sexta-feira, 17 de junho de 2011

Diário de uma imortal – Capítulo 19

À primeira vista, com um grande acidente * Visão de Fred * 
Como Carlisle nos pediu, eu, Alice, Jacob, Nessie e o bando de lobos estávamos voltando para casa. Minha conhecida Seattle. Até agora não me acostumei que estou vivendo lá novamente.
Enquanto estávamos retornando para casa, já perto de Portland, senti o cheiro do resto de minha família por aqui. Eles devem ter procurado Emmett nessa região primeiro.
O meu relógio de pulso marcava sete horas da manhã quando chegamos a Seattle e pisamos na casa enorme que eu agora morava também. Acomodamos nossos corpos na sala, e ficamos fitando a cara do outro feito uns bobos.
Minha garganta ardia um pouco. Eu deveria ter caçado mais animais. Só que o estúpido do Michael apareceu, e acabou com nossa excursão perfeita. E ainda clonou meu dom!
Aquele animal…
Nunca senti tanto ódio de um vampiro assim. Nem mesmo de Riley. E o garoto ainda usa meus dons, contra eu mesmo!? É realmente uma audácia isso.
-Fred. –minha irmã pequenina falou. –Se concentre caso sentir Michael não nos repelir mais. Talvez tenhamos sorte. Então você repele o dom verdadeiro dele. E então podemos pegá-lo, porque automaticamente ele ficará sem seu dom.
-Tudo bem. Irei ficar atento, baixinha.  –respondi, e ela mostrou a língua para mim antes de dar um beliscão na nuca de Jacob por estar beijando Renesmee, e não fazendo silêncio o suficiente para ela se concentrar nas visões.
E isso é algo que eu realmente irei demorar a me acostumar. Um metamorfo namorando uma híbrida. Nada contra Jacob ou seu bando, eles são legais. Até mesmo Seth, que até em sua forma de lobo sorri para tudo e todos. O que ele faria se eu o ameaçasse com uma arma? Sorriria também? Concordo com Leah ser estressada com seu irmão e contê-lo com beliscões. Só acho estranho, minha nova sobrinha pertencer à ele. Mas acho que posso me acostumar com isso tanto quanto estou me acostumando com minha dieta.
Alice sentou-se no sofá ao lado do meu e fechou os olhos. Ela narrava o que cada um da família estava fazendo. O dom dela é legal. Ao contrário do meu, que só deu problemas por enquanto.
Não sei se é só impressão, mas acho que ando atrapalhando a vida dos Cullen desde que vim para cá. Quando me encontrei com Zafrina e ela me disse sobre eles, parecia até ser surreal. Não que não esteja sendo, mas tenho a impressão que os Cullen não deveriam ter aumentado. Ainda mais com um ser como eu.
“Eles se alimentam de animais. Uma vida totalmente diferente da que você odeia. É um clã bem grande, dificilmente tem problemas e com muitos dons. Você irá se encaixar muito bem lá!”
Foi isso que Zafrina disse. Não que eu não me encaixe, ou que queira voltar a me alimentar de humanos, ou que não gosto de minha família. Eu os amo muito, afinal, não é todo mundo que acolhe alguém que foi feito para te matar.
Mas é que acho que atrapalho suas vidas de alguma maneira. Arrumo problemas.
Se eu não tivesse vindo, Jane Volturi não teria feito tudo aquilo com os Cullen após pegar Rosalie. E Michael não teria clonado meu poder. Causando este transtorno para minha família. Nem seqüestrado Emmett.
Rosalie deve me odiar.
Embry, Seth e Leah foram para o quintal. Eles falaram que se transformariam e tentariam entrar em contato com Sam, em La Push.
Minha sobrinha batia o pé impaciente e olhava no relógio, enquanto Jacob fitava Alice e suas rápidas visões.
-O que eles estão fazendo? Tia Alice? –Nessie perguntou com sua voz de soprano.
-Correndo, Ness. –Alice foi curta e impaciente. Então se lançou de novo nas visões, e narrava cada passo dos nossos familiares. Cansei de saber que eles nunca achavam quem queriam.
