quinta-feira, 16 de junho de 2011

Diário de uma imortal – Capítulo 06

Dia Infernal
Levantei-me da cama enrolada pelo lençol, carregando comigo o livro e os óleos, deixando-os bem guardados na gaveta de meu closet novamente. São objetos confidenciais demais para ficarem à vista de todos. Eu andava tirando eles da gaveta muitas vezes nas últimas semanas que se passaram desde o aniversário de Nessie, e havia virado uma rotina guardá-los secretamente pela manhã. Uma rotina que dava muitos lucros pela noite. Emmett que o diga.
Dirigi-me ao banheiro de meu quarto sem a mínima vontade de andar, então praticamente me arrastei até lá. Emmett ainda estava na cama, completamente despido, vendo um seriado sangrento na TV. Esses programas não ajudariam muito no meu autocontrole hoje.
Tomei uma ducha tão gelada quanto minha pele, e afundei meus cabelos na água, refrescando minha cabeça e acalmando o veneno na minha boca. Deixei a água lavar os restos de óleo aromatizado que estava no meu corpo, resultado do trabalho árduo dessa noite. E que trabalho.
Se eu me acalmasse, seria de grande utilidade para o começo da manhã de hoje. Eu acho. Saí nua do banheiro até meu closet, e lá escolhi a roupa que iria à escola hoje. É, o inferno começaria novamente. As férias de verão passaram rápido demais esse ano.
Maldição. Até o final do ano terei que aturar aqueles humanos ridículos novamente. Com exceção de alguns, mas a maioria era incrivelmente estúpida. Eu estava praticamente meditando, tentando retirar da cultura asiática –além do que eu já sabia e que era muito útil- uma religião em que eu pudesse simplesmente relaxar.
O que mais me irritava pelo dia infernal que seria o de hoje, era pensar em como seria meu reencontro com Michael no intervalo. E pensar o que ele faria quando tivesse aulas com Renesmee, Jacob, Bella, Edward, Alice e Jasper. Por sorte eu e Emmett não estávamos matriculados no mesmo ano que ele. Seria um teste altamente impossível para meu extinto assassino. Garoto estúpido que se achava o cara em tudo!
-Emmett, arrume-se para a escola querido. –falei o mais docemente possível. Minha voz ainda saiu irritada.
-O que eu fiz dessa vez? Achei que os óleos essa noite muito bons… –ele se queixou e fitou meu rosto.
-Você não fez nada. E sim, os óleos foram ótimos. E não, não estou brava. Estou irritada com a volta às aulas. E sim, você terá que ir. Então para isso arrume-se. –falei sem interrupção para que ele entendesse minhas ordens. Porque se eu não ordenasse, iria para a escola sozinha. Emmett odiava aulas tanto quanto eu.
Ele se levantou relutante da cama enquanto eu arrumava nossos materiais e os socava nas mochilas. Escutei ele entrar no banho e fui arrumar meu cabelo. Pelo menos os fios dourados tinham uma aparência alegre e viva. Completamente diferente de minha expressão mórbida e fria, que todo odiador de escola deve ter.
Nos primeiros anos em que íamos para escola, era até legal. Porque muitas coisas que estudamos quando éramos humanos, foram esquecidas, e muitas teorias haviam mudado. Então aprendíamos com prazer as coisas novas. Mas conforme as décadas passavam, o aprendizado se estagnou, e nenhuma modificação em teses foi feita. Era raro. Então não havia nada de novo, e sabíamos tudo de cor, após freqüentar anos e anos no ensino médio. Tudo era tão monótono quando íamos agora. Porque não precisávamos prestar atenção na aula, estudar para provas, e ler os livros recomendados. Na verdade, os Cullen só iam à escola porque ficaria estranho os filhos do Doutor Carlisle Cullen não quererem ser estudados. Simplesmente tedioso.
