Nota da autora: os capítulos de Rose estão de volta. Espero que tenham gostado da visão de outros personagens nos capítulos anteriores. Abraços.
Vivendo e lutando nas trevas
Desde que cheguei na casa em Seattle, junto de parte de minha família que estava buscando Emmett comigo, me enfiei no quarto e não saí dele durante o resto das horas.
Eu já estou enfurnada aqui faz quanto tempo?
Fitei a foto de Emmett em minhas mãos novamente. Eu estava ajoelhada na base da cama, com a cabeça apoiada no colchão. O álbum de nosso casamento estava lá, com todas as fotos espalhadas sob o lençol. A sensação que senti desde que notei que o morto naquela fogueira era Emm voltou a atacar novamente, minha garganta se apertou e um soluço brotou de mim.
Eu estava forçando Jasper a não me controlar com suas emoções. Eu queria chorar, se é isso que fazemos.
Por que ninguém quer me matar quando quero morrer?
-Tia! -Ness me infernizou novamente, batendo na porta. Não respondi.
-Tia! –ela praticamente implorou. -Faz um dia e meio que está trancada aí dentro! Por favor, minha mãe não quer mais manter o escudo dela em você. Está cansada. Seus pensamentos e emoções ficarão fáceis de administrar para meu pai e tio Jasper! -ela ameaçou. –Vamos, saia daí.
-Avise que se sua mãe abaixar o escudo, irei para a Itália. -minha voz saiu estranha.
Fazia praticamente dois dias que eu não falava nada.
-Fazer o que na Itália? –Nessie indagou. Sua voz ainda parecia meio abalada pelos acontecimentos recentes.
-Os Volturi não são os melhores amigos dos Cullen, não é? -o humor negro tomou conta de mim e de minha fala.
-Rosalie! -Edward gritou ao que me parecia ao lado de Ness, sua voz rouca e sentida. -Por favor, pare com isso!
-Me devolva Emmett então! –eu gritei raivosa. –Por que tudo dá errado? Por que ele morreu?
Comecei a chorar e gritar novamente. Eu sei que agia como uma criança birrenta que queria um brinquedo. Mas Emmett não era um brinquedo, era meu marido. E deveria ser pela eternidade.
-Rosalie, você terá que superar isso. –Ed tentou me acalmar, sem nenhum sucesso. –Não torne tudo mais difícil. Por sua família, abra a porta. Não quero ter que fazer isso arrombando-a.
Me arrastei até lá, sem a menor intenção de me levantar. Girei a chave e a abri, comigo ainda sentada no chão. Os olhos de Ness se arregalaram com minha expressão, já que eu realmente deveria estar repugnante, e Edward fitou os álbuns em cima da cama.
Seus braços foram reconfortantes em meu redor, e ele agachou-se para continuar abraçado à mim. Edward era quem tinha passado mais próximo de perder sua companheira, e ele deveria conhecer minha dor.
-Querida. –Esme surgiu ao meu lado e afagou minhas costas. Eu queria sair correndo dali.
Nenhum dos braços ainda era o que eu queria. Nunca seria. Não é?
-Mamãe irá caçar com tia Alice daqui a meia hora. Quer ir? –os olhinhos de Nessie brilharam com esperança. Pude notar que onde deveria estar branco, a coloração levemente vermelha se desfazia. Ela andou chorando. Acho que todos eles andaram.
-Não. –respondi sem vontade de abrir a boca, com a voz saindo abafada.
-Rosalie… Olhe-se no espelho. –Edward fez uma careta ao me encarar, dando ênfase á sua fala.
“Eu sei que posso estar parecendo a tal loira do banheiro, mas, por favor! Não me obrigue a isso! Não me obrigue a me sentir melhor!”. Eu pensei.
Praticamente gritei isso na consciência. Provavelmente Bella tirou seu escudo de mim agora, assim que escutou minha voz.