Fui para meu quarto e me concentrei em Michael. Senti algo estranho, era como se eu estivesse batendo em um campo de força ao sequer pensar nele, tudo que envolvia ele e Emmett me deixava quase nauseado, e incapaz de penetrar nesse dom.
Porcaria! Ele me repele.
Se eu pegasse esse garoto… Quem ele pensa que é para copiar meu dom!? Até onde eu sei vampiros não são iguais a vírus de computador. E ele pensa que pode me fazer experimentar do meu próprio talento? Causando-me repulsa e me repelindo? Ora!
Escutei Leah falando no andar de baixo que Sam nos deseja sorte, e caso precisássemos de ajuda, estaria mais que disposto. Eu ainda não entendia bem essas estranhas conexões mentais dos metamorfos, mas decidi que essa não era a hora.
Pensei em Emmett. A mesma sensação estranha me atingiu novamente. Meu dom me atingiu.
Eu tenho motivos maiores que este para querer arrebentar Michael? Aquele bastardo…
Ele está colocando meu dom contra mim!
O resto do dia passou, e logo já era noite. Alice nos disse que eles voltaram para as Montanhas Rocky e fariam a rota para outra direção.
Vi que não conseguiria ajudar em mais nada, após me concentrar em Michael novamente e ser repelido. Eu deveria ter teimado com Carlisle e permanecido com eles. Eu seria mais útil farejando o ar do que tentando repelir Michael, quando ele mal deixava uma brecha.
Fiquei a madrugada inteira em meu computador. Franquia da casa quando me mudei para cá. Peguei o jogo mais violento que Emmett me emprestara e apertei o play.
Todos os inimigos eu imaginava com o rosto de Michael. A única coisa ruim é que ele não morreria com um tiro de arma de fogo. Meu peito estava guardando um rosnado raivoso o suficiente para ser comparado à um leão, mas decidi que descontaria minha raiva em Michael. Somente nele. E não na casa e varandas de vidro de Esme.
Quando estava quase amanhecendo, e eu ainda estava pregado na tela do computador, escutei Alice falar algo com Nessie.
-Renesmee, eu sei que a ausência de seu pai é tentadora. Mas por favor, porque fico muito incomodada em escutar vocês… –Alice hesitou em terminar.  –Se agarrando no sofá e tendo visões ao mesmo tempo! Seu tio sumiu minha querida. Ajude-me.
-Desculpe tia… Prometo que… Você sabe.  –Renesmee deveria ter corado ao terminar de falar isso. Podia imaginar o rosto avermelhado dela daqui de meu quarto. –Estou preocupada com tio Emm.
Levantei da minha cama com os olhos ardendo. Isso é algo que acontece quando ficamos mais de oito horas sem piscar por causa de um jogo.
Desci as escadas correndo e fui para o quintal, após dar bom dia a todos na sala principal. Os raios de sol me fizeram brilhar como um diamante.
Isso não é algo que eu goste muito. Desde que Riley dizia que nós queimávamos no sol, eu peguei trauma disso. E não é legal parecer que você pregou milhares de lantejoulas em você. Mas no fundo, era algo bem suportável. Encantador para quem vê.
Novamente me concentrei em Michael. Tentando em vão achar uma brecha nos dons dele. E só senti a mesma repulsa de sempre. Ele ainda me repelia. Com Emmett foi exatamente a mesma coisa.
Garoto infernal. Michael ainda pagaria por tudo isso.
Voltei para a casa e fui até a cozinha. Quase desanimado. Seth coçava os olhos e reclamava de sono enquanto tomava uma tigela com leite e cereais.
-Eu já falei Seth… –Leah revirou os olhos. –Temos que fazer patrulha ao redor da casa. Não sabemos o que Michael irá fazer! Acorde garoto!
Jacob sorriu nos lábios de Renesmee e cutucou Embry, que praticamente tinha a cara enfiada na sua tigela de cereais enquanto cochilava sentado.
Alice estava terminando de colocar a mesa do café, caminhando com uma tigela enorme de vidro nas mãos na direção da mesa. Acho que isso são panquecas. O cheiro de comida humana me fez sentir um pouco de nojo. Como seria experimentar isso?