Quando terminei de me arrumar, fui me sentar na beira do riacho, que corre solto entre o quintal e a mata que rodeia a casa. Na verdade, esperando Emmett ficar pronto. Meus olhos estavam fixos nas pedrinhas mergulhadas no fundo da água, e minha mente corria solta. Imaginava-me novamente no segundo semestre, meu encontro com as pessoas da sala de aula, nos professores que acreditavam que eu era superdotada, nos intervalos em que os Cullen e o cão se reuniam.
De repente, sem fundamento algum, imaginei algo que eu não esperava imaginar, que não tinha o porquê de eu imaginar. Minha mente fantasiou-se comigo vestida de preto, ao meu redor estavam todos os Cullen, os bandos de La Push, e humanos como Charlie e Billy, também trajavam vestes negras. Na minha frente, havia um caixão.
Porque diabos eu me imaginei em um enterro!?
Minha mente retornou para imaginações mais seguras e menos sombrias. Como uma próxima caçada e compras nas lojas. Eu estava ofegando, intrigada pelo pensamento ridículo que passou por mim antes.
Jacob me deu uma sacudida, violenta demais, que me fez recuperar o fôlego novamente.
-Rosalie!? O que foi? Tudo bem?  -Jake perguntou confuso. Não entendi quase uma palavra do que ele disse. Estava atordoada com minha imaginação solta.
-Ok Jacob. Deixe-me ir. Foram pensamentos idiotas e sombrios. Emmett já deve estar pronto. O que está fazendo aqui, aliás? –perguntei muito mais consciente da realidade que antes.
-Estava procurando meu relógio de pulso antes de ir para a escola. Acho que o perdi por aqui ontem… –ele respondeu e começou a vasculhar o chão, procurando o objeto.
Suspirei e praticamente rastejei até o carro. Emmett já estava me esperando.
-Preparada Rose? O segundo semestre começou. –ele disse tentando me animar.
-Estou me sentindo como sempre Emm. Nada entusiasmada. É sempre a mesma coisa.
Estava entrando no meu carro, a Ferrari conversível que ganhei faz quatro anos, e que substituiu muito bem minha BMW, quando Emmett me arrastou até seu jipe monstruoso e me jogou no banco do carona.
-Eu dirijo hoje boneca… –ele piscou seus olhos para mim e abriu um sorriso com suas covinhas.  Não havia como eu negar seu pedido, e na verdade, se eu tocasse no volante do meu carro, atropelaria quem visse na frente.
Acho que Edward tinha razão quando me disse uma vez que: enquanto eu estava sendo transformada, só conseguia sentir raiva, dor e vingança, e como não pensava em outra coisa, esses sentimentos se congelaram em mim. Isso explica de uma maneira o porquê de meu gênio ser tão… pavio curto.
Eu respirei fundo enquanto Emmett dirigia para a escola, uma das mãos dele roçava meu ombro, me acalmando do horrível dia que estaria por vir. Ele não estava muito animado, mas não tão horrorizado quanto eu. Na verdade, Alice era a mais animada por tudo isso. Porque indo à escola, ela poderia saber qual era a tendência da moda adolescente, e poderia criticar secretamente para nós a roupa dos humanos. Ela gostava tanto da escola que seu carro liderava o caminho até lá. Para mim, escola ultimamente anda sendo uma tragédia.
Entramos no estacionamento da West Seattle High School, e vi os grupos humanos reunidos em lugares diferentes, como o pessoal do time de futebol americano em cima dos carros, rodeados de garotas, ou os garotos do clube de xadrez sentados no meio fio.
Todos pareciam estar excitados, falando e rindo alto demais, contando suas aventuras nas férias. Meu lado sarcástico quase me fez gargalhar. As aventuras humanas se restringiam a acampar ou escalar uma montanha. As aventuras dos Cullen iam de caçar animais onde acampamos, e saltar das montanhas que escalamos. Os humanos não sabem na verdade o que é uma boa aventura. A não ser quando saltam de pontes e morrem com a cabeça quebrada no chão, tudo porque queriam voar ou sentir adrenalina. Estúpidos.