-Não estou falando do estado de seu cabelo ou expressão facial! –Edward corrigiu-se. -Mas de seus olhos! Estão com sede, e não gostaríamos que humanos fossem drenados por aí.
Fui até o banheiro de meu quarto e me olhei no espelho. Realmente. Estado horrível.
Mas o que chamava a atenção era o negro dos olhos. Negros profundos. Isso não era bom. Eu realmente teria que sair para caçar?
“Como é possível, Edward? Cacei com… Com… Emmett faz três dias. Não era para estar com sede.” Falei por pensamento de novo. Até que ter um irmão telepata não estava sendo tão ruim assim.
-Acho que sua histeria fez com que gastasse muita energia. Não acha? –Ed tentou esboçar um sorriso desanimado, me fitando do lado de fora do banheiro. Ele sentia falta do grande irmão e suas lutinhas insanas.
Fechei a expressão e expulsei-o do meu quarto, batendo a porta na cara de Ed, Nessie e Esme, que estavam nos observando antes. Catei qualquer roupa que vi na frente e a vesti. Se Alice implicasse com isso seria ignorância.
Desci as escadas e notei pela iluminação dos vidros que era em média sete e meia da noite. Aonde iríamos esta hora? No máximo para Tacoma.
-É, vocês vão para lá. –Edward tagarelou sobre meus pensamentos.
-Hmm. Ok. –se eu tivesse que falar, tentaria me limitar a palavras pequenas.
Jacob apareceu na sala acompanhado de Alice, e ambos me olharam com solidariedade. Minha irmã andou até mim, e com força, me abraçou.
-Você está de volta. -ela disse aliviada. Minha família parecia muito abatida com os últimos acontecimentos, mas ainda sim, muito melhores que eu. Abri a boca para falar, desta vez, palavras maiores.
-Não estou inteira, Alice. –minha voz falhou em vários pontos. -Portanto, não estou completamente de volta. Só uma parte de mim.
-Eu sei. –ela parecia compreensiva. -Mas ainda temos metade de você. Isso será tranqüilizador para voltarmos a restabelecer nossa família. Sabermos que você está bem. E que continuará conosco. Não é?
Sua pergunta me fez hesitar. Eu realmente pensei muito em sair daqui. Clarear a cabeça em outro lugar. Viver sozinha um tempo, adequando-me com tudo aquilo. Viver não, me arrastar até os últimos dias.
Neste momento fitei o rosto de Carlisle e Esme, que observavam meu diálogo com Alice ao lado de Jacob. Não. Eu não poderia deixá-los. Eles são a minha família. Sempre serão. Por mais incompleta que ela esteja agora.
-É claro que sim. –respondi decidida. Meus pais e Alice sentiram-se aliviados, embora as expressões demonstrassem que escondiam sua tristeza de mim. Como se eu me sentisse melhor os vendo esconder a perda do filho e irmão. -Eu amo vocês. Obrigada pela força, mesmo eu sendo relutante. –queria chorar de novo, mas me controlei.
Lembrei que enquanto fiquei trancafiada em meu quarto, algumas coisas estranhas aconteceram. Coisas que eu ignorei e não dei a menor importância. Eu estava afundada no meu próprio poço particular.
Os fatos tentaram se unir na minha mente entorpecida. Quando eu tinha chegado das montanhas, imediatamente me fechei lá em cima, e por mais que eu gritasse, escutei algumas coisas.
“Fred, ele fugiu, pois se sentia culpado.” – alguém havia falado. Ele não tinha culpa. Eu tinha.
“Ele repeliu Alice por um bom tempo. Está indeciso agora. Ela não vê onde ele está ou o que está fazendo.” – outro falou. Por que ele repele Alice? Não quer mais voltar aos Cullen?
Mas…
Essa frase em pânico foi a que mais chamou atenção: “Oh meu Deus! Ele não me repele mais, e tomou uma decisão! Elizza? O que ele… O que? Fred! Não faça isso! Fred! Elizza! Elizza!”.