De repente Alice parou no meio do caminho, seus olhos pareciam mais negros e longes. Vazios. A tigela escorregou de suas mãos e antes que alguém pudesse pegá-la as panquecas voaram com todo o recheio pela cozinha. Fez a maior bagunça.
-Aaaw!  Que desperdício!  -Seth esbravejou, tomando um beliscão de Leah. Só então ele notou que havia algo errado.
Normalmente Alice não tinha visões perto de mim, e quando tinha, fechava os olhos ou estava preparada para tê-las. Mas agora foi diferente. Pela primeira vez a vi ter visões involuntárias. Sei lá como posso descrever isso.
Ela piscou os olhos e retomou para o presente. Parecia atordoada.
-Oh meu Deus! -ela disse arfando, com suas mãos na cabeça e os olhos arregalados.
-Que foi? Tia Alice!?  -Nessie gritou desesperada.
-Emmett… Rosalie achou… –minha pequena e aparentemente frágil irmã gaguejou.
-Sério!? Que bom!  -Seth jogou as mãos para cima, sorrindo. Se fosse algo bom Alice estaria feliz.
Esperei pelo pior.
-Ele está morto! Emmett… Está… Oh meu Deus!  -a expressão de Alice se contraiu e Nessie já transbordava lágrimas pelos olhos. Elas se abraçaram enquanto Jacob tremia nervoso. Os lobos de seu bando ficaram imóveis.
Eu simplesmente estaquei no chão, não querendo acreditar nisso.
Alice pegou o telefone enquanto altos soluços irrompiam dela.
-Não pode ser verdade.  –ela disse disfarçando um tremor na mão e outro soluço. Alice nem esperou alguém dizer Alô.
-É, Alice. Todos nós sentimos seu cheiro na própria fogueira. E havia um pedaço de tecido que era dele também.  –a voz entristecida era de Bella. Realmente Emmett estava morto.
A culpa é minha. A culpa é minha e de meu dom inutilmente idiota!
Eu não mereço pertencer a uma família tão boa! Não ajudei a tentar matá-los no passado, mas matei um agora! Ajudei Michael a matar Emmett!
Minhas mãos tremiam de raiva. Resolvi sair ali. Não sei aonde iria, ou que roupas eu teria. Só queria ir embora logo.
Atravessei a cozinha em um instante e abri a porta da sala, a fechando em um estrondo.
-Fred!-Alice gritou e a escutei tentando vir atrás de mim. Eu não queria fazer isso, mas foi necessário. Meu dom ainda tinha efeito sobre eles. Só não funcionava para Michael e Emmett. Para Emmett nunca mais ele irá funcionar.
Olhei para trás e vi Alice se ajoelhando no chão, completamente repelida por mim. Podia imaginar as náuseas que ela estava tendo. Seria o suficiente para me mandar dessa casa.
Meu poder tinha que ser útil pelo menos por uma vez.
Os lobos e Renesmee foram ajudar Alice, e fui obrigado a repeli-los de mim também, antes que viessem me impedir de ir embora.
Corri o mais rápido que pude para sair daquela mata que cercava a casa. Eu sabia que logo o resto dos Cullen iria chegar, já que não havia mais nada a procurar. Eu não queria ver seus rostos. Principalmente Rosalie.
Eu queria poder trocar de lugar com Emmett.
Pelo menos assim eu encontraria Bree em algum lugar após morrer. Lembrar dela cortou meu coração já em pedaços. O amor é injusto às vezes. A única garota que amei verdadeiramente se foi e me deixou aqui.
Estava correndo nos arredores de Seattle, me escondendo do sol inútil que brilhava no alto.
Escondi-me em um lugar que Bree sempre havia me falado. O esconderijo ninja dela e de Diego. Mergulhei na baía assim que saí da mata que a cercava, e nadei no mais fundo que pude. Encontrei a abertura e me enfiei por lá.
Uma pessoa ficava até que confortável aqui dentro. Puxei o ar pela primeira vez desde que estava aqui, e no ar da caverna, restava um leve perfume de Bree e uma leve essência de Diego.