Emmett estacionou o jipe após achar uma vaga perto dos carros de nossa família, e como sempre os fanáticos por motores rápidos se aglomeraram ao nosso redor. Alice e Jasper não aceitaram pegar carona comigo ou Edward, e atraíram muitos olhares com o Porsche amarelo. Os humanos que já nos conheciam nunca enjoavam de reparar no carro esportivo. E os novatos praticamente desmaiaram. Nesse ponto, eu e Edward somos bem mais discretos.
Emm pegou minhas mãos e me lançou um olhar divertido. Querendo ou não, ele gostava da escola para fazer bagunça ou irritar os professores, falando muito na aula deles e tirando notas boas nas provas. Descemos do jipe e eu me preparei para o inferno particular começar.
O resto dos meus irmãos também saía dos carros. Todos os casais com os braços envoltos entre si. A atenção de pelo menos metade dos grupos humanos se voltou para nós. Os novatos do segundo semestre nos encaravam como se fôssemos algo extraterrestre. Os olhares percorriam dos carros aos casais, e dos casais para os carros.
Porém a maior atenção ia para o casal mais novo, Jake e Ness. As pessoas que não sabiam que eles estavam namorando, ou seja, praticamente toda a escola, já que só quem foi no aniversário dela sabia disso, deixavam seus queixos caírem com tamanha conexão entre eles. E com o quão estranho soava o namoro entre família dos Cullen.
Eu segui Emmett até a secretaria, ignorando assim como ele os rapazes que me fitavam.
-Sabe… –ele cochichou enquanto caminhávamos. –O que eu odeio na escola é esses idiotas que te ficam… comendo com os olhos. –Emmett passou a mão fortemente pela minha cintura e encarou um garoto alto que me olhava. O menino simplesmente abaixou a cabeça e começou a andar mais depressa. –Isso. É assim que as coisas devem funcionar. Gosto disso.
Gargalhei baixinho enquanto também passava minhas mãos pelas costas de Emmett. –Você acha que eu gosto quando vejo garotas admirando seus músculos? Esse é outro motivo para eu odiar a escola. Nós poderíamos estudar em casa, seria muito mais fácil.
-Acho que eu não me concentraria nos estudos se estivéssemos ao lado de uma cama, com você do meu lado, Rose. –ele piscou. Entramos na secretaria e pegamos nossos novos horários de aula do segundo semestre.
Fiquei alegre que quase todas elas fossem juntas, então, não me preocupava muito ficar uma ou duas aulas sem Emmett. Seguimos rumo a sala de aula do professor John, e nos despedimos do resto da família até o intervalo. A aula passou até que rapidamente, talvez porque eu me entreti em observar o novo corte de cabelo do professor, ou porque Emmett me mandava bilhetinhos com frases meio… foras de ocasião.
Rose querida, que óleo aromatizante vai usar hoje à noite?
PS: o cabelo do professor está horrível.
Segurei uma gargalhada depois que li o papel, e disfarçadamente respondi a mensagem. Não seria legal se o professor pegasse isso.
Hmm, nós nunca experimentamos o de hortelã e eucalipto. Pode ser ele?
PS: eu também achei o cabelo dele horrível, parece um pica-pau.
Emmett pegou o papel e leu, concordando com a cabeça na primeira frase, e gargalhando alto na segunda. O professor o encarou, e Emmett murmurou um pedido de desculpas. Quando Sr. John virou-se para o quadro novamente, Emm respondeu meu bilhete.
Huum, hortelã soa muito bem. É… Refrescante.
PS: se o professor quiser conversar comigo após o sinal bater, é por causa daquela gargalhada. A culpa foi sua, mas eu adorei o apelido. Pica-pau parece ser o nome dele.
O sinal bateu logo, e Emmett saiu ileso do riso em horário inadequado. Passamos por mais duas aulas, e seguimos para o refeitório. Toda a família já estava sentada na nossa conhecida e excluída mesa. Para variar, não comemos nada. Só o esfomeado do cão e Renesmee se serviram de comida. O cheiro de hambúrguer era repulsivo para mim.
