguém que quisesse se unir à mim. Era difícil encontrar algum lobisomem com coragem o suficiente, e era difícil encontrar lobisomens. Mas nas últimas décadas, rodando cada canto do mundo, achei bastante deles. Minha conclusão foi que os pais começaram a transformar os filhos, e que os Volturi não tem mais tanta facilidade para nos achar. Ou estão ocupados demais. Alguns Filhos da Lua resolveram se juntar à mim.
Evans apontou para seu bando, orgulhoso.
-Estávamos pensando em atacar há sete anos, mas ouvimos boatos de que alguns vampiros poderosos estavam enfrentando os Volturi. E que Stefan e Vladimir estavam juntos. Era perfeito. Se achássemos este clã, que estava contra os Volturi, eles lutariam ao nosso lado, somado pelo clã Romeno. Ninguém calculou um plano tão bom assim em décadas. Porém recebemos a informação de que a única coisa que aconteceu foi um diálogo, e não um ataque. Já devem ter deduzido que o tal clã era vocês.
Carlisle concordou com a cabeça. Quer dizer que enquanto conversávamos com Aro para deixar Nessie viva, um bando de Filhos da Lua desejava atacar os Volturi. Notei também o quão rápido a notícia das testemunhas Volturi se espalhava. Evans ficou sabendo de tudo enquanto nosso diálogo com os mantos negros ainda acontecia.
-E por isto estamos aqui. –Evans sorriu. -Queremos a ajuda de vocês para acabar com os Volturi. Só que desta vez, sem diálogos. Sabemos que vocês têm poderes o suficiente para isso. Quanto ao clã Romeno, é só chamar e eles virão. Stefan e Vladimir não perdem nenhuma oportunidade de acabar com os Volturi, não é mesmo? –Evans gargalhou alto, e fitou Carlisle pacientemente. –Os Cullen e seus amigos metamorfos, aceitam nos ajudar?
Engoli seco. Os Filhos da Lua poderiam ter sido injustiçados e dados como criaturas selvagens pelos Volturi, eles poderiam ter sofrido durante todo esse tempo e entendia a raiva deles. Os Cullen poderiam ter tido problemas com os Volturi antes, e podíamos odiar muitos deles. Porém não deveríamos nos meter em briga com Aro. E seria a gota d’água para ele se fizéssemos parceria com Filhos da Lua.
-Evans, agora entendemos perfeitamente seus motivos para querer atacar os Volturi e pedirem nossa ajuda. –Carlisle respondeu sem nem mesmo nos consultar. A resposta de todos era óbvia. -Porém quando tivemos um desentendimento com os Volturi, não estávamos sozinhos com os metamorfos. Havia mais vários clãs, e pode ter certeza de que sem eles não iríamos ter conseguido. E eles não irão querer arriscar suas vidas novamente, assim como nós não queremos.
-Evans… –Edward falou. –E por mais que os Cullen e os metamorfos resolvessem te ajudar, nada garante que sairemos vivos. Se alguém escapasse, Aro mandaria caçar até o inferno se preciso. Ele não tolera esse tipo de parceria com Filhos da Lua. Quanto mais os Cullen e vocês! Além disso, ele começaria a caçar metamorfos também! Foi sorte nossa que ele aceitasse a raça de Jacob tão bem. Não podemos arriscar nossa sorte.
Evans abaixou a cabeça, vendo seu plano perfeito ficar não tão perfeito assim. Sentia pena dele, por não se importar em morrer tentando. Porém não seria fácil convencer outras pessoas a fazerem isso também. Agradeci a ausência de Emmett aqui. Ele seria o primeiro a aceitar. Tudo que envolvia brigas Emm topava.