Que ótimo, logo serei eu que estarei a soluçar.
Pelo menos aqui eu não brilhava, e ninguém me veria, mesmo a caverna tendo um furo que levasse à superfície. Nenhum humano seria capaz de ficar aqui. Eles não são tatus.
Quando senti que a noite havia começado, eu saí da fenda, inalando pela última vez o perfume dela. Com certeza o resto de minha família já chegou aqui em Seattle nesta hora, e deviam estar na casa, lamentando a perda do bom grandalhão que foi Emmett.
Mas eu não voltaria para aquela casa. Pelo menos nos próximos três anos. Até eles se acostumarem com a falta de Emmett. Até eu me acostumar ter sido o culpado, em boa parcela, pela perda daquele irmão.
Vaguei pelas ruas escuras e becos sombrios de Seattle, movimentados de adolescentes indisciplinados. Chequei se nos meus bolsos ainda havia alguns pares de lentes de contato extra. Logo as que eu usava estariam inutilizadas. Pelo menos havia conseguido enfiar alguns pares no meu bolso antes de sair correndo como um desvairado daquela casa. Alguns jovens me fitavam estranhamente, observando minhas roupas úmidas.
Nem liguei.
Passei por um beco e subi as escadas que levavam ao telhado. Eles serviriam de avenida agora. Pulava de um para o outro, saltando tão rapidamente quanto um guepardo e tão levemente como um cabrito. Eu me sentia mais vampiro fazendo isso. Sentia-me mais descontrolado. Isso me lembrava minha época de recém-criado. Incomodava-me um pouco agir assim. Saltei de um telhado escorregadio para um outro estranhamente pintado.
Então eu senti seu cheiro.
O melhor cheiro humano que já senti depois de ter inalado aquela blusa vermelha que pertenceu à Bella.
Elizza.
Andei pelo telhado irregular de uma casa e pulei ao próximo. Ela morava aqui, bem debaixo de meus pés. Seu cheiro estava intenso. A casa tinha dois andares, e a janela aberta do primeiro revelava uma senhora de em média setenta anos de idade. Ela se levantou da cadeira e saiu pela porta de entrada. Carregava uma bolsa na mão e na outra alguns novelos de lã.
-Elizza!  -a senhora gritou. –Não se esqueça de fechar a porta, não estou levando chaves! Se precisar de alguma coisa, ligue na casa de Meredith, estarei lá.
As portas da varanda, do segundo andar, se abriram. Minha ídola confidencial apontou da sacada e procurou a senhora na calçada. Uma leve brisa bateu e carregou seu cheiro para mim. Meu Deus, como alguém pode ser assim?
-Tudo bem, vovó! Cuidado.  –Elizza acenou da varanda enquanto a avó partia rua afora. Fitei a senhora andar até o fim da rua, e eu sabia que Elizza já havia retornado para dentro da casa havia um tempo. Aonde essa senhora iria andar em plena noite?
Um rock ensurdecedor começou a sair do quarto de Elizza, e as grades de sua varanda tremiam pelo som. Sorri por ela ser uma típica adolescente, que espera a saída dos responsáveis para fazer farra.
Inalei o ar mais uma vez. Ela estava sozinha. O aroma dela era o único presente na casa agora.
Quando Elizza passou o final de semana conosco, estranhei quando ela só falava de sua avó. Depois Edward me explicou que seus pais morreram em um acidente de carro.
Ela estava sozinha.
O que eu faria? Entraria lá, e conversaria com ela… Ou não? E se eu me descontrolar?
Sua voz ecoou pelos meus ouvidos. Ela cantava a música perfeitamente bem.
Edward e Jasper com certeza não falaram para ninguém, porque eu implorei em pensamento e sentimentos. Mas eu senti algo por Elizza naquele final de semana. Não era só o cheiro de seu sangue que me atraía, mas sim ela. O jeito dela. O sorriso e belos olhos dela.
Elizza me atraía tanto quanto seu sangue.