Lembro que Alice gritava isso. Então a escutei falando ao telefone e os carros acelerando na garagem.
Então ignorei isso que escutei, pois não fazia sentido para mim, e havia pegado o álbum de fotos. Aí a histeria começou. De novo. Quando os escutei chegando, o cheiro de veneno no ar era forte. Alguns gritos ecoaram pela casa. Gritos de dor. E então escutei a voz de Fred de novo.
Eu não ligava para o que estava acontecendo lá embaixo, e ignorei mais uma vez, voltando a gritar e chorar insanamente.
Retornei para o presente quando minha mente se relembrou dos fatos. Edward me fitava como se entendesse que eu havia visto algo, que eu havia notado. E também viu que eu não entendia o que era.
Olhei para Carlisle na minha frente. Mas…
-Pai… –hesitei com a voz rouca. -Você não deveria estar no hospital, mesmo sendo final de semana, já que chegamos mais cedo das montanhas? Você não ficaria na emergência, já que seu pedido de licença acabou terminando mais cedo? -realmente algo muito errado acontecia.
-Sim. –Carlisle disse calmo, porém sua voz carregava um profundo tom de desolação. -Mas pedi licença por mais dois dias. O hospital me concedeu, já que eu sempre faço muitos plantões. Precisava ficar aqui em casa, por Emmett e… Fred. –meu pai soou preocupado.
Meus olhos varreram a sala e não o achei. Ele estava com o resto da família ou…?
-Cadê Fred? –indaguei, eu realmente estava dando importância á isso. -E o que aconteceu enquanto estive no quarto? Estou desinformada demais, não é?
Um grito de dor familiar ecoou pela sala. Renesmee deixou uma lágrima cair de seus olhos, saindo do lado de seu pai e indo abraçar Jake. Escutei sussurros vindos do segundo andar. “Logo vai passar. Meu amor, isso vai passar!” – era o grave timbre de Fred ecoando de algum quarto.
-Quem está lá em cima? Alguém está se transformando? -minha voz saiu em pânico. Lembrei de Alice e sua gritaria enquanto eu estava no quarto.
-É Elizza? O que aconteceu com ela? -eu arfei. Só poderia ser a amiga de Nessie.
-Sim, é ela. –Ed suspirou. -Quando Fred fugiu, logo após termos achado aquela fogueira, ele a encontrou sozinha em casa. Ele estava apaixonado por ela, porém eu e Jasper não falamos para ninguém. Elizza também estava amando Fred. Ela passava por momentos difíceis, e acabaram se declarando um ao outro. Eles tentaram avançar um pouco mais, Rose. Dormir juntos. Elizza não sabia de nada sobre Fred. Ele não se controlou e… Aí está ela.
Edward disse apontando o queixo para cima. Corri para o segundo andar enquanto outro grito de dor soou, e vinha do quarto de Fred. Bati na porta e entrei.
A bela garota loira estava deitada sobre a cama. Suas costas se arqueavam de dor enquanto ela gritava. Coitada. Fred estava debruçado sobre os braços de Elizza, afagando suas mãos e cantando para ela.
-Fred. –murmurei pesarosa ao ver a cena. Eles pareciam Romeu e Julieta. Seu rosto fitou o meu e ele baixou a cabeça. Sua expressão era tristonha.
-Fred, irmão! –exclamei em pânico. -Você não teve culpa quanto a Emmett! Por favor! Eu não te odeio! Amo você também, assim como os outros! Não culpe você mesmo por algo que eu poderia ter acabado e evitado, antes mesmo de você chegar!
-Mas se não fosse meu dom, ninguém estaria seqüestrado. –Fred murmurou. Minha mão foi para a boca dele, e forcei um sorriso sincero a sair de mim.