-Desculpe-me Evans. –Carlisle suspirou. -Mas não podemos ajudá-los. Sinto muito mesmo. Você conseguiu mudar minha visão sobre os Filhos da Lua, conseguiu me mostrar uma face dos Volturi que eu não sabia. Porém não é o suficiente para arriscar minha família. Se você ainda pretender atacá-los, por mais que seus números ainda estejam baixos, ou se você arrumar alguém que queira te ajudar no ataque, estarei torcendo por vocês. Não é de hoje que os Volturi andam arruinando minha confiança neles.
-Só não entendi uma coisa. –Jasper quase rosnou, antes que Evans tentasse mudar a opinião de Carlisle quanto a nossa ajuda. -Se queriam conversar conosco, poderiam ter chegado normalmente e falado isso. E não nos vigiar, seqüestrar Alice, e matar um bebê inocente. –a voz de Jasper foi ácida no final.
-Peço perdão por isso. –Evans disse sinceramente. -Queríamos a ajuda de vocês, e sabíamos que tinham problemas com os Volturi. Porém tínhamos receio de chegar, não sabíamos a reação de vocês. Preferimos agir ocultamente. Ouvimos que eram poderosos, e tememos isso. Hoje vejo que foi em vão. Não agiria dessa maneira se conhecesse vocês antes, acreditem. Os vigiamos primeiro, e seqüestramos a garota como meio de atração para Allen Park. E também como meio de chantagem, coisa na qual eu não usarei agora. Errei o suficiente com vocês. Nós notamos o quanto gostam dela, e sabíamos que viriam atrás. Só não sabíamos que ela carregava um bebê no dia. A criança chorou muito quando saiu dos braços dela, e poderia arruinar tudo chamando a atenção de vocês ou quem estivesse perto na hora errada. Matá-la foi o único jeito de silenciá-la. Perdão.
-Seu perdão não o trará de volta! –gritou Jacob.
-Eu sei. –murmurou Patrick de cabeça baixa, o assassino.
-Como não irão nos ajudar, e eu não quero errar com vocês mais do que já errei… –Evans suspirou. –Não irei chantageá-los com Alice, como pretendia. Pelo menos mudaram seu ponto de vista quanto aos verdadeiros lobisomens, e torcerão por nós. Fico feliz com isso. Talvez eu não agindo como um canalha, vocês passem a confiar um pouco mais em nós. E se mudarem de idéia, não será algo forçado. Será decisão de vocês. Se resolverem nos ajudar, estaremos aqui. Podem encontrar a irmã de vocês na saída de Allen Park, nós a deixamos lá. Bem, qualquer coisa, nos procurem. E se não nos virmos mais, pelo menos nos desejem boa sorte. –Evans falou com um pouco de esperança, e torci para que ele pegasse Jane e a fizesse sofrer muito.
-Nós lamentamos não poder ajudar. Talvez um dia nos encontremos Evans. –disse Esme sorrindo amavelmente. Foi impossível Evans não retribuir o sorriso.
Realmente, os Volturi inventaram muita coisa quanto aos verdadeiros lobisomens. Eles chegavam a ser muito sociáveis, por mais que a cara assustadora falasse o contrário.
-Boa sorte. –eu, minha família e o bando de Jacob murmuramos juntos.
Levantamos nossos corpos do chão, e antes de partir, acenamos com a cabeça para Evans. Sinceramente, eu sentia que todos nós torcíamos por ele. E para mim, chegou a ser algo até humano o que ele fez por Alice, não a usando como chantagem para nós ajudarmos ele.
Começamos a correr após a breve despedida. Olhei para trás e fitei os olhos de Evans pela última vez. Estavam desanimados, porém havia algo indecifrável, era como se ele estivesse fazendo outro plano contra os Volturi. Cheguei a conclusão de que este cara é muito corajoso.
Chegamos ao pequeno estádio novamente, e seguimos rumo ao estacionamento.
Todos entraram nos seus carros e ligaram o motor. Agora precisávamos achar Alice. Os pneus de minha Ferrari cantaram no asfalto enquanto eu acelerava. Edward já tinha o carro dele liderando na estrada.