Seu nome me fez tomar coragem de entrar no quarto. Saltei levemente do telhado até a varanda, e irrompi sem nenhum barulho na porta de correr aberta. Prendi a respiração, como uma ajuda para me fazer sentir controlado, e fitei seu quarto. Era lilás, e enfeitado com pôsteres de sua banda favorita. Espaçoso e com um computador na escrivaninha. Havia uma foto dela ao lado de sua cama, seu sorriso sempre reluzente no rosto atraiu ainda mais minha atenção para aquela bela garota loura.
Ela estava de costas para mim. Com uma guitarra desafinada, somente imitando os movimentos do som e jogando os cabelos e cabeça para frente, como uma autêntica cantora de Heavy Metal.
Sorri novamente para mim mesmo. Eu gosto de pessoas assim. E ela tinha uma aura encantadora. Entendo porque Nessie fez facilmente amizade com ela.
Sua mão estava fechada como se fosse um microfone e ela fez sua voz subir na escala aguda conforme a voz da cantora no CD também subia. Até que ela era bem afinada.
Tomei coragem para falar algo. Essa visita não seria em vão. Esse anjo poderia me ajudar nesse dia exaustivo e triste. Não sabia qual seria sua reação, o que eu falaria depois? Poderia inventar que escalei as paredes de alguma maneira, e que Nessie tinha me passado seu endereço. E que eu queria conversar com ela.
Isso iria prestar? O sangue dela também te atrai. Cuidado. -minha mente avisou.
-Oi.  –murmurei nervosamente. Ela mal virou as costas. O som estava alto demais para qualquer humano ouvir.
-OI.  –foi quase um grito. Ela arfou assustada e deixou sua guitarra cair no chão, seus olhos ficaram arregalados quando ela notou quem era conforme se virava de frente para mim. Suas mãos tremiam quando ela desligou o rádio.
-F-Fred!? C-como v-você… –a voz perfeita dela soava trêmula. Estúpido, a assustou.
-Renesmee me passou seu endereço. –eu menti, e ela parecia acreditar. -Vi a porta da sua varanda aberta, e o som ligado. Deduzi que estava aqui, cantando no quarto. Dei um jeito de subir pelas paredes do muro da casa, já que você não ouviria se eu te chamasse ou tocasse o interfone.
Pisquei o olho, nervoso se ela engoliria a última desculpa esfarrapada. Meu fôlego estava acabando. Eu precisaria respirar para poder falar com ela. Lembrei-me que havia caçado alguns animais, e que não deveria pensar em sede. Lembrei-me também que minhas lentes de contato ainda disfarçavam o tom de meu olho. Eu ainda sentia as lentes inteiras nas minhas órbitas. Puxei o ar, e o perfume dela veio como uma torrente dentro dos meus pulmões. A garganta ardeu um pouco, mas foi algo controlável.
Isso, Fred. Isso.
-Hmm… Por que você está aqui?  -ela abriu um sorriso perfeito. Meu coração paralisado quase pulou. –Não escalou muros à toa, não é? Deu sorte de minha avó ter saído.
-É que… Eu não tinha nada para fazer. Resolvi te ver.  –respondi como um garoto de nove anos tenta paquerar uma enfermeira formosa de vinte e cinco em pleno hospital.
Idiota! Queria arrancar meu pescoço fora. Eu não devia ter vindo aqui!
-Bem, eu vou embora. –falei rapidamente e virei minhas costas para Elizza, andando até a varanda e colocando meu pé direito nas grades que protegiam a sacada.
-Não!  -suas mãos quentes pararam nos meus ombros.  –Fique. Por favor.
Senti-me um Romeu estúpido que acatava as ordens de uma perfeita Julieta.
Fitei o rosto de Elizza, e seus olhos se encheram de água. Tirei meu pé da grade e virei meu corpo para abraçá-la apertado. O calor que emanava dela encheu meu coração frio. Tão linda, e tão triste. O que eu poderia fazer para reconfortá-la? Por que ela estava assim?
-Ei, o que foi? –perguntei mais uma vez como um estúpido.