-Por favor. –eu disse. –Você tem o poder mais legal de todos. Você é meu irmão. E irá ficar aqui se depender de mim, nem que seja obrigado, entendeu? Não sairá dessa casa por minha causa. Nada de culpa. Eu te quero aqui se isso te fizer feliz.
-Tudo bem. Eu entendo seu ponto de vista. E é claro que irei ficar se vocês me aceitarem. –ele sorriu por baixo das minhas mãos, com a voz saindo abafada. Descobri sua boca e fitei Elizza. Fred seguiu meu olhar.
-Foi um erro. Minha culpa. Acabei com a vida dela. Com meu amor. Incrível como perco todas as pessoas que amo. –ele sussurrou, sua expressão estava distante.
-Ela irá te perdoar. Elizza também o ama. Ela descobriria seu segredo, e pediria para ser transformada do mesmo jeito. Não se culpe por isso. Já está feito. –tentei acalmá-lo. Ele parecia tão desolado quanto eu.
-Não queria que ela sofresse a mesma dor que sofri. –Fred suspirou. -Se Elizza descobrisse, poderia se preparar antes de ser transformada. Assim como Bella. Porém, ela nem teve tempo.
-Vai ficar tudo bem, Fred. –eu o levantei de sua cadeira e abracei-o com força. Fred era meu irmão.
Jacob entrou no quarto e puxou minha mão, sorrindo para Fred e este balançou a cabeça, concordando.
-O que foi Jacob? -eu disse enquanto ele me arrastava pelo corredor rumo á escada.
-As garotas já irão caçar. Você também vai, e elas pediram para eu te chamar. –ele falou rapidamente, tentando disfarçar sua voz falha. Perguntei-me o que seu bando estava fazendo.
Passando pelo corredor, olhei as fotos que estavam penduradas nele. Em uma delas, eu e Emmett estávamos vestidos de príncipe e princesa. Foi esta nossa penúltima fantasia do Halloween, em um dia extremamente cômico. Reprimi um soluço e vários tremores que saíram de mim. Jacob olhou nos meus olhos. Sua expressão se suavizou e ele murmurou algo como “Nunca pensei que faria isso”.
Então eu fui puxada para seus braços quentes num abraço. Era bom. Fazia-me ficar mais calma. Jacob estava sendo solidário comigo, e eu nunca pensei nessa possibilidade. Talvez ele estivesse me agradecendo pela ajuda que dei à ele e Nessie. Ou talvez, só sendo bondoso comigo.
Vi que ele sentia falta de Emm tanto quanto Edward. As brincadeiras de luta deles eram constantes, fora as gargalhadas que eles davam juntos. Eles brincavam de “o cão versus o morcego”. Sorri com a lembrança.
-Sei como se sente. Perder alguém querido é realmente difícil. –ele disse enquanto uma lágrima escorreu de seus olhos. Noah. Jake ainda não superava a perda do pequenino sobrinho. Sorri para Jacob, agradecendo seu consolo, e afastei meu corpo do dele para continuarmos a andar.
Fomos para o primeiro andar e Bella logo me arrastou para fora junto com Alice. Ela não havia caçado direito na nossa excursão, e deveria estar com muita sede.
Caçamos animais pequenos enquanto seguíamos para Tacoma. Quando chegamos lá, nos enfiamos nos bosques e nossas presas eram alces.
Logo voltamos para casa. Eu não senti prazer nenhum ao caçar. O ar parecia pesado demais quando batia em meu rosto na corrida, e o sangue frio demais na minha garganta. Pelo menos meus olhos deveriam estar dourados agora.
Abri a porta de entrada da casa e adentrei para a sala principal, fechando a porta assim que minhas irmãs entraram. Suspirei pesadamente. Até quando agüentaria essa vida? Meu humor não estava nada estável para conversar com Seth, que me fitou curiosamente do sofá, embora ele parecesse entender perfeitamente minha situação. Fiquei confusa ao notar o rosto depressivo dele. Isso não era comum. Nada que estava acontecendo agora era comum. Leah estava quieta em um canto junto de Embry, se contorcendo a cada grito que Elizza dava no andar de cima.