-Rosalie? –a voz de Jasper no banco do carona me fez pular de susto quando cortou o silêncio. Segurei um rosnado.
-Que droga Jasper! –eu gralhei. -O que você tem contra não me assustar? Gostaria que você se resolvesse: ou fala a viagem inteira e não me assusta. Ou não fala nada, para quando falar, não me assustar! Bico calado!
Ele me fitou curioso e um sorriso divertido brotou no seu rosto.
-O que iria falar?  -perguntei impaciente.
-Para você acelerar. Tenho saudades de Alice. –ele respondeu com um sorriso infantil. Eu dobrei de velocidade enquanto a estrada virava um vulto. Logo Edward e Bella pararam o carro deles no acostamento, então parei o meu também.
Pisei bruscamente no freio e o pneu cantou. Vi o corpo de Jasper se inclinar para frente do banco após minha brusca freada, e ele me encarou como se eu fosse uma louca. Estacionei na frente do carro de Edward e saí da Ferrari. Quando o barulho da porta fechando soou, soube que Jazz já havia saído e acionei o alarme.
Carlisle olhava para nós, como se perguntasse “Nós iremos começar por onde? Se não notaram uma grande floresta nos espera.”.
-Aquele retardado não deu as coordenadas exatas, Edward. –reclamou Bella. –Teremos que nos separar.
-Não querida. Ficaremos juntos. –ele sorriu para ela. -É melhor assim, daria mais trabalho para nos reencontrarmos depois. E além do mais, quero você junto de mim. –Edward sussurrou nos ouvidos dela, e beijou seus lábios suavemente.
-Continuando. –interrompeu Carlisle pigarreando. Reprimi um sorriso. –É melhor seguirmos juntos pelo norte da mata primeiro, se não a encontrarmos iremos para o leste, oeste e sul depois. Talvez, se formos para essas direções, devêssemos nos separar. Vamos.
Corríamos muito rápido, porém meu nariz não captou o perfume suave e delicado de Alice no meio daquela densa mata. Nossa velocidade poderia deixar qualquer um que visse tonto. As árvores eram um borrão verde ao nosso redor.
Renesmee se enfiou na minha frente e não consegui parar meus pés a tempo, devido a velocidade que estava. Por mais que ela não fosse tão rápida quanto nós, o choque produzido entre eu e Nessie foi forte, e um barulho de pedra se chocando audível. Ela não conseguiu me derrubar, e eu só cambaleei um pouco. Olhei para o lado, e ela estava caída no chão, com folhas e musgos em seu cabelo.
-Oh querida! Machucou-se? –perguntei desesperada para ela. Todos estavam olhando para nós, e Jacob me lançou um olhar de reprovação. Edward correu até Nessie, e a examinou no chão, checando se havia quebrado algo.
-Pare com isso pai! –ela disse corando as bochechas. -Eu estou bem, foi só um tombo idiota. E a culpa foi minha, eu me esqueci que tia Rose estava atrás, me esperando acelerar, e soquei meu corpo na frente dela! E como a ordem natural existe, se aplicou aqui. O ser mais forte derrubou o mais fraco.
O pessoal começou a rir, e Renesmee se irritou no meio de toda aquela bagunça verde.
-Ei! Alguém me ajuda a levantar? Meu pé está preso nesse monte de folhas grudentas! –ela reclamou e estendeu a mão. Estiquei minha mão para ela e Nessie a segurou. Puxei seu corpo para cima e minha sobrinha se colocou de pé, intacta.
Carlisle retomou a correria na procura de Alice. Estávamos indo para o Norte, mas nossa rota estava mais para a esquerda agora.
-Parem! –Bella gritou. –Parece que Alice esteve por aqui. Sintam. –então ela inspirou o ar.
-Argh! Tem razão Bella, minhas narinas estão ardendo. –bufou Jake. – E não é por causa de vocês. Foi o cheiro altamente doce de Alice.
Leah balançou a cabeça, concordando.