-Não consigo mais ficar sozinha assim! –ela exclamou enquanto lágrimas escorriam de seus olhos. Sua voz soou cheia de dor e abafada. -Primeiro meus pais, logo minha avó! Ela está doente! Ela sabe disso e quer aproveitar seu pouco tempo! Com quem vou ficar depois que ela se for!? Ando me afogando em músicas para esconder minhas mágoas. Como se isso adiantasse! Fred, sabe quanto tempo faz que nenhum garoto entra na minha casa e fica me fazendo companhia!? Sabe o quão sozinha me sinto?
-Você não ficará sozinha! –eu prometi, afagando seus cabelos e tomando cuidado ao respirar. -Pode sempre contar com Nessie e nossa família.  –eu ainda fazia parte dela!?
-Eu sei. Mas é que… –ela abaixou a cabeça. –Eu preciso de alguém. Alguém que me entenda mais que uma amizade. Não agüento mais ficar sozinha e enfurnada nessa casa cuidando de minha avó! Sabendo que será em vão, porque a doença dela não tem cura! Fred, eu estou perdendo minha vida para a morte dela! Porém não quero que ela se vá! Entende como me sinto?
-Você está cercada de pessoas!  -exclamei tentando melhorar o humor dela. E vampiros também, eu pensei comigo.
-Estou falando de um namorado, Fred. Uma companhia só minha. Preciso colocar essa minha vida para frente. Não tenho meus pais, logo ficarei sem avó, irei ficar em uma família adotiva. Preciso de algo que pertença realmente à mim. Mas não encontro.  –ela disse fungando, enquanto as lágrimas pareciam ter cessado. Então seus cílios bateram para mim, e ela sorriu torto.
Seria possível um vampiro desmaiar diante de tamanha perfeição?
É impressão minha ou ela está… Tentando me explicar algo que pode me incluir?
Claro que não! Seu idiota. Minha paixão aguda e estranha não é correspondida igualmente por ela! Ela precisa de um parceiro, e só está me explicando isso. Explicando-me porque está triste. Não quer dizer que quer algo comigo!
-Sabe… não sei quanto tempo minha avó tem. –Elizza retomou a conversa. -Ela pode parecer até disposta, mas o médico já me disse. Terei que viver com outra pessoa em breve. Um companheiro ou um bom amigo seria bom para me ajudar a superar isso. Só Nessie não vai conseguir me acalmar… E ando precisando amar alguém. Ou não.  –ela disse as últimas palavras murmurando. Como se eu não pudesse escutar!
-Como assim “ou não”?  -indaguei sem pensar, e quando ela notou que eu escutei, corou.
-É que já estou amando alguém. Mas acho que essa pessoa não corresponde. Além de tudo o que passo, sou idiota o suficiente para me apaixonar por ela. Só para sofrer ainda mais depois que minha avó morrer, por não ter nem quem eu amo como parceiro ao meu lado.
Droga. Parabéns, Fred! A Terra conspira contra você nesse quesito. Porque ninguém me ama quando o amo? E porque quando alguém me ama eu não faço nada útil? Como acabei fazendo com os Cullen?
-Posso saber quem é? –disse com a voz desanimada. Ela corou de novo.
-É… Er… V-você. –Elizza disse rapidamente.
-Vamos, continue. Fale-me quem é. – eu encorajei, e ela me lançou um olhar de quem deixou passar algo óbvio. Então eu entendi a última fala dela. –Eu?
-Olha! –a voz dela disparou de nervosismo. -Não quero que se sinta forçado, talvez você até já namore alguém. Não ligue para mim! Ai como sou idiota! Parece que estou me fazendo de vítima para conseguir ficar com você. Deve estar pensando: essa garota só me viu uma vez e me ama. Que tipo de loucura é essa? Fred, no final de semana em que te conheci, eu te achei um garoto extremamente perfeito. Você… Surgiu como se fosse dos meus sonhos. Mas, não importa! Ignore o que falei! Deixe-me ficar sozinha e sem nenhum parceiro depois que minha avó morrer! É para eu largar a mão de ser uma estúpida!