Sentei no chão da sala – não querendo subir as escadas e voltar para meu quarto – de frente para a lareira acessa, onde Nessie estava pensativa e distante.
-Está brava com Fred? -perguntei, com minha voz claramente desanimada.
-Não. –ela tentou sorrir. -Eu sei que ele não tinha a intenção. Elizza é minha amiga. E não é porque ela se transformará em uma recém criada, que não será mais. A não ser que ela não queira, aí é diferente. Só estou triste por sua dor.
-Entendo querida. –eu disse enquanto minha inútil voz falhava. Bella sentou-se ao lado de Nessie e suspirou. Com certeza confusa como todos estavam por tantas coisas estranhas estarem acontecendo ultimamente. Senti o buraco no meu peito se apertar.
O fogo da lareira crepitava, e eu relembrei dos invernos com Emm. Quando nos sentávamos de frente para o fogo e ele tocava violão enquanto eu cantava, ou então, quando contávamos histórias infantis para uma Nessie ainda criança.
Meu corpo tremeu em um soluço angustiado e meus olhos ardiam totalmente comprimidos por uma pressão, que deveriam ser as lágrimas saindo.
-Rose! -a voz de Bella entrou em meus ouvidos em pânico. –Rose! -ela me chacoalhou violentamente e voltei para o presente, como se estivesse voltando de um sonho ou uma vida passada. Meu solitário presente.
-Que foi? -eu perguntei. Seus olhos estavam arregalados, e Nessie mantinha a mesma expressão preocupada ao me fitar.
-Você parecia estar em transe. Não respondia a nada. –a suave voz de Bella falhou, e ela retorceu seu rosto em tristeza quando seu peito tremeu. -Rosalie, querida, eu sinto tanto!
A expressão de Bella desmoronou ainda mais ao notar que eu passei meus braços em torno de meu peito. Era como se ela já tivesse sentido isso em algum momento. E eu sabia que havia sentido. Parecia que assim eu impedia que meu coração parado saltasse para fora. Ele estava em pedaços. A dor interna me possuía. Comecei a tremer, o que acontecia quando eu chorava sem muito fôlego, e queria gritar de novo. Bella tinha a expressão de quem gostaria de poder me ajudar de alguma forma, e Renesmee limpava as lágrimas em sua blusa.
Emmett fazia falta aqui.
Ninguém mais sabia alegrar a casa como ele. O eterno palhaço que era meu marido aprontava com todo mundo. A ponto de irritar Carlisle. O que não é muito comum.
Só ele conseguia ser total e completamente feliz do jeito que era. Só ele fazia as pessoas se sentirem assim, só pelo fato dele se sentir.
-Eu vou subir. –falei baixinho. Bella me deu um abraço e puxou Nessie para encostar a cabeça em seu ombro.
Dei boa noite para todos que estavam nesse andar ou no outro andar enquanto eu subia as escadas. Sabia que me escutariam. Um coro de boa noite ecoou na casa, vindo tanto dos lobos quanto de minha família.
Antes de entrar no quarto escutei mais um grito de Elizza. Fred estava desesperado. Carlisle estava ajudando ele a controlar a situação lá dentro.
-Carlisle! Quando irá parar? -Fred gritava em pânico.
-Amanhã. Será o terceiro dia. Ela ficará melhor. –a voz calma de meu pai encheu meus ouvidos.
Girei a maçaneta de minha porta, e no primeiro passo que dei para dentro do meu quarto, o cheiro de Emmett entrou nas minhas narinas. Fechei com chave a porta atrás de mim e tirei minhas roupas.
Até quando eu suportaria?
Abri o chuveiro de meu banheiro e a água quente tocou minha pele. Inspirei o a ar profundamente, e o aroma doce e provocante ainda estava lá.