Jasper se segurava cada vez que uma brisa soprava janela adentro, por precaução. O cheiro de vários humanos o levava à loucura. Porém ele estava se dando muito melhor com isso do que há anos, e posso afirmar com certeza, ele não se descontrolaria facilmente.
As outras aulas foram tranqüilas, eu e Emmett ficamos separados em só uma delas. E justamente nessa, um novato tagarelou demais comigo.
-Ei, sou Derek, como vai? –o garoto de cabelos meio ruivos perguntou.
-Bem. –soei fria e ignorante. Não queria conversa com estranhos. Muito menos na falta de Emmett e no retorno do semestre.
-Está tudo bem com você? Parece nervosa. Pode me falar seu nome? –ele continuou a indagar.
-Sim, está tudo bem. Não, não estou nervosa. E não, não irei te falar meu nome.
-Adorei o carro de seu namorado. Não estou tentando dar cantada em você, só queria conversar. Mas pelo visto está meio difícil.
-Emmett também ama aquele jipe. Obrigada por esclarecer que só quer ser meu amigo. E realmente está difícil de conversar hoje. Desculpe, mas o retorno das aulas é horrível.
-Eu também acho horrível. –ele riu. –Acho que só temos essa aula juntos, na semana inteira. –Derek concluiu ao comparar o horário em minhas mãos com o dele.
-Ah. Podemos nos falar mais nas próximas aulas então, prometo que meu humor vai estar diferente. –eu acho.
-Hmm, tudo bem. Desculpe se te incomodei. E… eu tenho uma namorada. –ele riu de novo e se endireitou na cadeira, copiando o que o professor passou. É, talvez eu pudesse ser amiga desse rapaz. Chances mínimas, mas talvez.
Logo o sino bateu, e me reencontrei com Emm em trigonometria. Passamos por mais uma aula, e a próxima era educação física. Emmett simplesmente amava essa, e Carlisle sempre o aconselhava:
-Humanos são frágeis. Não jogue tênis ou basquete com eles como você joga com nós. Eles têm ossos quebráveis, e menos cromossomos que nós. –Emmett murmurou enquanto se lembrava dos pedidos de nosso pai. Segurei uma risada com o quão responsável ele parecia falando isso. Adentramos no ginásio de mãos dadas e fomos escolhidos pelos times que jogariam agora.
E o dia chegou ao fim assim que bateu o sinal. Um coro de ALELUIA gritou de dentro de mim. Encontrei-me com meus irmãos no corredor principal, enquanto Emmett ainda trocava de roupa no vestiário. Eu e a família resolvemos esperá-lo no estacionamento, e meus irmãos foram para seus respectivos carros.
Estava caminhando sozinha para o jipe quando vi Michael. Ele cerrou seus olhos na minha direção, tentando ser intimidador, mas só conseguiu tirar boas risadas internas de mim. Desde o dia raivoso do parque, os Cullen não haviam o visto novamente, porque ele não foi convidado ao aniversário de Nessie. Meus irmãos já deveriam tê-lo visto nas aulas, mas eu ainda não havia. Nem Emmett.
Ele achava que eu ficaria com medo dele? Michael não gostou muito quando eu comecei a rir visivelmente. Ele começou a caminhar até mim, e com certeza falaria alguma coisa provocativa, que eu não iria admirar nem um pouco.
Michael subitamente parou. Os lábios retorcidos de raiva, os olhos encharcados de frustração. Entendi o porquê quando vi Nessie e Jacob deslizarem de mãos dadas para dentro do carro de Bella, e quando Emmett chegou ao meu lado, e deslizou as mãos em meus ombros.
-Alguma coisa de errado? –Emm perguntou com a voz severa e ácida. Jasper abaixou o vidro do carro de Alice e nos fitava paciente, analisando o humor do sociopata na minha frente.
-Pergunte para ela, a SUA namoradinha. –Michael me fitou irônico. Os olhos azuis dele cintilando ódio. Ele às vezes parecia tão possesso quanto Royce me pareceu naquele dia.