Eu congelei no meu lugar. Ela me ama! Uma felicidade contagiante eletrizou meu corpo. Elizza acha que amor à primeira vista não é possível? Eu também me senti atraído por aquela garota no final de semana! Claro que seu sangue não ajudou muito, mas eu passei a adorá-la também. Querendo ou não eu tinha que encarar o fato que Bree não voltaria. E Elizza está aqui.
Ela abriu a boca para falar mais asneiras do tipo “você não precisa me amar”, mas então a silenciei.
Meus lábios colidiram com os dela e a puxei para meus braços. Ela devolveu o beijo com tamanha intensidade que perdi o fôlego. Afastei nossos lábios e encostei minha testa na dela.
-Eu também te amo.  –murmurei. O cheiro dela penetrava meus pulmões novamente. Minha garganta ardeu, mas ignorei a sensação ao máximo que pude. Não acredito que está realmente acontecendo o fato de Elizza precisar de mim. Os problemas que virão depois, eu resolveria. Eu daria um jeito.
O que me importa agora é ela. E eu sabia que lutaria por ela, pelo que fosse.
-Eu quero você. Preciso de você. –ela murmurou com olhos desesperados e sofredores.
Sabia que Elizza passava por momentos difíceis, e queria ajudá-la ao máximo. Mas… acho que posso machucá-la se isso for adiante cedo demais. E eu era inexperiente em autocontrole tão treinado assim.
-Elizza… –como eu me explicaria sem falar que sou um vampiro doente por sangue? E que não posso dormir com ela porque poderia matá-la?
Ela não quis esperar eu terminar de falar. Entendeu que eu aceitei, depois de tantas declarações vindas um do outro. Dormir com ela seria uma demonstração desse amor na concepção de Elizza. Na minha concepção, seria uma prova de fogo. Ela não me deixava terminar de falar. E eu não sabia o que falar se ela deixasse. Com o silêncio que se instalou, eu me entreguei à ela sem relutar. Eu me esqueci que era um vampiro, e deixei meu corpo frio sentir a carne quente que era o dela. Eu estava ficando louco! Devia parar isso!
Eu a amo, mas não quero matá-la! –uma voz gritou na minha mente. A voz que tinha razão.
Se entregue à ela, Fred. Sintam o amor entre vocês. Elizza te ama. Você a ama. –a voz imprudente e cheia de luxúria berrou. Eu deixei essa voz me levar.
As mãos dela passaram por minha camiseta, tirando-a por cima de minha cabeça, e senti o seu toque nas minhas costas. Ondas de arrepios tomaram meu corpo. Um estranho extinto selvagem me tomou quando para meu deleite ela passou seus dedos por meu cabelo, e puxou meu rosto ainda mais contra o dela.
Inalei seu cheiro e vi que eu teria que tentar.
Rasguei sua blusa num átimo, e com o mínimo possível de força, trouxe a cintura dela para grudar-se em meu abdômen. Ela me deitou carinhosamente em sua cama, me fitando encantada enquanto nossa paixão era praticamente palpável. Elizza me enchia de beijos pelo rosto.
Sua língua roçou meu lábio inferior e isso fez com que eu fosse e voltasse de Marte nove vezes. O cheiro dela me envolvia como um mar de rosas. Minha garota era intensa. Minhas mãos passaram descontroladamente por seus braços e desceram até seus quadris, enquanto eu ignorava toda a sede e lutava para me focar no corpo frágil e altamente capaz de me enlouquecer que era o dela.
Então Elizza encaixou o pescoço na minha boca.
Não. –minha mente gritou desesperada. Fred não! Minha boca se enchia de veneno enquanto minha consciência tentava me colocar no eixo certo novamente.
Foque nela, foque somente em Elizza. Esqueça o sangue dela!
O coração de Lizzy pareceu disparar, e o fluxo de sangue em seu pescoço aumentou. O líquido correndo rapidamente era altamente audível.
O cheiro que ela emanava e o cheiro do sangue dela entrou em minha mente e me dominou.
Não queria fazer isso, mas foi além de mim.