Ignorei Jacob e seu discurso quanto ao nosso odor e inalei profundamente o ar. Sim, Alice esteve aqui. Jasper seguiu mais para a esquerda, e nos guiava conforme os rastros iam aumentando. Mais uma vez, corríamos muito rápido.
-Captei o cheiro dela! –a voz de Edward estava aliviada. –Seus pensamentos já estão em minha mente. Não estamos longe.
Enchi meus pulmões de ar e berrei o mais alto que pude. Seria mais prático assim.
-ALICE! ALICE! –minha família tapou as orelhas enquanto eu gritava.
Alguns pássaros voaram das árvores, e o silêncio se fez por dois segundos.
-Aqui!  -era a voz perfeita de soprano dela dando ecos distantes pela mata. Ela realmente não estava tão longe. Deus… Alice está bem. Isso era um alívio. Por mais irritante que ela fosse ás vezes, ela era nossa irmã. Sua voz tilintou novamente um pouco mais ao Norte.
Meus pés não pararam enquanto seguíamos Jasper por uma mata ainda mais fechada. Então, no momento em que o rastro mais forte dela foi sentido, Jasper adentrou em uma espécie de clareira.
-Oh querida! –a voz dele estava emocionada enquanto corria para ela.
Alice se levantou do chão em que estava sentada como uma bola, e em um instante, percorreu a clareira rapidamente e saltou como uma bailarina para os braços de Jasper. Eles se abraçaram apertado, e seus lábios procuravam furiosamente os do outro.
Nós ficamos simplesmente olhando a linda cena, constrangidos.
Então Jacob pigarreou. Alice abriu um sorriso nos lábios de Jazz e virou-se para nós.
-Nunca mais faça isso de novo sua pequenina! Só irá sair escoltada agora!  -eu falei sem nenhum tom de brincadeira enquanto ela me abraçava.
-Minhas irmãs! –ela cantarolou enquanto Bella se juntava no abraço. -Que saudades! Vocês estão bem? Eles fizeram alguma coisa para vocês?  -Alice disse preocupada em nossos braços enquanto fitava o resto dos irmãos atrás de nós.
-Não Alice. Estamos perfeitamente bem. Eles fizeram algo com você? –Edward a interrogou enquanto puxava a irmã para um abraço e bagunçava seu cabelo. Ela saiu do aperto dele e correu para Carlisle.
-Não Edward. Está tudo bem. Eles me ameaçaram, então procurei obedecer. Eu sabia que vocês tentariam me achar pelo menos. –ela sorriu e abraçou nosso pai. -Onde está Emmett e Esme?
-Estão em La Push querida, caso acontecesse algo.  –Carlisle beijou o alto de sua cabeça paternalmente.
Ela olhou ao redor e seus olhos foram para Ness, que estava com a cintura amarrada pelos braços de Jacob. Alice também a abraçou e deu-lhe um beijo carinhoso na bochecha. Renesmee estava emocionada ao ver a tia inteira. Nossa irmã veio para o meu lado de novo.
-Ei pequenininha, não irá me cumprimentar? Posso ser um lobo, mas senti sua falta. –Jake falou. Ele realmente faz parte de nossa família, querendo ou não.
Alice deu um sorriso torto e correu até ele. Edward hesitou em seu lugar, querendo impedir o que Alice estava prestes a fazer. Ela saltou para as costas de Jacob e o encheu de tapas.
-Olá cão! –ela gritou de prazer com o reencontro da família. -Estava com saudade de você também, por incrível que pareça! O fato de ter você ao meu lado para me irritar já faz parte de minha rotina! Sinto falta de nossas lutinhas!
Então os dois se reviraram no chão como irmãos mais novos e a primeira rodada de luta começou. Revirei meus olhos com eles. Nada me irritava mais do que essas lutinhas. Mas como era um momento feliz, deixei passar minhas implicâncias. Quase quis entrar no meio, para falar a verdade. Gargalhei quando minha irmã passou uma rasteira em Jake, e em vingança ele puxou sua perna quando ela estava se preparando para correr, esborrachando-se no chão.