-Está tudo bem. Vamos embora Emmett. –eu gralhei. Uma estranha sensação de pânico me encheu. Aquele garoto não era bom. Tinha algo carregado demais nele. Jasper sentia muito mais isso do que eu, a expressão dele demonstrava claramente o que eu pensava.
Emm concordou com a cabeça e me guiou até o banco de carona do jipe, abrindo a porta para mim. Ele contornou o carro rapidamente e logo dava a ré pelo estacionamento, ignorando o olhar assassino que Michael nos lançava, e seguindo os carros de nossa família.
Senti-me muito mais segura indo para casa. Michael era outro motivo para eu odiar a escola.
Chegamos em casa rapidamente,  e eu fui fazer minhas lições junto com Emmett. Quanto mais rápido terminasse as odiosas lições, mais a tarde seria livre.
-Mas essa matéria de novo?  -Emmett quase gritou de frustração, e fez um biquinho infantil de raiva.  -Nada mudou!? Nem uma correção, ou um tópico que surgiu recentemente, modificando a teoria? Nada?! Ok, eu terei que agüentar isto novamente.
Ele cruzou os braços e suspirou pesadamente, então jogou o caderno no chão e se deitou no tapete, começando a resolver os primeiros exercícios. Segui seu exemplo, porém nada decidida a agüentar tudo isso de novo. Mas é impossível que demore tanto assim para acabarmos com esses deveres logo!
Eu e Emmett ficamos toda a tarde fazendo lições, trabalhos e pesquisas. Toda a tarde foi jogada fora. Tudo por causa dos estúpidos professores que passavam tópicos impossíveis de achar, até mesmo na internet e na memória vampírica.
Eu borbulhava de raiva.
Em um piscar de olhos a noite caiu, e descemos ao primeiro andar somente para darmos boa noite a todos, então subimos para o quarto novamente. Pelo menos eu não jogaria a madrugada fora fazendo questões de trigonometria!
-Hora de estudar sobre a flora, Rosie… –Emmett murmurou quando se sentou na nossa cama. Eu cerrei meus punhos e fechei a cara. Como assim estudar!? Nossa tarde ridícula não bastou?
-Como assim Emmett McCarty Cullen? –eu gralhei. Esperava que em todos nossos anos de casado, ele tivesse aprendido que quando eu o chamava pelo nome inteiro, não era boa coisa.
-Hortelã e eucalipto. Acalme-se, não estou falando de livros escolares. E sim componentes de nossos perfumados óleos. Eles ajudam muito com nosso livro preferido da cultura asiática… –Emm sorriu maliciosamente. O alívio percorreu minha espinha. Ótimo.
***
Estava entrelaçada na respiração dele, deixando meus dedos percorrerem os músculos de seu abdômen. Nós dois aguardando o amanhecer após experimentarmos a refrescância dos óleos.
Levantei-me para fechar a janela de vidro da varanda, e guardar nosso livro oriental na gaveta. Retornei para ficar novamente ao lado dele. Seus olhos estavam fixos no teto, e infantilmente resolvi fazer o mesmo, nunca abrindo espaço entre nós.
Pensei no quanto o tempo passa lentamente, chegando a ser monótono e enjoativo. Ele só não é ruim quando estou com minha família, e principalmente Emmett.
Alguns dias na aula, finais de semana caçando, mais dias na aula e noites nada paradas com Emmett se passaram. Deveria fazer três semanas que as aulas haviam recomeçado, e o tempo andava mais devagar com elas. Em casa, ele passava rápido. Sendo que deveria ser ao contrário.
Todas as noites eu e Emm nos deitávamos, e escutávamos o relógio bater com seus ponteiros, em meio de nossa respiração acelerada. Sinceramente, Emmett era o único que não deixava minha vida se transformar numa rotina.
E os dias continuaram passando.
Ontem à noite, por acidente, não só eu e Emmett, mas todos os outros escutaram. Havia um casal e uma cama barulhenta demais. Totalmente ofegantes, e ao que me parecia uma arritmia cardíaca, beijos e suspiros ecoavam tapando os batimentos cardíacos dos dois.