Meus dentes se fecharam em seu pescoço suavemente, e seu sangue inundou minha boca. Seu sangue altamente doce que escorreu da perna dela aquele dia. Seu sangue. Meu sangue.
Ela quis se afastar, aterrorizada com a situação. Para deleite meu, além do sangue, o corpo dela emanava incríveis ondas de prazer por mim. Eu conseguiria parar?
A puxei para baixo de mim, colocando meu corpo por cima do dela enquanto sugava o divino líquido vermelho.
Elizza gritou de dor e foi como se um estalo atingisse minha cabeça. Vi que eu teria que me controlar. Não podia matar ela.
Eu a amo! A quero viva ao meu lado!
Com muito esforço e todo o autocontrole que eu tinha, tirei minha boca de seu pescoço e fitei seu rosto desesperado. O que havia de errado agora, além de tudo?
Ela gritou de dor e se esticou na cama, seminua. Seu corpo batia contra o colchão e Lizza falava entredentes, com o rosto retorcido por dor.
-Fred! Está queimando! Dói! Faça parar! Fred! –ela gritava.
Meu Deus. O que eu fiz? Ela vai se transformar! Eu a mato como estava fazendo antes, ou a deixo virar uma de mim?
Você a ama! Estúpido! Salve a vida dela!
Pensei em sugar o veneno, como Carlisle fez com Jacob. Mas se sentisse seu sangue novamente a mataria, e eu não queria isso. Eu a amava.
Só espero que ela continue me amando depois do que se transformará por minha culpa.
Sou um monstro. Realmente só atrapalho a vida de tudo e todos!
Enquanto ela gritava e eu estudava uma maneira de ela fechar a boca, já que a vizinhança ligaria para a polícia, seu telefone tocou.
Coloquei minha mão pressionada em sua boca levemente, para abafar os gritos. Quem seria no telefone? O que eu falaria?
-Alô. –perguntei receoso. Que bagunça! O que eu fiz? O que eu fiz?
-Fred! -a voz de Alice berrou do outro lado. Eu me senti ainda mais desesperado que antes. Fiquei tão nervoso que esqueci de repelir Alice de mim? Há quanto tempo já não repelia ela e não me dava conta! Ela não devia ter me visto! Eu estava repelindo os Cullen, não queria que viessem atrás de mim!
Fred idiota!
Por um lado, Alice ter visto isso acidentalmente e por um descuido meu, foi bom.
Não sabia como falar ou me explicar. Eu estava errado, em tudo.
Mas pelo menos por agora precisava da ajuda de minha família, ou ex-família, como eles quiserem me chamar após o que eu fiz.
-Me ajude Alice! Por favor!  -eu praticamente berrei enquanto Elizza gemia ainda mais alto. Eu me lembro dessa dor. Porque a fiz sofrer isso? Minhas mãos tremiam pelo nervosismo.
-Estamos indo para aí agora! –Alice avisou. -Não se encoste-se nela! Irá matá-la se fizer isso! Você não vai se controlar! Eu e mais alguns estamos indo para aí! Ah Fred!
-Tudo bem, eu não chegarei perto de Elizza. –prometi. -Mas ela ficará bem?
O que eu fiz!?
-Sim. –Alice concluiu. -Uma vampira, mas ficará bem. Agora é tarde demais para sugar o veneno. Até Carlisle ou alguém mais controlado chegar aí, será impossível reverter o processo. Vou desligar.
Então Alice desligou o telefone. Eu me enfiei no canto mais afastado do quarto de Elizza, com a cabeça entre as pernas, incapaz de ajudá-la enquanto ela gemia de dor. Pelo menos os vizinhos não escutariam isso. Senti um soluço brotando de meu peito e a vergonha me inundando. Alice teria visto tudo acontecendo?
Mais uma vez eu estraguei tudo. E perdi a vida da pessoa que amava. Elizza me perdoaria? Os Cullen aceitariam um traste como eu de volta?
Acabei com minha vida em menos de cinco minutos. Acabei com a vida dela em menos de cinco minutos. Coloquei mais preocupações na cabeça dos Cullen em menos de cinco minutos. Que estragos mais eu faria até aprender?


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