Estes dois… eternas crianças. –pensei comigo e Edward sorriu para mim.
-Ok pessoal. –disse Carlisle entre risos. –A segunda rodada será em casa. Vamos embora daqui.
-Tudo bem. Mas Seth é meu. –Renesmee avisou com antecedência quem seria seu adversário quando chegássemos a Seattle. Seth deu um tapa na cabeça dela e eles começaram á correr pela clareira.
Alice agradeceu o restante dos lobos pela ajuda e novamente fizemos a rota para os carros. A corrida foi ainda mais rápida que antes. E a volta para casa foi tranqüila. Jasper não me assustou novamente no banco de carona, pois Alice estava em seus braços no banco de trás. Rezei para que eles não se esquecessem de minha presença aqui e se imaginassem num quarto.
Guardei minha Ferrari na garagem quando chegamos em casa e subi para o primeiro andar, sem querer presenciar as lutinhas que aconteceriam. Bella também subiu para o quarto, deixando Edward lá embaixo. Se Emmett soubesse que seus irmãos e lobos estavam brincando disso sem ele por perto, enlouqueceria.
Comecei a escutar do meu quarto o que estava acontecendo no primeiro andar. Edward ligou para La Push, falando para Emm e Esme retornarem para casa, já que um carro estava com eles. Ótimo, meu marido logo estaria aqui. Por mais que ele fosse brincar de briga com os lobos agora, pela noite seria só meu. Odiava ter que ficar longe assim.
Jacob pegou o telefone e conversou com Sam. Ele falou que Leah, Seth e Embry iriam passar a semana aqui, já que fazia tempo que o bando de Jacob não ficava junto. Como nenhum deles tinha mais escola, pois eles se formaram faz um tempo, podiam ficar aqui o quanto quisessem, para a alegria de Jake e Emmett. Sam pareceu concordar com a proposta, e quis saber as notícias de Allen Park. Jacob contou tudo no telefone, e Sam pareceu tentar se preparar para consolar Paul e Rachel. Jake se despediu falando que logo iria visitar La Push novamente, e de que daqui alguns dias, o bando dele voltaria para lá.
Escutei também Alice e Jasper indo para o quarto, ligando o chuveiro. Senti minha cara se retorcer em repulsa e desci para o primeiro andar. Eu não pretendia subir para o segundo andar pelas próximas duas horas. Porque o reencontro desses dois deveria durar até mais que isso. Só iria quando Emmett fosse. Porque é outra história.
Carlisle conversava com Embry e Edward. Leah e Seth estavam dormindo esparramados no sofá depois de já terem brincado de luta. Bella preparava o jantar para os lobos e sua filha na cozinha, e resolvi ajudá-la.
Estava picando as cebolas enquanto Bella descascava batatas. Feliz por nossa relação de irmã existir. Quando ela era humana, eu realmente estava contra ela. Porém Renesmee uniu tantas coisas, e mudou minha concepção também. Hoje, Bella é para mim tão irmã quanto a Alice. Logo terminamos de fazer um caminhão de sanduíches e fritas.
Ri sozinha ao imaginar que além do canil que os Cullen poderiam inaugurar, poderíamos ser donos de um outro negócio também. Lanchonete McCullen´s. Com certeza, nenhuma lanchonete faria tantos sanduíches em tão pouco tempo quanto fazíamos. Escutei Edward gargalhar da sala.
-Venham comer! –gritou Bella. Então vários vultos morenos e um pálido passaram pela cozinha. Mal pisquei o olho, e os sanduíches acabaram. Deus. Nessie e os lobos deviam estar famintos.
-Só espero que não tenha veneno Bells, pois está divino. –disse Seth com a boca cheia enquanto ria. Bella mostrou a língua para ele e se jogou no sofá ao lado de Edward.