Nessa casa, só duas pessoas que são moradores, e não hóspedes, têm o coração batendo.
Jacob e Nessie.
Sem dúvida, ele deveria estar sendo muito carinhoso e cuidadoso com Renesmee. Pelo bem da sanidade de Edward. Isto tudo é novo demais para os dois. Porém ambos são maduros o suficiente para tudo. Assim eu esperava.
Hoje, no café da manhã, o clima parecia leve, mas muito tímido. Claro que estaria!
“Ora”, pensei comigo, “Qual o problema de ter sua primeira vez em uma casa cheia de vampiros, exceto pelo fato de que eles escutaram tudo, e seu pai lê mentes? Tirando isso, nenhum”.
Edward me olhou. Na verdade, me dilacerou com o olhar. O que eu posso fazer? Só disse a realidade! Ou ele irá me falar que não leu a mente de Jacob? Que lhes deu privacidade total? Não sou idiota! Renesmee tem motivos o suficiente para ficar constrangida.
Ninguém tocou no assunto com eles, mas eu sabia que Bella conversaria com os dois depois. Ela pelo menos sabe que privacidade é legal.
-Eu também sei. –Edward sussurrou para mim. Oh, sabeConverse com os dois depois.
-Farei isso. Amigavelmente. –meu irmão sorriu para mim, e fiquei contente por Jacob ter conseguido sair vivo dessa. Ed segurou uma risada e motivou todos para mais um dia de aula enquanto caminhávamos para a garagem.
Novamente o tempo era lento demais, os segundos não caminhavam… arrastavam-se. Eu não queria que o tempo passasse rapidamente toda hora, somente na escola. Só que era ao contrário, na escola o tempo não passava. Já em casa, com minha família… ele voava. Isso é bem chato!
Meus olhos estavam doentios no relógio de pulso. Um, dois, três
“Trimmmmm”. Ufa! O último sino bateu. Posso ir para casa agora, onde o tempo infelizmente passa mais rápido. E onde eu posso ficar mais bem acomodada com Emmett. Chega de escola por hoje.
Assim o tempo passou, às vezes rápido demais, às vezes lento demais. Porém uma coisa eu não posso negar, a vida de um imortal é monótona, mas cada segundo é tão aproveitado quanto o outro, por mais rápido ou lento que seja o tempo.
As folhas do calendário eram mudadas, com alguns dias se destacando dos outros. Como os que acampávamos ou saíamos pela noite no shopping ou em festas.
Julho, Agosto, Setembro, Outubro.
A estação logo entraria em inverno, e obviamente isso era motivo para Alice querer comprar roupas. Até mesmo os garotos aceitaram a idéia. Era um final de outono agora. As árvores balançavam seus galhos sem nenhuma folha. O vento forte e frio soprava o suficiente para arrastar alguém muito magro por aí.
Estamos exatamente em 13 de Outubro.
-Rose, que tal alguns saborosos cervos ou raposas antes de irmos ao shopping? –Emmett perguntou com o rosto brincalhão. Ele passou as mãos na barriga e fingiu que seu estômago roncava, tirando risadas de mim. –Estou com “fominha”…
-Tudo bem, nós vamos acabar com uma família de raposas por aí… –descemos as escadas, excitados para a futura caçada em dupla, quando o telefone tocou.
Atendi ao telefone residencial, e me parecia ser a voz de Leah falando. As palavras saíram atropeladas, mas em nada alterou o sentido. Escutei corretamente:
Está nascendo, avise ao Jake. Preciso desligar. Obrigada”.
Minhas pernas se moveram em um ritmo frenético até o quarto de Nessie. Emmett me encarava confuso enquanto Edward me acompanhava na mesma velocidade pela escada, já informado dos acontecimentos.
Encontrei Jacob fazendo dever de casa junto com minha sobrinha, e lancei a notícia mais esperada por ele.

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