Estava impregnado em todos os lugares. Tudo nesse quarto, ou na casa, me levava à Emmett.
Lavei meus cabelos e depois os sequei, com a vontade de quem quer tomar uma sopa de verduras. Vesti meu roupão e sentei nas grades da varanda, sem me importar se podia cair lá embaixo ou não. Não morreria mesmo. Fiquei observando o luar.
Sempre quando eu fazia isso, estava com Emmett. E ele sempre envolvia seus braços na minha cintura, e sorria com os lábios pregados no meu cabelo.
Mas hoje era só eu. Sem Emmett.
Vi que meus antigos sonhos, de ver Emm e eu envelhecermos, enquanto nossos netos ou filhos corriam em nossa volta, agora era realmente mais que impossível.
A madrugada caiu lentamente, e o único som que eu ouvia agora, eram os gritos de Elizza. Minha família deveria estar realmente quieta em algum canto da casa, ou já se acomodaram nos quartos, á espera de mais um dia nascer.
Fitei meus dedos das mãos, esticando elas na minha frente. Algo pesava em um desses dedos. Não queria fazer isso. Mas se eu quisesse continuar a viver, por mais difícil que fosse sem Emm, teria que fazer isso. O que estava em meus dedos me fazia lembrar dele, e sofrer. Lembrar do nosso compromisso. Lembrar de nosso amor.
A aliança pesava nos meus dedos, assim como as árvores ficam pesadas com os frutos. Assim como a mente de alguém pesa após cometer algo errado.
Tirar ela de meu dedo, iria-me fazer sofrer menos. Mas nunca esquecê-lo. Iria fazer a dor, não passar mais rápido, mas ser compactada.
Com relutância a puxei de meu dedo. E a observei nas palmas das mãos. Os escritos do lado interno rasgaram meu corpo de dentro para fora: Emmett Cullen. E a data de nossa união logo em seguida.
Sorri com tudo isso depois de refletir. O tempo que tive com ele, por maior que tenha sido, pode não ter sido o suficiente para nós dois. Mas nunca, nunca, deixará de ter sido os melhores momentos. As melhores passagens de minha vida foram ao seu lado. Seus desgostos incrivelmente se tornaram os meus, assim como as alegrias dele. O universo agora se tornou uma imensidão desconhecida para mim.
Emmett ainda vive em meu coração mais frio que o comum. Ele sempre permanecerá aqui. Nem que fosse somente pelas memórias. Nem que fosse pela dor. Ele sempre estaria comigo. E sempre terá uma parte minha com ele, aonde quer que meu lindo garoto de covinhas esteja.
Fitei a aliança na palma da minha mão e levantei-me de onde estava. Fui para minha cômoda e abri uma caixa de jóias. Com um soluço enorme saindo de mim, deixei minha aliança lá dentro. Deixei outro pedaço de mim lá.
Deitei na cama após fechar a porta de vidro da minha varanda, na esperança de amanhecer logo. Passei a mão no travesseiro que Emm usava, e seu cheiro novamente estava aqui. Somente seu cheiro.
Na cama de casal, eu estava sozinha. No lugar em que um vampiro musculoso, divertido, e incrivelmente bom deveria estar… Não havia nada. Não só esta noite, mas pelo resto de meus dias.
Seriam longos e odiosos dias sem Emmett. Ele era quem os iluminava.
Temia voltar a ser aquela Rosalie que tinha um ano como vampira. Temia regredir, e voltar a ser muito pior do que meu espírito poderia ser hoje. Eu não queria naufragar, não queria afundar, não queria regressar.
Mas era inevitável com a ausência de Emmett e tanta dor me dominando.
Enfiei a cabeça por baixo de seu travesseiro. Fechei os olhos e passei o tempo sentindo o melhor cheiro do mundo.
Sim. Ele tinha o melhor perfume.
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