Deveria ser oito e meia da noite. Carlisle havia dito que a escola seria poupada amanhã. Era ótimo poder matar aula na segunda feira. Olhei para o céu pela janela de vidro da sala. De um jeito ou de outro nós, -exceto Nessie e Jake- não iríamos à aula amanhã. Iria fazer sol sem dúvida alguma. A noite estava limpa demais.
Seattle era uma cidade previsível. De manhã, era nublado. De tarde, o calor era insuportável, porém sem muitos raios solares. De noite, agradável. Quando por milagre fazia sol, as noites eram como essa.
Os Cullen andaram faltando no primeiro semestre algumas aulas, porque as manhãs estavam sendo ensolaradas. Nesse segundo semestre, elas estavam sendo mais raras. O que era bom, porque a freqüência na escola também é somada na passagem de ano. E faltar muito poderia nos dar uma bela reprovação.
Mas será só amanhã, não fará diferença. –pensei com um prazer macabro. Faltar o inferno que era a escola era muito bom.  -E logo a formatura chegará. –pensei novamente. Mais uma.
Alice e Jasper ainda estavam no quarto quando eu me dirigi para a sala. Os lobos e Ness deveriam ter subido para os seus quartos também, pois já comeram e estavam cansados. Só os outros vampiros estavam aqui. Eu, Ed, Bella e Carlisle.
Sentei-me na poltrona de frente para a TV e suspirei. Vi Bella carregar Edward para cima pelo canto do olho. Que ótimo.
Onde estava Emmett!? Não queria ficar sozinha com meu pai na sala por muito tempo.
Então escutei o barulho de um motor na estrada, e logo o portão da garagem se abriu. Quiquei para a porta da sala e a abri. Podia sentir o cheiro delicioso dele vindo para cá. E Emmett apareceu subindo o hall de entrada junto de Esme, todo sorridente. Ele correu até mim e me beijou com fome. Respirei fundo e me lembrei de que ainda estávamos na sala.
-Que saudades. –murmurei no seu pescoço.
-Eu também querida. –ele sorriu de novo. -Você está bem não é? Sam contou para mim e Esme o que havia acontecido em Allen Park, antes de voltarmos para casa. Fiquei preocupado.
-Sim amor, estou bem. Todos nós estamos. –enquanto respondi meu dedo indicador percorreu os músculos de seu peito.
-Então vem comigo.  –sua voz era suave e o rosto escondia um sorriso malicioso. Eu o segui escada acima.
Abracei Esme antes de entrar no quarto. Feliz por nossa mãe estar bem, e não ter encontrado lobisomens hoje. Ela não se encaixava com aqueles rostos. Emm trancou a porta de nosso quarto assim que entrei. Ele mal cumprimentou os outros irmãos e lobos, que já estavam trancafiados nos seus quartos também.
-Amanhã cedo, antes de eu ir para o hospital, iremos todos conversar sobre hoje. Esclarecer tudo. -Carlisle avisou falando mais alto. Ele queria que todos escutassem. Vários murmúrios de concordância foram dados de todos os quartos, então o ouvi arrancar risadinhas de Esme e eles correrem para seu quarto também.
Balancei a cabeça tentando não imaginar o que meu pai e mãe estavam fazendo.
Os braços de Emmett passaram por minha cintura enquanto andávamos em direção á cama.
-Nunca mais quero me separar de você assim. Rose, eu te amo. –ele sussurrou docemente.
-Eu também te amo, Emm. Iremos declarar a nova lei para Carlisle amanhã: Emm vai onde Rose está. –eu disse, e ele me lançou seu sorriso com covinhas. Senti meu coração de pedra derreter.
Ele riu da minha reação e me puxou para mais perto dele. Fechei meus olhos, e os abri quando senti algo mole e confortável em minhas costas.
O colchão.
Emmett roçou seus lábios por meu pescoço e as saudades foram deixando de existir conforme as horas passavam.


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